A Vida das Formas, seguido de Elogio da Mão

de Henri Focillon

editor: Edições 70
Este continua a ser o livro mais acessível e divulgado de Focillon. Nele o autor expõe em pormenor o seu método e a sua doutrina. Ao definir o carácter essencial da obra de arte como uma forma, Focillon procura sobretudo explicitar o carácter original e independente da representação artística recusando a interferência de condições exteriores ao acto criativo. Afastando-se simultaneamente do determinismo sociológico, do historicismo e da iconologia, procura demonstrar que a arte constitui um mundo coerente, estável e activo, animado por um movimento interno próprio, no fundo do qual a história política ou social apenas serve de quadro de referência.

Para Focillon a arte é sempre o ponto de partida ou o ponto de chegada de experiências estéticas ligadas entre si, formando uma espécie de genealogias formais complexas que ele designa por metamorfoses. São estas metamorfoses que dão à obra de arte o seu carácter único e a fazem participar da evolução universal das formas.

A Vida das Formas, seguido de Elogio da Mão

de Henri Focillon

ISBN: 9789724418940
Editor: Edições 70
Idioma: Português
Dimensões: 135 x 209 x 6 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 125
Tipo de produto: Livro
Coleção: Arte & Comunicação
Classificação temática: Livros em Português > Arte > Artes em Geral
EAN: 9789724418940
Henri Focillon

Henri Focillon nasceu em Paris no ano de 1881. Durante a sua adolescência contatou e conviveu diretamente com artistas como Eduard Vuillard e Auguste Rodin e com vários teóricos de arte, entre eles Gustave Geffroy, um dos primeiros documentadores do impressionismo. As suas incursões no universo da teoria da arte começou aos 19 anos, depois de concluir o ensino secundário, quando ajudou o mestre Geffroy a escrever o primeiro volume do livro Les Musées d'Europe (Os Museus da Europa). Mais tarde, entre 1901 e 1905, estudou Filologia na École Normale Supérieure, ainda hoje, uma das mais prestigiadas universidades francesas. Após uma breve incursão no ensino secundário é convidado, em 1913, a lecionar na Universidade de Lyon. Simultaneamente, assume o cargo de diretor do Musée des Beaux-Arts, da mesma cidade. Durante este período, Focillon publicou vários artigos e estudos de história da arte que variaram desde a arte budista até Benvenuto Cellini.

Em 1924, o historiador concluiu a sua dissertação de mestrado, que teve como tema Giovanni Battista Piranesi , submetida à Universidade de Paris e nesse mesmo ano sucedeu a Émile Mâle como responsável da cadeira de Arqueologia Medieval na prestigiada Sorbonne . Manteve-se interessado em vários períodos artísticos, mas o seu ensino passou a ser focado no período medieval. Esses anos na capital parisiense foram os mais produtivos da sua vida. Inspirou uma nova geração de medievalistas ao escrever várias monografias sobre o período medieval. Entre elas, destaca-se L'art des romans sculpteurs de 1931, e La Civilisation Occidentale au Moyen Âge, publicada numa coletânea de vários ensaios em 1933. Também neste ano começa a lecionar cursos regulares de seis semanas na Universidade de Yale (E.U.A.). No ano seguinte, muito baseado nos seus escritos sobre arte medieval, publica o livro La vie des formes (A Vida das Formas). Em 1938, o seu ensaio sobre a civilização ocidental na Idade Média reapareceu, revisto, e desta vez publicado isoladamente, com o nome Art d'Occident, le Moyen Âge, Roman et Gothique (A Arte do Ocidente – A idade Média, Românico e o Gótico). Ainda nesse ano, aceitou lecionar a cadeira de estética no Collège de France, mas com a condição de manter a sua colaboração com a Universidade de Yale.

Focillon estava nos Estados Unidos quando a Segunda Guerra Mundial rebentou na Europa, em 1939 e aí testemunhou a ocupação da França pelos nazis, em 1940. Nesse ano, foi o primeiro aluno sénior em Harvard's Dumbarton Oaks em Washington. Morreu em 1943, nos Estados Unidos, no mesmo ano em que foi publicado o seu ensaio Moyen âge, Survivances et Reveils. Entre os alunos de Focillon, estiveram os historiadores de arte mais ilustres da geração seguinte. Na Sorbonne, inspirou, entre outros, André Chastel , Françoise Henry, Philippe Verdier e Louis Grodecki. Dos seus discípulos, em Yale, destacam-se Sumner McKnight Crosby, Charles Seymour, e George Kubler. Era muito conhecido pela força das suas palestras e foi numa delas que convenceu James Ackerman a tornar-se historiador de arquitetura; Robert Branner também foi um fervoroso seguidor do seu trabalho. A entrega retórica e o discurso eloquente e quase literário de Focillon (lecionou exclusivamente em francês) tornaram-se lendários em Yale.

Focillon foi o primeiro grande historiador de arte francês a incorporar o método de ensino da história da arte baseado na tradição germânica. A sua metodologia - denominada método formalista - empregou um desenvolvimento cíclico das formas baseado na teoria da forma de Heinrich Wölfflin e Adolf von Hildebrand, uma abordagem que não tem como regra a cronologia do tempo. O teórico francês tentou estabelecer princípios formalistas de interpretação com base no que ele chamou de "visualidade pura". O caráter objetivo que defende é a antítese da objetividade analítica que dominava a escrita de arte moderna e histórica da época. Ao contrário de Émile Mâle, Focillon, enfatizou a importância da forma sobre a iconografia ou o simbolismo. Esta visão de Focillon foi vigorosamente criticada por Meyer no artigo Schapiro Bulletin da revista Art in Moissac.
Focillon ficou conhecido por questionar muitas das bases do estilo românico, e alertou que muita arte românica, apesar de datada deste período, não poderia ser denominada como tal. Ele reforçou a arquitetura como o impulso primário artístico da Idade Média, um dado consensual entre os historiadores da arte francesa do seu tempo. O ano 1000 foi, segundo ele, o início deste período de construção, testemunhado no livro com o mesmo assunto e título.

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