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Auto-de-Fé

de Elias Canetti
Editor: Cavalo de Ferro, julho de 2023 ‧
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Primeiro e único romance de Elias Canetti, Auto-de-Fé é uma obra magistral e um dos livros fundamentais da história da Literatura.

Escrito no final do primeiro vinténio do século XX, retrato de uma sociedade em desintegração, Auto-de-Fé é o primeiro e único romance de Elias Canetti. Obra magistral, verdadeira Comédia Humana da loucura, catapultou este escritor de génio forte e individual para a categoria dos principais autores europeus, ao lado de Robert Musil, Hermann Broch e Karl Kraus.

Misantropo, solitário, excêntrico, Peter Kien, erudito especialista em sinologia, é o proprietário da maior biblioteca da cidade, que ocupa todo o espaço do seu apartamento. É aqui que este ser extremo, inteiramente composto de livros, se refugia, evitando todo e qualquer contacto com o mundo. O ponto de viragem da sua vida é o casamento com Teresa, a sua governanta, ignorante e ávida. Expulso da sua própria casa, Kien será então obrigado a travar conhecimento com inúmeras personagens do mundo exterior, que o acompanharão neste longo exílio.

«O tom de comédia desprovido de remorsos ajuda a construir um dos mundos mais envolventes do século XX.»
Salman Rushdie

«Obra-prima de ficção narrativa de um enorme e inclassificável escritor de língua alemã.»
António Guerreiro, Público

«Intenso, provocador, brilhante... Canetti abarca toda a história humana.»
Time

Auto-de-Fé

de Elias Canetti

Propriedade Descrição
ISBN: 9789897871061
Editor: Cavalo de Ferro
Data de Lançamento: julho de 2023
Idioma: Português
Dimensões: 149 x 222 x 38 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 560
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Outras Formas Literárias
EAN: 9789897871061

Salto de fé

Gonçalo Gomes

A história de um académico que, incapaz de lidar com o mundo real, se perde no seu trabalho, ao mesmo tempo que é ultrapassado por traços pouco agradáveis do que pode ser entendido como a condição humana. Uma obra com traços quase existencialistas, reflexo do seu tempo de publicação, à beira de um dos maiores desastres da Humanidade...

O que é a erudição?

Rui

Um livro que nos deixa a pensar muito para lá do momento em que o terminamos de ler. É daqueles (bons) livros que exige do leitor a sua atenção e o seu espírito crítico, incluindo aquele desconforto que se sente quando não sabe se se entendeu em plenitude um determinado momento-chave (o “auto-de-fé” que dá título ao livro), por ser um momento tão forte, inesperado e chocante, e cuja compreensão mora em morada tão indefinida como a própria objetividade do ato. Através das abundantes páginas que constituem este tomo – é um livro que requer bastante fôlego – assistimos, talvez com muita incredulidade mas não menos deleite, ao aparecimento de personagens marcantes, com personalidades exuberantes e até grotescas, conduzindo-nos por caminhos tortuosos e mostrando-nos o absurdo de algumas dicotomias como: erudição/analfabetismo, ciência/arte, avareza/desapego, misantropia/filantropia, entre muitas outras. Não sendo o livro que mais prazer me deu ler (especialmente em alguns momentos), é certamente um livro que não vou esquecer, por ser um livro que faz aquilo que qualquer bom livro deve fazer: pôr o leitor a pensar e a questionar os seus valores.

SOBRE O AUTOR

Elias Canetti

PRÉMIO NOBEL DA LITERATURA 1981

Escritor de nacionalidade inglesa, Elias Canetti nasceu a 25 de julho de 1905 em Ruse [Rustschuk], uma pequena cidade portuária búlgara situada nas margens do Danúbio. Oriundo de uma família judaica sefardita abastada, teve um percurso linguístico pouco usual. Começou por aprender ladino, um dialeto espanhol arcaico falado pelos sefarditas, logo búlgaro, inglês e, mais tarde, o alemão, idioma que adotou para as suas criações literárias.
Quando contava apenas seis anos de idade, acompanhou a família na sua mudança para a cidade de Manchester, em Inglaterra, mas a morte do pai fez com que a sua mãe partisse para Viena de Áustria, onde Canetti pôde aprender alemão.
A partir de 1916 e até 1921 estudou em Zurique, começando a escrever por esta altura. De visita a Berlim em 1928, frequentou os círculos literários judaicos, chegando a conhecer nomes como Bertold Brecht e Isaak Babel. Em 1929 doutorou-se em Química pela Universidade de Viena, não deixando no entanto de escrever.
Em 1932 apareceu Die Hochzeit, uma comédia de costumes, a que se seguiu Die Blendung (1935), romance alegórico que conta a história de um filólogo que conhece a fundo a língua chinesa, mas que é incapaz de entender as pessoas que o rodeiam. Este último foi interdito pelas autoridades alemãs.
Em 1938 refugiou-se em Paris, na tentativa de escapar às perseguições movidas pelos Nacional-Socialistas, mas com a deflagração da Segunda Guerra Mundial procurou abrigo em Inglaterra, onde permaneceu grande parte da sua vida.
Em 1950 publicou Komödie Der Eitelkeit (Comédia da Vaidade), uma das peças de teatro pioneiras no género do absurdo, e dez anos depois foi a vez de Masse Und Macht (1960, As Massas e o Poder), obra dedicada ao estudo da psicologia das multidões e que denegria a imagem do povo alemão. Após o aparecimento de várias obras de sucesso, entre as quais Die Stimmen Von Marrakesch (1968), Canetti publicou Der Andere Prozess: Kafkas Briefe Am Felice (1969), obra que reconhecia Kafka como um escritor poderoso.
Vencedor de inúmeros prémios e honrado com vários títulos honoríficos, Canetti foi galardoado com o Prémio Nobel da Literatura em 1981. Faleceu em Zurique a 13 de agosto de 1994.

Elias Canetti. In Infopédia. Porto: Porto Editora, 2003-2011.

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