Clássicos da literatura russa
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17 de janeiro de 2020
Têm fama de nos dar a volta à cabeça – e dão. Mas quem quer ler para ter os neurónios no sítio?
Dostoiévski
É comummente visto como o maior escritor da história da literatura russa, e quem pode culpá-lo? Dostoiévski chegou à literatura e avassalou tudo. Nos seus livros, está escarrapachado o mistério de se ser humano. O autor não tem medo de pegar nos grandes temas da humanidade, e fá-lo através de personagens que permanecem durante muito tempo. Com idiossincrasias e defeitos, cada livro é um tratado que vai aos abismos da experiência humana, enfrentando-se a culpa, a violência, o arrependimento, o egoísmo, o assassinato, a humilhação, a pobreza. As personagens são profundas, os parágrafos contundentes. O clima é sempre frio – gélido como a dúvida.
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TOLSTOI
Tolstoi é um gigante da literatura russa, e foi considerado por Dostoiévski o maior romancista da sua época. Quem pega nele deve ir com tempo, já que o autor russo é dado a calhamaços. Ainda bem que assim é, que Guerra e Paz (1869) e Anna Karénina (1877) não se fariam num haiku. Serão os pináculos da ficção realista, e os pormenores compõem, não martelam. Cada romance de Tolstoi sabe a uma literatura inteira: as personagens são densas, a prosa é cuidada, o enredo compõe-se num todo orgânico. Não dá para se ser amante da literatura sem se ler Tolstoi na cama.
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GÓGOL
Nascido em 1809, Gógol fez uma literatura onde se nota a preocupação com as ações humanas. Nos seus enredos, tudo é questionado, já que, para cada ação, há uma questão moral. Ali, vemos a condição humana no seu esplendor, e o seu questionamento a cada página. Não será, assim, de estranhar que este tenha sido precursor de autores posteriores. Afinal, até Dostoiévski disse «Todos nós saímos de O Capote de Gógol». Filho do seu tempo, pai de literatura futura, Gógol foi dos primeiros a usar as técnicas do seu surrealismo e do grotesco.
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CONTOS
Depois de passarmos por calhamaços, podemos ir a Tchékhov, que ainda hoje é visto como um dos maiores contistas de sempre. Mestre da narrativa curta, ei-lo a dar a volta ao leitor em meia dúzia de páginas. Mais médico do que escritor, dizia de si mesmo, começou a escrever por motivos financeiros, mas o talento uniu-se ao trabalho e Tchékhov fez inovações formais na prosa curta que influenciaram a evolução do conto até à atualidade. Os seus textos costumam passar por um fluxo de consciência, ou seja, o leitor segue o processo de pensamento de alguém: de um lado, a lógica; do outro, a subjetividade do indivíduo. As questões morais existem, assim, em plano de fundo, já que a literatura de Tchékhov pergunta ao invés de responder.
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