A Estória do Sol e do Rinoceronte

de Ondjaki; Ilustração: Catalina Vasquez
Editor: Alfaguara Portugal, julho de 2020 ‧
13,90€
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Ondjaki escreveu e Catalina Vasquez ilustrou esta maravilhosa fábula de encantar sobre um rinoceronte, o sol e a importância da gentileza e da empatia.

Na floresta antiga, um rinoceronte perguntava-se que tristeza era aquela que sentia no coração. E pediu ajuda.

«O rinoceronte atento
Escutou o que o Sol dizia
E, quanto mais escutava,
Mais fundo aquilo ia.»
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Que se passa na literatura angolana?

Haverá coisa mais bela do que ver formas diferentes de dizer entre quem fala a mesma língua? Há um instrumento em comum e muitos livros para abrir.

PEPETELA
É não só dos maiores de Angola, mas também da lusofonia. Nascido em 1941, Pepetela viria a ganhar o Prémio Camões em 1997. No que escreve, temos acesso à História contemporânea de Angola, de uma forma que livros científicos ou jornais são incapazes de dar. São as artérias que lá estão. Prova disso é o seu romance mais lido, Mayombe, publicado em 1979. Ali, temos a organização dos combatentes do Movimento Popular de Libertação de Angola, ao lado de quem Pepetela lutou pela libertação do seu país. Mais do que um livro de História, que só mostra a vida por fora, aqui temos as vidas e os pensamentos de um grupo de guerrilheiros durante a guerra – ou seja, a parte obscura e profunda em que os historiadores não conseguem mergulhar. Lê-lo, por isso, é entender melhor a vida. Ora, Pepetela conta muito sobre Angola, porque pega na História viva e mostra aos leitores as vísceras. Depois da guerra, continua nas entranhas do país. Por exemplo, em A Geração da Utopia, mostra o capítulo seguinte da vida, com a desilusão que se instalou no país após a independência. E, como a obra de Pepetela é muito mais do que as crónicas da contemporaneidade, também abraça o período pré-colonialismo, como em Lueji, que conta as histórias de Lu e Lueji, que viveram com quatro séculos de permeio, as duas com uma coisa em comum que é comum a todos nós, aqui entrelaçadas na história de Angola. Pepetela / Foto © Jorge Nogueira José Eduardo Agualusa / Foto © LaraLongle, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons AGUALUSA
Agualusa, perdoe-se-me a objetificação, é o bonitão da literatura lusófona. Podíamos pô-lo num catálogo de modelos, mas como escreve tão bem também entra nesta lista. O autor, que é multifacetado, acaba de lançar Mestre dos Batuques, um romance com selo da Quetzal. Aqui, a narrativa vai a tudo, tanto pegando num pelotão de soldados europeus encontrado sem vida como numa história de amor, numa sociedade secreta de guerreiros ovimbundo ou num rei-mago, numa mulher que se faz invisível ou num homem que quer captar o que se vê com uma máquina. Há gente real, e gente que só é real nos livros, o que, para o propósito de um romance, não lhe diminui a vida. Sobretudo, há o substrato, que mostra ao leitor coevo como e de que matéria se faz um país. Ora, depois de uma narrativa tão cheia de tudo, e que mostra tanto mundo, dá para ir a O Mais Belo Fim do Mundo. O livro é um compêndio de contos, crónicas e apontamentos reunidos entre 2018 e 2021, publicados na imprensa portuguesa e brasileira. Assim, vira-se para a coetaneidade, e fá-lo naquele misto que a mão de um criador literário permite, tornando híbridas as fronteiras entre os géneros. Findo cada texto, pode haver a dúvida sobre se o que se leu é ficção ou realidade, mas o melhor é nem perder tempo a pensar nisso, até porque, a seguir, e segundo várias entrevistas, se pode ter inveja – mas inveja boa – de uma amizade que parece pertencer à candura da ficção. O Terrorista Elegante e Outras Histórias foi escrito a quatro mãos com Mia Couto. Este artigo é sobre literatura angolana, mas damos espaço a duas mãos de Moçambique, essas que se voltaram para as três novelas deste livro. Recomenda-se logo a segunda, mais não seja pelo início. «Venho aqui para matar». Gente mórbida como eu gosta destas coisas. O leitor fica logo interessado, e descansado por estar protegido pela distância entre os olhos e o papel. E venha mais distância com Teoria Geral do Esquecimento. No romance, seguimos Ludovica, portuguesa que, na véspera da independência de Angola, está de tal forma amedrontada que se isola no seu apartamento. Chega ao ponto de erguer uma parede, separando-se do resto do mundo, e ali fica durante quase trinta anos, sobrevivendo à míngua. À sua volta, lá longe, Luanda cresce, vive, muda. Só ela fica estática. O leitor lá julgará que se entende que a instabilidade cause insegurança, mas talvez mais valha viver de mãos sujas do que as ter limpas no fim.
ONDJAKI
Sou tão fã de Ondjaki que um dia hei-de pendurar um poster seu na sala. Se eu pudesse – mas não posso –, roubava-lhe a expressão “vermelho devagarinho”, e dormia abraçada a ela, fingindo que a inventara. Fui buscá-la a Os Transparentes. Há uma coisa irritante em Ondjaki, que é ser capaz de fazer coisas que eu queria ter feito. Este romance está cheio delas, desde expressões tão belas que roçam o escândalo indecente a ginástica com a língua, como se vê com uma personagem chamada SantosPrancha ou um galo mirolho chamado Camões. É a narrativa longa de maior fôlego do autor angolano e cabe lá a vida inteira, metida em Luanda. Lemo-la no papel branco, mas, já se adivinha, nunca deixa de se ver o vermelho devagarinho que é coisa de fim de tarde. O Livro do Deslembramento também me enerva por ser tão bom, começando logo no título. Aqui, o leitor vê a vida em Luanda após a guerra civil, apanhando as primeiras eleições no país. Ora, pouco depois, ressurge a guerra, contada pela voz de uma criança – e mais um elogio a Ondjaki, o maior da lusofonia a criar vozes de pimpolhos. Falando em crianças, não dará para ignorar que também na literatura infantil o autor é o príncipe da pequenada. Em A Estória do Sol e do Rinoceronte, belamente ilustrada por Catalina Vásquez, o autor conta a história, feita fábula, de um rinoceronte que aprendeu uma lição com o sol. Daí nasce uma história sobre empatia, contada em verso. Em Senhor Feroz, ilustrado por Alex Gozblau, temos um conto poético sobre liberdade e laços de família, que se inicia com uma menina triste, a tapar os olhos, e a contar “a coisa mais desalinhada” que alguma vez sentiu acontecer na praia. E a ilustração, convém dizer, é um encanto. Ynari, A Menina das Cinco Tranças tem ilustração de Danuta Wojciechowska, e muito mais texto do que os anteriores, destinando-se a um público um pouco mais velho, embora ainda juvenil. Na história, Ynari depara-se, junto ao rio, com um homem muito menor do que os homens que conhecia. E há ainda o magnífico O Voo do Golfinho: mas não será sobre um pássaro? Não vou dizer. Digo só que, quando se entra nas páginas deste livro, quase todas azuis de mar, parece que se nada. Ondjaki

A Estória do Sol e do Rinoceronte

de Ondjaki; Ilustração: Catalina Vasquez

Propriedade Descrição
ISBN: 9789897840142
Editor: Alfaguara Portugal
Data de Lançamento: julho de 2020
Idioma: Português
Dimensões: 242 x 245 x 8 mm
Encadernação: Capa dura
Páginas: 40
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Infantis e Juvenis > Contos Fábulas e Narrativas > Juvenil
EAN: 9789897840142

Encantador!

Filipa

A beleza está na simplicidade das palavras, capazes de despertar os sentimentos mais profundos. As ilustrações complementam, de forma soberba, esta fábula de encantar, pois "tudo na vida depende do modo de olhar".

Mais livros destes, por favor!

Liliana Silva

Mais um livro encantador do Ondjaki... Uma fábula maravilhosa para os mais pequenos aprenderem a lidar com a tristeza. As ilustrações de Catalina Vásquez são incríveis. Imperdível!

SOBRE O AUTOR

Ondjaki

Ondjaki, nasceu em Luanda em 1977. É doutorado em Estudos Africanos pela universidade L’Orientale de Nápoles. Prosador e poeta, também escreve para cinema. É membro da União dos Escritores Angolanos. Recebeu os prémios Sagrada Esperança (Angola, 2004); Conto – A.P.E. (Portugal, 2007); FNLIJ (Brasil, 2010, 2014 e 2023); Jabuti na categoria juvenil (Brasil, 2010); José Saramago (Portugal, 2013) e Littérature-monde (França, 2016) com o livro Os Transparentes. Está traduzido para francês, espanhol, italiano, alemão, inglês, sérvio e sueco. Ocasionalmente dirige oficinas de escrita criativa. Em 2023, recebeu o prémio Vergílio Ferreira pelo conjunto da sua obra.

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