4 romances sobre racismo
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17 de janeiro de 2020
A segregação racial marca o mundo. Eis quatro livros que destroem a inocência em relação à horizontalidade de direitos ou igualdade de oportunidades.
MATARAM A COTOVIA
Não surpreenderá ninguém que este clássico figure nesta lista. O primeiro romance de Harper Lee debruça-se sobre o crescimento de uma rapariga numa sociedade racista. A ação passa-se em Maycomb, uma cidade imaginária do Alabama, mas a ficção tem o peso da realidade. Scout é criada com Jem, seu irmão, por Atticus Finch, seu pai. Advogado, este encoraja os filhos a refletirem e a não cederem ao preconceito. Quando uma mulher branca acusa Tom Robinson, habitante negro, de violação, Atticus concorda em defendê-lo, e aí começa a histeria assente nas desigualdades entre brancos e negros e no poder da ignorância espraiada durante séculos. No meio disto, temos a inocência da criança.
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TORTO ARADO
Torto Arado é o grande fenómeno da produção literária em língua portuguesa em muitos anos. É o primeiro romance de Itamar Vieira Junior, e arrecadou logo o prémio Leya, o prémio Jabuti e o prémio Oceanos. A crítica tem sido unânime, os leitores também: Torto Arado nasceu e virou clássico. Aqui, a ação parece girar em torno da vida de uma família descendente de escravos. Mas o romance vai além, a ação é ampla, e o leitor não fica indiferente ao contexto social que define a vida das personagens. Com mão firme, Vieira Junior tratou uma fazenda no sertão da Bahia e meteu lá tudo o que importa: a secura, a precariedade, a insegurança, a hierarquia. Tudo se passa após a abolição da escravatura, e o mais trágico é ver que essa abolição não trouxe a horizontalidade de direitos.
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MARROM E AMARELO
Da casa de uma família, abre-se a janela para o Brasil. Esta é a história de dois irmãos – um branco e um negro – e, em concomitância, da discriminação racial no país. Para além dos gostos, Federico e Lourenço distinguem-se pela cor da pele, que influencia o lugar que ocupam na sociedade. Cresceram nos subúrbios de Porto Alegre e o autor traçou-os durante décadas, mostrando os abismos do Brasil. Ao acompanhar as personagens, Paulo Scott mostra ao invés de contar e é impossível, ao ler Marrom e Amarelo, não ter a evidência do abismo racial que molda vidas.
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O AVESSO DA PELE
O romance de Jeferson Tenório foi uma das boas surpresas da literatura brasileira dos últimos anos. A ação está bem urdida, as personagens apanham-nos nas redes das suas vidas. Após a morte do pai, Pedro encara as memórias e as lições que este lhe deixou. Professor de literatura no ensino público, a sua vida foi marcada pela desigualdade racial até em pontos como as relações amorosas. Na rememoração do pai, Pedro serve também para que o leitor debata as relações entre pais e filhos. O romance é amplo porque tal acontece no cenário de um país alicerçado na segregação. Sem querer catequisar, Tenório mostra, e é isso que corta qualquer inocência por parte do leitor.
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