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As Pequenas Virtudes

de Natalia Ginzburg
Editor: Relógio D'Água, junho de 2021 ‧
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RECOMENDADO PELO PLANO NACIONAL DE LEITURA
Entre 1944 e 1962, Natalia Ginzburg escreveu um conjunto de onze ensaios de pendor autobiográfico. São textos essenciais, o legado de uma das mais importantes escritoras do século XX, que viveu retirada no campo com o marido durante o governo de Mussolini e nos anos 60 se deslocou para Londres. Por eles, passam as suas impressões sobre a juventude e a idade adulta, as consequências da guerra, o medo, a pobreza e a solidão, as recordações de Cesare Pavese e a experiência de ser mãe e mulher quando se é escritora.

São páginas de uma perturbadora beleza, lúcidas, plenas de sabedoria, testemunho de uma escrita capaz de transformar objectos e experiências quotidianos em assuntos de grande significado sobre os quais o tempo parece não passar.

A Introdução é de Rachel Cusk.
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Nas Palavras Delas

Ler algumas escritoras é perceber que a literatura pode ser íntima e política ao mesmo tempo, delicada e feroz, profundamente humana e ainda assim inquietante. Alba de Céspedes, Virginie Despentes, Camila Sosa Villada e Natalia Ginzburg inspiram-me por razões diferentes, mas há algo que as une: a coragem de olhar para a experiência das mulheres, e para as margens da sociedade, sem enfeites, sem concessões e sem medo. Nas Palavras Dela, de Alba de Céspedes Em Nas Palavras Dela, Alba de Céspedes dá-nos uma escrita profundamente atenta à interioridade feminina, às contradições do amor, do casamento, da família e da liberdade. É um romance que mergulha no modo como tantas mulheres foram ensinadas a viver em função dos outros, mesmo quando dentro de si cresce um desejo de rutura, de autonomia e de verdade. O que mais me inspira nesta obra é precisamente a capacidade de nomear o que tantas vezes fica oculto, como os silêncios, as renúncias ou os conflitos íntimos. Alba de Céspedes escreve mulheres com lucidez, sem simplificações, e lembra-me sempre que a literatura pode ser um lugar de consciência e de insubmissão.
A infância de Alessandra, em Roma, é marcada pela lenda dolorosa da mãe, Eleonora, mulher prodigiosa que sonhava ser uma pianista célebre, mas cuja sensibilidade artística acaba esmagada pela estreiteza da vida doméstica, pelas convenções familiares e por uma ordem social que confunde sacrifício com virtude. A história de Alessandra nasce, assim, sob o signo dessa figura materna simultaneamente luminosa e ferida. Uma mulher que encarna tudo aquilo que poderia ter sido e que não lhe foi permitido ser. Ao acompanhar o crescimento da protagonista, o romance torna-se também uma educação sentimental e política, na qual a intimidade da casa e as frustrações revelam a violência discreta de um mundo construído contra a liberdade feminina. COMPRO NA WOOK! » Teoria King Kong, de Virginie Despentes Teoria King Kong, de Virginie Despentes, inspira-me de uma maneira diferente. É um livro que entra sem pedir licença e que desmonta discursos confortáveis sobre violação, prostituição, pornografia, feminilidade e poder. Despentes escreve com fúria, frontalidade e inteligência, recusando a ideia de que uma mulher tem de ser dócil para ser escutada. Gosto particularmente deste ensaio porque não procura agradar nem suavizar o desconforto e obriga-nos, isso sim, a repensar tudo aquilo que a sociedade prefere manter bem arrumado.
A força do livro vem também do seu cunho assumidamente pessoal, autobiográfico e violento. Despentes não escreve a partir de uma abstração teórica, mas a partir do próprio corpo, da própria experiência e das suas zonas mais expostas. Fala da violação que sofreu, da passagem pela prostituição, da relação com o cinema pornográfico, da vergonha, da raiva, do medo e da forma como a sociedade organiza a culpa para a devolver quase sempre às mulheres. O que torna Teoria King Kong tão perturbador é precisamente essa recusa em transformar a ferida em ornamento literário ou em confissão domesticada. Despentes converte a experiência brutal em pensamento crítico, fazendo da autobiografia uma arma contra a moral burguesa, contra a vitimização higienizada e contra todas as formas de obediência impostas ao feminino. COMPRO NA WOOK! » As Malditas, de Camila Sosa Villada Em As Malditas, de Camila Sosa Villada, encontro uma escrita que é brutal e luminosa. O livro cruza memória, violência, sobrevivência e imaginação, dando corpo a vidas que tantas vezes foram empurradas para a margem. O que me inspira aqui é a forma como a autora transforma dor e exclusão em literatura viva, feroz e bela. Há neste livro uma força quase mítica, mas também uma humanidade devastadora, que faz com que cada página pareça um gesto de resistência.
No seu ADN convergem as duas facetas do mundo trans que mais repelem e assustam a boa sociedade: a fúria travesti e a festa de ser travesti. Camila Sosa Villada explora, em concreto, a infância marcada pela violência, pela vergonha e pelo desejo de fuga, mas também a entrada num universo de pertença, de comunidade e de reinvenção. A obra é um relato de infância e um ritual de iniciação, um conto de fadas e um conto de terror, memória íntima e mitologia coletiva. As mulheres que habitam o livro surgem como figuras feridas e soberanas, expostas à brutalidade do mundo e, ainda assim, capazes de criar laços, linguagens, maternidades improváveis e formas exuberantes de alegria. É nessa tensão entre desamparo e esplendor que o livro encontra a sua grandeza. COMPRO NA WOOK! » As pequenas virtudes, de Natalia Ginzburg As pequenas virtudes, de Natalia Ginzburg, lembra-me que nem sempre é preciso levantar a voz para dizer o essencial. Neste conjunto de textos, Ginzburg escreve sobre a vida, a família, a educação, a pobreza, a guerra, a maternidade e a escrita com uma clareza desarmante. O que mais me inspira nela é essa lucidez sem pose, essa capacidade de encontrar grandeza no quotidiano e de transformar experiências aparentemente pequenas em pensamento duradouro. Há uma sabedoria limpa e serena na sua escrita que me comove sempre.
Estes são ensaios autobiográficos, embora nunca se fechem no mero relato pessoal. Em Ginzburg, a memória individual torna-se uma forma de pensar o século, a perda, a educação moral e a sobrevivência. Durante o governo de Mussolini, viveu retirada no campo, com o marido, num quotidiano atravessado pela precariedade, pela vigilância e pela sombra da guerra, experiência que atravessa a sua escrita com uma sobriedade quase ascética. Num texto como “Ele e Eu”, por exemplo, a autora parte da vida conjugal, das diferenças de temperamento, dos hábitos, das pequenas irritações e ternuras entre duas pessoas, para construir uma reflexão de extraordinária finura sobre o amor e a convivência. O que poderia parecer apenas doméstico ou menor torna-se, nas suas mãos, matéria literária de densidade. COMPRO NA WOOK! » No fundo, estas escritoras inspiram-me porque cada uma, à sua maneira, recusa o lugar que lhe foi previamente atribuído. Alba de Céspedes fala da condição feminina com profundidade e subtileza, Virginie Despentes escreve com a raiva de quem não aceita ser domesticada, Camila Sosa Villada devolve beleza e dignidade a vidas que o mundo insiste em desumanizar; Natalia Ginzburg mostra-nos que a delicadeza também pode ser radical. Ler estas mulheres é, para mim, uma forma de regressar àquilo que a literatura tem de mais poderoso, a possibilidade de ver melhor e de sair diferente de uma leitura.

As Pequenas Virtudes

de Natalia Ginzburg

Propriedade Descrição
ISBN: 9789897831492
Editor: Relógio D'Água
Data de Lançamento: junho de 2021
Idioma: Português
Dimensões: 154 x 236 x 11 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 152
Tipo de produto: Livro
Coleção: Antropos
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Memórias e Testemunhos
Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789897831492

Fabuloso

Catarina Ferreira

Uma série de reflexões da autora, belissimamente escritas que são, por si, pequenas lições para a nossa própria vida. Uma delícia de livro. Recomendo vivamente esta leitura

O melhor livro publicado em 2021

Nuno A

"As pequenas virtudes" foi, na minha opinião, o melhor livro publicado no ano passado. Mérito da Relógio d'Água por o ter trazido para as nossas estantes. Conhecia a ficção da Natalia Ginzburg (Léxico Familiar é uma obra prima), mas não conhecia os seus ensaios. Trata-se de um conjunto de 11 ensaios escritos entre 1944 e 1962 e a sua leitura deve ser considerada prioritária!

Pequenos grandes nadas

João R. Marques

Um livro que aborda, com sensibilidade e simplicidade, as pequenas virtudes que, raramente, são exaltadas. Uma reflexão sociológica, antropológica e psicológica.

SOBRE O AUTOR

Natalia Ginzburg

Natalia Levi, que viria a adotar o apelido Ginzburg do seu primeiro marido, nasceu em Palermo a 14 de julho de 1916.
Passou grande parte da vida em Turim, para onde o pai, professor universitário de Anatomia, foi transferido em 1919. Tanto ele como os irmãos de origem judaica foram presos e acusados devido às suas ideias antifascistas.
Apesar de a sua mãe ser católica, Natalia teve, como toda a família, uma educação laica. Estudou no liceu Alfieri e publicou o seu primeiro livro de contos, I bambini, aos dezassete anos. Cinco anos mais tarde casou com Leone Ginzburg, professor de Literatura Russa. O casal manteve relações de amizade com Cesare Pavese e Carlo Levi, entre outros escritores.
Em 1940, exilaram-se em Pizzoli. Sob o pseudónimo Alessandra Tornimparte, Natalia publicou, em 1942, O Caminho da Cidade, que seria reeditado em 1945 já com autoria assumida.
O marido foi detido e torturado até à morte na Prisão de Regina Coeli em 1944. Nesse mesmo ano, Natalia Ginzburg deslocou-se para Roma, entretanto libertada, e começou a trabalhar na editora Einaudi, aí publicando os seus livros.
Em 1947, surgiu o seu segundo romance, Foi assim, que obteve ex aequo o prémio Due Cicogne — Il Tempo di Milano.
Em 1950, casa com Gabriele Baldini, especialista em Literatura Inglesa, de quem terá dois filhos.
Em 1961, publica As Palavras da Noite, que será adaptado ao cinema. Dois anos depois, sai Léxico Familiar, uma novela autobiográfica. Interpreta o papel de Maria de Betânia em Evangelho segundo São Mateus, de Pier Paolo Pasolini.
A partir do final da década de sessenta, publica vários livros, todos eles abordando relações familiares. Natalia Ginzburg foi também autora de várias comédias teatrais e tradutora de Proust, Flaubert e Maupassant.
Foi eleita para o parlamento italiano em 1983.
Morreu a 7 de outubro de 1991.

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