A Hora do Diabo

de Fernando Pessoa

editor: Assírio & Alvim, setembro de 2004
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Depois do baile de Carnaval, numa rua cheia de luar, o Diabo fala com Maria, para quem este é apenas um rapaz mascarado de Mefistófeles.
Autodenominando-se "Deus da Imaginação", a quem Maria deve os seus pensamentos com o Príncipe Encantado, bem como os seus sonhos com o Homem Perfeito ou o amante interminável, o Diabo descreve-lhe as suas melhores criações, o luar e a ironia, explicando-lhe como os crentes temem o seu nome e as igrejas o abominam. Mas, em vez de impressionar Maria, esta demonstra-lhe a imensa pena que por si sente, e observa a expressão de angústia que perpassa pelo rosto e olhos do homem vermelho, ao deixar de súbito cair o braço que enlaçava o dela.
Refere Teresa Rita Lopes, no posfácio a esta obra, que A Hora do Diabo, juntamente com Fausto, o poema dramático que Pessoa foi escrevendo ao longo da vida, é um dos mais longínquos projectos do jovem Pessoa, correspondendo este texto, não a uma curiosidade literária, mas a um tema que o poeta sempre desejou desenvolver.

A Hora do Diabo

de Fernando Pessoa

Propriedade Descrição
ISBN: 978-972-37-0435-8
Editor: Assírio & Alvim
Data de Lançamento: setembro de 2004
Idioma: Português
Dimensões: 146 x 210 x 7 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 72
Tipo de produto: Livro
Coleção: Obras de Fernando Pessoa
Classificação temática: Livros em Português > Literatura > Poesia
EAN: 9789723704358
Idade Mínima Recomendada: Não aplicável
e e e e e

Fantástico

Adelaide Oliveira

Fiquei desapontada quando recebi o livro, por ser tão pequeno. Fernando Pessoa não se mede em quantidade, a qualidade da sua escrita e o peso das suas ideias fica connosco após o livro terminar. Deixou-me num vazio de leitura, o que também pode ser uma sensação boa.

e e e e e

Mais uma faceta de Pessoa

John

Para quem tiver curiosidade de descobrir mais um pouco da riquíssima obra de Pessoa. Aqui fica uma interessante narração sobre um suposto encontro entre Maria, como representação da mulher, e o diabo.

e e e e E

As profundezas de um espírito inquieto

João Archer

F.P é uma das mais intrigantes e fascinantes personagens da literatura do sec XX. Esta obra, que não é de todo conhecida, é só mais uma pequenina prova do génio que iluminava este indivíduo. Trata-se de uma conversa muito particular entre uma mulher grávida e o suposto diabo.

e e e e e

Fernando Pessoa no seu "Eu"

MFM

obra sempre atual (visionamento do presente e novo futuro...) dá que repensar e abanar os sentimentos

Fernando Pessoa

Um dos maiores génios poéticos de toda a nossa literatura, conhecido mundialmente. A sua poesia acabou por ser decisiva na evolução de toda a produção poética portuguesa do século xx. Se nele é ainda notória a herança simbolista, Pessoa foi mais longe, não só quanto à criação (e invenção) de novas tentativas artísticas e literárias, mas também no que respeita ao esforço de teorização e de crítica literária. É um poeta universal, na medida em que nos foi dando, mesmo com contradições, uma visão simultaneamente múltipla e unitária da vida. É precisamente nesta tentativa de olhar o mundo duma forma múltipla (com um forte substrato de filosofia racionalista e mesmo de influência oriental) que reside uma explicação plausível para ter criado os célebres heterónimos – Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis, sem contarmos ainda com o semi-heterónimo Bernardo Soares.
Fernando Pessoa nasceu em Lisboa em 1888 (onde virá a falecer) e aos 7 anos partiu para a África do Sul com a sua mãe e o padrasto, que foi cônsul em Durban. Aqui fez os estudos secundários, obtendo resultados brilhantes. Em fins de 1903 faz o exame de admissão à Universidade do Cabo. Com esta idade (15 anos) é já surpreendente a variedade das suas leituras literárias e filosóficas. Em 1905 regressa definitivamente a Portugal; no ano seguinte matricula-se, em Lisboa, no Curso Superior de Letras, mas abandona-o em 1907. Decide depois trabalhar como «correspondente estrangeiro». Em 1912 estreia-se na revista A Águia com artigos de natureza ensaística. 1914 é o ano da criação dos três conhecidos heterónimos e em 1915 lança, com Mário de Sá-Carneiro, José de Almada Negreiros e outros, a revista Orpheu, que dá origem ao Modernismo. Entre a fundação de algumas revistas, a colaboração poética noutras, a publicação de alguns opúsculos e o discreto convívio com amigos, divide-se a vida pública e literária deste poeta.
Pessoa marcou profundamente o movimento modernista português, quer pela produção teórica em torno do sensacionismo, quer pelo arrojo vanguardista de algumas das suas poesias, quer ainda pela animação que imprimiu à revista Orpheu (1915). No entanto, quase toda a sua vida decorreu no anonimato. Quando morreu, em 1935, publicara apenas um livro em português, Mensagem (no qual exprime poeticamente a sua visão mítica e nacionalista de Portugal), e deixou a sua famosa arca recheada de milhares de textos inéditos.

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