Aniquilação

de Imre Kertész
Editor: Verbo, Janeiro de 2006 ‧
Em "Aniquilação", Imre Kertész (Nobel da Literatura 2002) continua a escrever sobre Auschwitz (começara em "Sem Destino"). Um livro sobre a experiência-limite, o mal, a sobrevivência, a culpabilidade. Um livro sobre a memória e a incompreensão. Keserü, editor, 40 e poucos anos, salvara o manuscrito de uma peça teatral do seu amigo B., sobrevivente de Auschwitz, que se suicidou pouco depois do fim do comunismo na Hungria. Keserü pensa que B. terá também escrito um romance e procura esse manuscrito, encontrando-se com a antiga mulher de B., e a sua última amante, Sara. Mas será que a memória de Keserü não é traiçoeira? Ou fora "reeducada"? "O homem completamente reeducado, ou, por outras palavras, o sobrevivente[...] não é trágico, mas cómico, porque não tem destino".

"Este romance, traduzido do húngaro por Ernesto Rodrigues, não tem daqueles truques que os bons autores usam para agarrar o leitor distraído. Pelo contrário, há estranhas repetições, como se o autor procurasse a frase certa e tentasse vários modelos, antes de a encontrar. Kertész é um dos grandes escritores vivos, mas o seu trabalho escolhe a difícil via da ausência de ornamentos. O que faz sentido: o inferno não tem beleza. Como seria possível ornamentar estes abismos?"
Luís Naves, Diário de Notícias, 17.12.03

Aniquilação

de Imre Kertész

Propriedade Descrição
ISBN: 9789725684931
Editor: Verbo
Data de Lançamento: Janeiro de 2006
Idioma: Português
Dimensões: 158 x 232 x 6 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 90
Tipo de produto: Livro
Coleção: Clássicos da Literatura Contemporânea
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789725684931
Idade Mínima Recomendada: Não aplicável

Como sobreviver ao mal?

SMC

Em Aniquilação Kertesz constrói uma narrativa que nem é fácil nem fluída, daí resultando a sua voz distinta. Na realidade, como podia este ser um livro igual a tantos quando na sua leveza física, em menos de 100 páginas, se carrega o pesado fardo do mal?

Uma preciosidade

Fábio Lavos Martins

Centrado em todas as perspectivas envolventes à vida de um autor sobrevivente do holocausto, "Aniquilação" não é um livro dentro de um livro, são as vísceras de um autor Laureado ( Kretész foi Nobel em 2002, Aniquilação editado no ano seguinte) entregues para reflexão, aos olhos de todos nós. O caracter caleidoscópico de toda a construção não serve nenhum propósito estilístico, nem nenhuma tentativa de insuflar o conteúdo do livro - pelo contrário, acrescenta-lhe a honestidade de quem sente que há ciclos difíceis de interromper. Kretész, é, ele próprio, sobrevivente de Aushcwitz, e escreve uma fábula sobre um escritor ( B), sobrevivente de Auschwitz, que se suicida face ao absurdo e à incompreensão da sua vida, deixando como obra mal acabada, uma peça que decalca o diálogo imediato dos seus próximos, após o seu suicídio. B de Bernardh? de Beckett? de kretesz? Sem contemplações nem paternalismos, um pequeno livro com potencial para mudar a forma de olhar ( e pensar) os dias

SOBRE O AUTOR

Imre Kertész

PRÉMIO NOBEL DA LITERATURA 2002

Nascido em 1929, em Budapeste, numa família judia, Imre Kertész foi prisioneiro em Auschwitz em 1944 e, mais tarde, em Buchenwald e Zeitz, tendo sido libertado em 1945. Depois do final da Segunda Guerra Mundial, foi repatriado, e a breve carreira de jornalista em que se lançou terminaria rapidamente. Sem Destino, o seu primeiro romance, tomar-lhe-ia uma década de escrita, iniciada em 1961, e o livro só veria a luz do dia em 1975. Nessa época, dedica-se também à tradução de autores como Nietzsche, Freud e Wittgenstein. Já emigrado em Berlim, na Alemanha, continuou a escrever, a publicar e a traduzir. É já nos anos 1990 que a sua obra começa a ganhar expressão mundial e a receber prémios e distinções, culminando na atribuição do Prémio Nobel da Literatura, em 2002. O autor morreria em 2016, na sua cidade natal, Budapeste.

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