Inês Torres de A a W
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22 de julho de 2022
«De A a W» é uma rubrica da Wook na qual desafiamos um convidado a percorrer as letras do abecedário dizendo para cada uma delas… o que bem entender. O resultado é sempre uma incógnita.
Desta vez a nossa convidada é a egiptóloga e escritora Inês Torres. Doutorada em Egiptologia pela Universidade de Harvard e mestre nesta área pela Universidade de Oxford, é investigadora na Universidade de Lisboa e autora de @umaegiptologaportuguesa, um projeto de divulgação do Antigo Egito no Instagram.
Acaba de lançar o seu primeiro livro, Como é que a Esfinge Perdeu o Nariz?, onde nos revela, num tom divertido, a resposta a esta e a outras perguntas que continuam a despertar-nos curiosidade sobre o fascinante Antigo Egito.
Nesta rubrica, conta-nos que adora a sua gata chamada Kali, que tem mais de mil livros em casa e que as histórias sobre detetives, como Poirot, são as suas preferidas. E muito mais…
Acaba de lançar o seu primeiro livro, Como é que a Esfinge Perdeu o Nariz?, onde nos revela, num tom divertido, a resposta a esta e a outras perguntas que continuam a despertar-nos curiosidade sobre o fascinante Antigo Egito.
Nesta rubrica, conta-nos que adora a sua gata chamada Kali, que tem mais de mil livros em casa e que as histórias sobre detetives, como Poirot, são as suas preferidas. E muito mais…
De A a W
Inês Torres
A – Autodidata, porque sempre gostei de aprender e investigar por mim mesma, especialmente no que toca a línguas e culturas. Quando quero fazer algo e não sei como, vou à procura!
B – Bordados. Adoro bordar, é um dos meus passatempos favoritos. Além de acalmar a mente, é uma enorme satisfação ver um projeto acabado feito por nós.
C – Criatividade, que considero muito importante na investigação académica e na vida em geral. Tenho uma imaginação muito fértil e gosto de alimentá-la de diversas formas, desde trabalhos manuais a livros, filmes e projetos de investigação!
D – Divulgação, uma parte essencial do meu trabalho enquanto investigadora. Considero que a divulgação do conhecimento é essencial para uma sociedade mais justa e democrática.
E – É Egito, claro!
F – Família (ou famelga, como gosto de lhe chamar), porque sou uma pessoa muito caseira que gosta de passar tempo em família. Sem a força e o apoio que a minha família me dá, não teria conseguido atingir os meus sonhos e objetivos.
G – Gata. A minha chama-se Kali, também conhecida como Catas. Adoro animais em geral, mas a minha gatinha é especial, claro. Adotei-a ainda em bebé e a mãe dela chamava-se Bastet, o que é bastante apropriado!
H – Hieróglifos, uma das formas de escrita utilizadas no Antigo Egito. Dei aulas de Introdução ao Egípcio Hieroglífico na Universidade de Harvard durante o meu doutoramento, pelo que a minha relação com esta escrita é, simultaneamente, a de aluna (porque estou sempre a aprender) e professora.
I – Investigação, que é parte essencial da minha profissão, mas, também, uma grande paixão. Nem sempre é fácil de conjugar estas duas coisas: dizem que quem corre por gosto não cansa, mas eu diria que nos cansamos à mesma... simplesmente a vontade de voltar a correr ajuda-nos a não desistir da maratona!
J – Jardim. Não tenho um, pois vivo num apartamento, mas adorava, um dia, poder ter o meu próprio quintalzinho. Por enquanto, vou enchendo a casa de plantas!
K – Ka, que era um dos elementos que formavam uma pessoa, na conceção egípcia de cada indivíduo, sendo essencial para a sua existência. O ka era uma espécie de força vital, ou duplo, que existia em cada pessoa e que era passado dos parentes para as suas crianças. Este conceito era igualmente importante nos costumes funerários egípcios, pois o ka da pessoa falecida precisava de receber oferendas para que esta continuasse a viver eternamente no Além.
L – Livros. Adoro ler, tenho mais de mil livros em casa. Mas os géneros literários que mais adoro são mistérios e histórias de detetives: nada me dá mais prazer.
M – Maat, um conceito extremamente importante para os antigos Egípcios. Maat é uma palavra difícil de traduzir, porque pode ter variadas traduções: justiça, verdade, bondade, paz, equilíbrio, ordem... Para além de ser um conceito, Maat era, também, uma deusa, que incorporava todas estas características. Era a função do monarca egípcio manter maat na Terra; mas cada indivíduo devia praticar maat durante a sua vida se queria renascer no Além. De acordo com os costumes funerários egípcios, quem rejeitava maat era condenado a uma segunda morte, sendo-lhe negada a vida eterna.
N – Natureza. Nada me traz mais paz e felicidade do que estar na Natureza, apesar de ser uma pessoa muito caseira. Às vezes penso que muitas sociedades modernas vivem quase à parte da Natureza, como se fosse algo separado da Humanidade; mas isto é erróneo, porque nós fazemos parte integral da Natureza e precisamos dela para continuar a viver. Preocupo-me muito com questões ambientais e com a proteção da Natureza, do ambiente, do nosso planeta e, nos últimos anos, tenho alterado o meu estilo de vida para que este seja mais sustentável e amigo do ambiente. Continuo a aprender e a lutar por isso.
O – Ouvir, uma qualidade tão importante e, muitas vezes, menosprezada. Ouvir é tão importante quanto falar, às vezes mais importante! E é essencial compreendermos que existem momentos para ouvir, outros para falar e outros para agir. Só ouvindo-nos uns aos outros poderemos viver melhor em comunidade, seja numa escala micro (em família) ou macro (enquanto sociedade).
P – Poirot. Adoro ler histórias de detetives, como já disse, e o Poirot foi o primeiro detetive que se cruzou no meu caminho. Comecei a ler os livros da Agatha Christie aos 12 anos e, recentemente, iniciei um projeto pessoal de reler todos os seus livros no centenário do ano em que foram publicados. Comecei em 2021, quando li o primeiro livro que Christie escreveu, em 1921. Se chegar até lá, terminarei este projeto de vida em 2076, cem anos após ter sido publicado o último livro de Christie, em 1976, data da sua morte.
Q – Questionar. É tão importante desenvolvermos um espírito crítico: gostaria que esta prática fosse ensinada nas escolas, desde cedo. Questionar o mundo que nos rodeia é muito importante, não só em contexto académico, mas na vida em geral. E, com o questionar do mundo, é importante não esquecermos de nos questionar a nós próprios, de questionar as nossas ações e o seu impacto: a autorreflexão é uma importante ferramenta de crescimento individual e coletivo e, também, de humildade.
R – Risota. Tenho um sentido de humor muito sarcástico e irónico (nem sempre compreendido por toda a gente, que às vezes me leva a sério quando estou a brincar). Adoro rir e fazer rir e, principalmente, adoro rir-me de mim mesma. Nunca me levei muito a sério e não tenciono mudar isso!
S – Saudade. Vivi no estrangeiro durante cerca de uma década, em Inglaterra e nos EUA. Saudade era o meu dia-a-dia: saudade da família, saudade dos(as) amigos(as), saudade da comida, saudade dos lanches, saudade dos jantares, saudade do sol e do bom tempo, enfim, saudade de tudo...
T – Tapete, nomeadamente tapete de yoga. Pratico yoga diariamente: é uma das minhas atividades físicas preferidas.
U – Universidade. Sinto-me em casa em universidades, no meio académico. Fui estudante universitária dos 18 aos 30: licenciatura, mestrado, doutoramento. Espero poder contribuir, ao longo da minha carreira, para que mais pessoas se possam sentir em casa na universidade e para que a universidade seja um local mais justo, mais democrático, mais acolhedor para toda a gente.
V – Vinho, porque um copinho cai bem de vez em quando!
W – Wok, um elemento essencial na minha cozinha.
B – Bordados. Adoro bordar, é um dos meus passatempos favoritos. Além de acalmar a mente, é uma enorme satisfação ver um projeto acabado feito por nós.
C – Criatividade, que considero muito importante na investigação académica e na vida em geral. Tenho uma imaginação muito fértil e gosto de alimentá-la de diversas formas, desde trabalhos manuais a livros, filmes e projetos de investigação!
D – Divulgação, uma parte essencial do meu trabalho enquanto investigadora. Considero que a divulgação do conhecimento é essencial para uma sociedade mais justa e democrática.
E – É Egito, claro!
F – Família (ou famelga, como gosto de lhe chamar), porque sou uma pessoa muito caseira que gosta de passar tempo em família. Sem a força e o apoio que a minha família me dá, não teria conseguido atingir os meus sonhos e objetivos.
G – Gata. A minha chama-se Kali, também conhecida como Catas. Adoro animais em geral, mas a minha gatinha é especial, claro. Adotei-a ainda em bebé e a mãe dela chamava-se Bastet, o que é bastante apropriado!
H – Hieróglifos, uma das formas de escrita utilizadas no Antigo Egito. Dei aulas de Introdução ao Egípcio Hieroglífico na Universidade de Harvard durante o meu doutoramento, pelo que a minha relação com esta escrita é, simultaneamente, a de aluna (porque estou sempre a aprender) e professora.
I – Investigação, que é parte essencial da minha profissão, mas, também, uma grande paixão. Nem sempre é fácil de conjugar estas duas coisas: dizem que quem corre por gosto não cansa, mas eu diria que nos cansamos à mesma... simplesmente a vontade de voltar a correr ajuda-nos a não desistir da maratona!
J – Jardim. Não tenho um, pois vivo num apartamento, mas adorava, um dia, poder ter o meu próprio quintalzinho. Por enquanto, vou enchendo a casa de plantas!
K – Ka, que era um dos elementos que formavam uma pessoa, na conceção egípcia de cada indivíduo, sendo essencial para a sua existência. O ka era uma espécie de força vital, ou duplo, que existia em cada pessoa e que era passado dos parentes para as suas crianças. Este conceito era igualmente importante nos costumes funerários egípcios, pois o ka da pessoa falecida precisava de receber oferendas para que esta continuasse a viver eternamente no Além.
L – Livros. Adoro ler, tenho mais de mil livros em casa. Mas os géneros literários que mais adoro são mistérios e histórias de detetives: nada me dá mais prazer.
M – Maat, um conceito extremamente importante para os antigos Egípcios. Maat é uma palavra difícil de traduzir, porque pode ter variadas traduções: justiça, verdade, bondade, paz, equilíbrio, ordem... Para além de ser um conceito, Maat era, também, uma deusa, que incorporava todas estas características. Era a função do monarca egípcio manter maat na Terra; mas cada indivíduo devia praticar maat durante a sua vida se queria renascer no Além. De acordo com os costumes funerários egípcios, quem rejeitava maat era condenado a uma segunda morte, sendo-lhe negada a vida eterna.
N – Natureza. Nada me traz mais paz e felicidade do que estar na Natureza, apesar de ser uma pessoa muito caseira. Às vezes penso que muitas sociedades modernas vivem quase à parte da Natureza, como se fosse algo separado da Humanidade; mas isto é erróneo, porque nós fazemos parte integral da Natureza e precisamos dela para continuar a viver. Preocupo-me muito com questões ambientais e com a proteção da Natureza, do ambiente, do nosso planeta e, nos últimos anos, tenho alterado o meu estilo de vida para que este seja mais sustentável e amigo do ambiente. Continuo a aprender e a lutar por isso.
O – Ouvir, uma qualidade tão importante e, muitas vezes, menosprezada. Ouvir é tão importante quanto falar, às vezes mais importante! E é essencial compreendermos que existem momentos para ouvir, outros para falar e outros para agir. Só ouvindo-nos uns aos outros poderemos viver melhor em comunidade, seja numa escala micro (em família) ou macro (enquanto sociedade).
P – Poirot. Adoro ler histórias de detetives, como já disse, e o Poirot foi o primeiro detetive que se cruzou no meu caminho. Comecei a ler os livros da Agatha Christie aos 12 anos e, recentemente, iniciei um projeto pessoal de reler todos os seus livros no centenário do ano em que foram publicados. Comecei em 2021, quando li o primeiro livro que Christie escreveu, em 1921. Se chegar até lá, terminarei este projeto de vida em 2076, cem anos após ter sido publicado o último livro de Christie, em 1976, data da sua morte.
Q – Questionar. É tão importante desenvolvermos um espírito crítico: gostaria que esta prática fosse ensinada nas escolas, desde cedo. Questionar o mundo que nos rodeia é muito importante, não só em contexto académico, mas na vida em geral. E, com o questionar do mundo, é importante não esquecermos de nos questionar a nós próprios, de questionar as nossas ações e o seu impacto: a autorreflexão é uma importante ferramenta de crescimento individual e coletivo e, também, de humildade.
R – Risota. Tenho um sentido de humor muito sarcástico e irónico (nem sempre compreendido por toda a gente, que às vezes me leva a sério quando estou a brincar). Adoro rir e fazer rir e, principalmente, adoro rir-me de mim mesma. Nunca me levei muito a sério e não tenciono mudar isso!
S – Saudade. Vivi no estrangeiro durante cerca de uma década, em Inglaterra e nos EUA. Saudade era o meu dia-a-dia: saudade da família, saudade dos(as) amigos(as), saudade da comida, saudade dos lanches, saudade dos jantares, saudade do sol e do bom tempo, enfim, saudade de tudo...
T – Tapete, nomeadamente tapete de yoga. Pratico yoga diariamente: é uma das minhas atividades físicas preferidas.
U – Universidade. Sinto-me em casa em universidades, no meio académico. Fui estudante universitária dos 18 aos 30: licenciatura, mestrado, doutoramento. Espero poder contribuir, ao longo da minha carreira, para que mais pessoas se possam sentir em casa na universidade e para que a universidade seja um local mais justo, mais democrático, mais acolhedor para toda a gente.
V – Vinho, porque um copinho cai bem de vez em quando!
W – Wok, um elemento essencial na minha cozinha.