Totalitarismo, fake news e holocausto
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@Literacidades
As novelas gráficas estão a ganhar cada vez mais público, por conseguirem abordar temas fortes com profundidade, captando assim a atenção de leitores adultos.
Neste artigo trazemos-lhe três, com traços bastante diferentes entre si, mas que têm em comum o facto de abordarem temas que não deixarão ninguém indiferente: o totalitarismo, as fake news e o holocausto.
Neste artigo trazemos-lhe três, com traços bastante diferentes entre si, mas que têm em comum o facto de abordarem temas que não deixarão ninguém indiferente: o totalitarismo, as fake news e o holocausto.
O CASTELO DOS ANIMAIS
O Castelo dos Animais é um lugar abandonado pelos humanos que se transformou numa república gerida por animais. Diz a lei do mais forte que os fracos são sempre devorados e os primeiros prevalecem. Sílvio, o touro, o animal mais forte do castelo, tornou-se assim num tirano que mantém a ordem, com a ajuda do seu subordinado grupo de cães. Os restantes animais, sobretudo Miss Bengalore, uma gata com dois gatinhos para cuidar, veem-se obrigados a arcar com os trabalhos pesados e o resultado desse esforço não é recompensado de forma justa. A semente para que surja uma revolta está plantada, ainda que de forma tímida, brotando no dia em que surge um animal do tamanho da pata do touro.
Xavier Dorison, com esta novela gráfica, homenageia todos aqueles que, em conflito, estavam dispostos a morrer para alcançar a liberdade e a justiça, e não a matar. Usa como base a Quinta dos Animais, de George Orwell, já que, segundo ele, este último “viu bem (…) Mas não viu tudo”.
Será possível conseguir a vitória sem apelo ao ódio, à raiva ou à vingança, e sem armas? Nos dois volumes desta série até agora publicados (Miss Bengalore e As Margaridas do Inverno), Dorison consegue fazê-lo com mestria, transmitindo uma aura orwelliana à história, mas com uma nuance diferente. Todas as vitórias são iguais, mas algumas são mais iguais que outras?
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Xavier Dorison, com esta novela gráfica, homenageia todos aqueles que, em conflito, estavam dispostos a morrer para alcançar a liberdade e a justiça, e não a matar. Usa como base a Quinta dos Animais, de George Orwell, já que, segundo ele, este último “viu bem (…) Mas não viu tudo”.
Será possível conseguir a vitória sem apelo ao ódio, à raiva ou à vingança, e sem armas? Nos dois volumes desta série até agora publicados (Miss Bengalore e As Margaridas do Inverno), Dorison consegue fazê-lo com mestria, transmitindo uma aura orwelliana à história, mas com uma nuance diferente. Todas as vitórias são iguais, mas algumas são mais iguais que outras?
SABRINA
Sabrina é uma história em que o que não acontece é o que mais importa. Este livro retrata algo muito atual: as fake news e as consequências que daí advêm. Aborda o lado podre e triste da sociedade, tendo como mote principal a morte de Sabrina. Na verdade, pouco importa saber quem é esta mulher. As personagens são meros peões para demonstrar como os media e as redes sociais podem influenciar de forma agreste todo um caso policial em investigação e, de certa forma, dominar a opinião pública. O traço da obra é bastante simples: personagens sem muitas expressões faciais e cores sóbrias, o que de certa forma condiz com o estado de espírito de transe em que algumas delas vivem.
Não é uma narrativa que diverte, mas é antes uma história que nos obriga a refletir, tendo em conta o panorama atual em que vivemos. Um livro que exige discussão, não fosse esta a primeira novela gráfica na lista de um dos mais importantes prémios literários, o Booker Prize.
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Não é uma narrativa que diverte, mas é antes uma história que nos obriga a refletir, tendo em conta o panorama atual em que vivemos. Um livro que exige discussão, não fosse esta a primeira novela gráfica na lista de um dos mais importantes prémios literários, o Booker Prize.
MAUS
Maus, de Art Spiegelman, vencedor do Prémio Pulitzer em 1992, pode ser a obra desta lista mais difícil de digerir, pois tudo é narrado com base em factos que todos conhecemos: o horror do Holocausto. Através de uma arte escura e com recurso a uma fábula, os judeus são retratados como ratos e os nazis como gatos. Aqui, conhecemos a história do pai do autor, Vladek Spiegelman, um judeu polaco que sobreviveu a Auschwitz.
É certamente uma leitura que nos inquieta, onde empatizamos de uma forma quase visceral com as vítimas, já que somos constantemente bofeteados com as reais consequências desta atrocidade, sobretudo na forma de um sobrevivente cujas marcas persistem após o fim desse horror.
Maus é uma novela gráfica cujo impacto se sente presente em quem a lê e em quem a vê. Não obstante conhecermos já o desenrolar dos acontecimentos da II Guerra Mundial e estarmos familiarizados, noutras obras literárias, no cinema e no relato histórico, com o terror imposto pelos Nazis, a forma como lidamos com essa informação é em nós sempre nova, encontrando espaço ainda livre para o choque e o horror. Esta é uma obra de arte ímpar e uma forma de percebermos, ainda hoje, o perigo e o pavor desencadeados pelas ideologias extremistas.
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É certamente uma leitura que nos inquieta, onde empatizamos de uma forma quase visceral com as vítimas, já que somos constantemente bofeteados com as reais consequências desta atrocidade, sobretudo na forma de um sobrevivente cujas marcas persistem após o fim desse horror.
Maus é uma novela gráfica cujo impacto se sente presente em quem a lê e em quem a vê. Não obstante conhecermos já o desenrolar dos acontecimentos da II Guerra Mundial e estarmos familiarizados, noutras obras literárias, no cinema e no relato histórico, com o terror imposto pelos Nazis, a forma como lidamos com essa informação é em nós sempre nova, encontrando espaço ainda livre para o choque e o horror. Esta é uma obra de arte ímpar e uma forma de percebermos, ainda hoje, o perigo e o pavor desencadeados pelas ideologias extremistas.