A Língua Posta a Salvo

de Elias Canetti
Editor: Campo das Letras, setembro de 2008 ‧
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Elias Canetti - Prémio Nobel da Literatura 1981

"A Língua Posta a Salvo" é a primeira parte de uma trilogia autobiográfica, publicada entre 1977 e 1985, que conta a vida de um jovem, o filho mais velho de uma família abastada de judeus sefarditas. Desde a infância na Bulgária até às estadias com a família em Inglaterra e na Suíça, o livro oferece uma análise detalhada das primeiras décadas do século XX. Os incidentes mais sensíveis do quotidiano têm como pano de fundo acontecimentos mundiais, nomeadamente a Primeira Guerra Mundial, bem como as reflexões do autor sobre as consequências daqueles acontecimentos na vida do indivíduo.

« E é essencialmente acerca disso que Canetti discorre neste volume: da importância de uma língua, da sua aprendizagem, do papel fundador das línguas na estruturação das personalidades e no adquirir de uma consciência individual, de como a aprendizagem se uma língua pode ser o único caminho para outros universos vivenciais.»
José Riço Direitinho, Público

«A minha lembrança mais antiga está pincelada de vermelho. Saio por uma porta ao colo de uma rapariga, o chão diante de mim é vermelho, e à esquerda há uma escada para baixo, que é vermelha também. Do lado oposto a nós, à mesma altura, abre-se uma porta e avança para fora um homem sorridente que se dirige para mim. Avança mesmo até junto de mim, detém-se e diz-me: "Mostra a língua!". Eu deito a língua de fora, ele vai ao bolso, tira um canivete, abre-o e põe-me a lâmina mesmo juntinho da língua. Diz ele: "Agora vamos cortar-lhe a língua". Eu não tenho co¬ragem de meter a língua para dentro, ele aproxima-se cada vez mais, está quase a tocar nela com a lâmina. No último momento retira a lâmina, diz: "Hoje ainda não, amanhã". Fecha novamente o canivete e mete-o no bolso.
Todas as manhãs saímos da porta para o corredor vermelho, a porta abre-se e aparece o homem sorridente. Já sei o que vai dizer e fico à espera da ordem dele para mostrar a língua. Sei que ma vai cortar e de cada vez tenho mais medo. Começa assim o dia e isto acontece muitas vezes.»

A Língua Posta a Salvo

de Elias Canetti

Propriedade Descrição
ISBN: 9789896253257
Editor: Campo das Letras
Data de Lançamento: setembro de 2008
Idioma: Português
Dimensões: 148 x 234 x 36 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 316
Tipo de produto: Livro
Coleção: Campo da Literatura
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Memórias e Testemunhos
Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789896253257

SOBRE O AUTOR

Elias Canetti

PRÉMIO NOBEL DA LITERATURA 1981

Escritor de nacionalidade inglesa, Elias Canetti nasceu a 25 de julho de 1905 em Ruse [Rustschuk], uma pequena cidade portuária búlgara situada nas margens do Danúbio. Oriundo de uma família judaica sefardita abastada, teve um percurso linguístico pouco usual. Começou por aprender ladino, um dialeto espanhol arcaico falado pelos sefarditas, logo búlgaro, inglês e, mais tarde, o alemão, idioma que adotou para as suas criações literárias.
Quando contava apenas seis anos de idade, acompanhou a família na sua mudança para a cidade de Manchester, em Inglaterra, mas a morte do pai fez com que a sua mãe partisse para Viena de Áustria, onde Canetti pôde aprender alemão.
A partir de 1916 e até 1921 estudou em Zurique, começando a escrever por esta altura. De visita a Berlim em 1928, frequentou os círculos literários judaicos, chegando a conhecer nomes como Bertold Brecht e Isaak Babel. Em 1929 doutorou-se em Química pela Universidade de Viena, não deixando no entanto de escrever.
Em 1932 apareceu Die Hochzeit, uma comédia de costumes, a que se seguiu Die Blendung (1935), romance alegórico que conta a história de um filólogo que conhece a fundo a língua chinesa, mas que é incapaz de entender as pessoas que o rodeiam. Este último foi interdito pelas autoridades alemãs.
Em 1938 refugiou-se em Paris, na tentativa de escapar às perseguições movidas pelos Nacional-Socialistas, mas com a deflagração da Segunda Guerra Mundial procurou abrigo em Inglaterra, onde permaneceu grande parte da sua vida.
Em 1950 publicou Komödie Der Eitelkeit (Comédia da Vaidade), uma das peças de teatro pioneiras no género do absurdo, e dez anos depois foi a vez de Masse Und Macht (1960, As Massas e o Poder), obra dedicada ao estudo da psicologia das multidões e que denegria a imagem do povo alemão. Após o aparecimento de várias obras de sucesso, entre as quais Die Stimmen Von Marrakesch (1968), Canetti publicou Der Andere Prozess: Kafkas Briefe Am Felice (1969), obra que reconhecia Kafka como um escritor poderoso.
Vencedor de inúmeros prémios e honrado com vários títulos honoríficos, Canetti foi galardoado com o Prémio Nobel da Literatura em 1981. Faleceu em Zurique a 13 de agosto de 1994.

Elias Canetti. In Infopédia. Porto: Porto Editora, 2003-2011.

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