O que ler depois de A Criada?
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5 de julho de 2024
É um livro sobre uma mulher que vê tudo pelo buraco da fechadura. Ninguém dá por ela, ela vê tudo. As pessoas invisíveis costumam ser as mais perigosas. Vamos lá ver mais perigo.
O segredo da criada
Bem, já agora, lê-se o livro seguinte. No início, tínhamos Millie, que todos os dias limpava a casa dos Winchester, lhes tratava da filha, lhes cozinhava as refeições. Vivia sozinha no sótão, era lá que comia e dormia depois de feitas as tarefas. Invisível naquela vida servil, ninguém perdia tempo a escrutinar-lhe o passado. Enfim, isto é um livro, por isso claro que a vida deu para o torto. No segundo volume, havia a esperança da redenção – de uma vida normal, enfim. Volvidos seis anos, Millie até achava que podia ter uma vida aborrecida – que vitória. E ali estava ela a trabalhar para outra família rica. Há sempre a ideia de que o dinheiro resolve os problemas, mas parece que quem o tem em quantidade acaba por arranjar na mesma maneira de estragar a vida. Agora, o novo patrão pedia-lhe que nunca entrasse no quarto de hóspedes, porque tinha lá a mulher muito doente. Sim, suspeito, também acho. Claro que ninguém quer fazer logo por perder o emprego, apesar do barulho do choro, da roupa com manchas de sangue, mas é evidente que, a dada altura, Millie lá teve mesmo de lhe bater à porta...
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A porta trancada
Continuamos com a mesma autora, que, pelos vistos, adora portas fechadas. Dão logo vontade de rodar a maçaneta. Aqui, a coisa fica assustadora. Não apenas porque envolve mortes, mas também porque mete crianças. E eis então Nora, com os seus 11 anos, a tratar da sua vida, dos seus trabalhos para a escola, das suas brincadeiras, sem fazer a mínima ideia de que, na cave, o pai ia matando mulher atrás de mulher. Em sua defesa, é daquelas coisas que não passam pela cabeça de ninguém. Ora, um dia tranquilo deixou de ser tranquilo, com a polícia a bater-lhes à porta e com o pai a ir direitinho para a cadeia. Passaram os anos, as décadas, o homem continuava preso e Nora seguiu a sua vida. À sua volta, ninguém fazia ideia de que era filha de um assassino em série. E como a vida tem a mania de não conseguir estar quieta, num belo dia lá apareceu um novo cadáver...
QUERO LER!
Psicopatas portugueses
Não há nada como um bom psicopata. A perversão alheia fascina e repugna no mesmo movimento. Prova disso é o sucesso da série Mentes Criminosas, para o qual muito contribuí como espectadora em série. Neste livro, Joana Amaral Dias conta as histórias de treze psicopatas portugueses, entrando-lhes na cabeça, atirando o horror a quem o lê. A análise é clínica, com a autora a tentar perceber se a ciência explica o que ia naquelas cabeças tresloucadas. Na de Luísa, por exemplo, que usou as mãos para asfixiar mais de trinta bebés. Na de um homem que assassinou e estripou três prostitutas em Lisboa. Na de um homem que matou, torturou e violou. Na de outro que tirou a vida à família toda. É tudo totalmente horrendo, e por isso merece ser lido, até para se perceber a que lugares macabros pode ir a ação humana. Ainda por cima, ao contrário dos livros anteriores, o horror engrandece-se por um facto muito simples: ser mesmo um facto, e não ficção.
QUERO LER AGORA!