Underground

O Atentado de Tóquio e a Mentalidade Japonesa

de Haruki Murakami
Editor: Tinta da China, novembro de 2006 ‧
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«A data é 20 de Março de 1995. Está uma bela e límpida manhã de Primavera. Ainda se faz sentir uma brisa fria e as pessoas andam agasalhadas, de casaco. Ontem foi domingo, amanhã celebra-se o Equinócio da Primavera, é feriado nacional. Ensanduichado no meio do que deveria ter sido um fim-de-semana longo, está provavelmente a pensar "Quem me dera não ter de ir trabalhar hoje". Mas não tem tal sorte. Levanta-se à hora do costume, lava-se, veste-se, toma o pequeno-almoço e dirige-se à estação de metro mais próxima. Entra para a carruagem, apinhada como de costume. Nada de anormal. O dia promete ser perfeitamente igual a todos os outros dias. Até ao momento em que cinco homens disfarçados direccionam os seus guarda-chuvas de pontas afiadas para o chão da carruagem, perfurando uns sacos de plástico cheios de um líquido estranho…»
Um dos mais famosos episódios do terrorismo contemporâneo, o atentado de Tóquio não só traumatizou as vítimas directas como abalou toda a sociedade japonesa. O que sentiram os sobreviventes do ataque? Como reagiram? Como explicar a obediência dos fiéis seguidores do líder da seita Verdade Suprema? Em «Underground», Murakami compõe as entrevistas que realizou a dezenas de vítimas do gás sarin e a vários membros da Aum Shinrikyo (Verdade Suprema), tecendo uma narrativa em que procura compreender a relação entre o atentado e a mentalidade japonesa.


"A primeira obra não ficcionada que nos chega do autor demonstra que uma imaginação tão prodigiosa só pode derivar de um olhar atento à realidade (...) Uma obra inquietante não só pela natureza dos factos, mas também das reflexões nascidas dos mesmos e que nos revelam uma cultura que, embora fundamentalmente universal, assimilou a violência de forma particular e até natural. A brutalidade e a destruição tornaram-se uma herança, consolidada na história de muitas guerras, tal como é observável nos romances do autor."
Mónica Maia

Underground

O Atentado de Tóquio e a Mentalidade Japonesa

de Haruki Murakami

Propriedade Descrição
ISBN: 9789728955168
Editor: Tinta da China
Data de Lançamento: novembro de 2006
Idioma: Português
Dimensões: 140 x 210 x 30 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 462
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Ensaios
EAN: 9789728955168

Uma análise ao Japão de hoje, por Murakami

NMAlmeida

Partindo do atentado ao Metro de Tóquio, Murakami escreve uma magnífica obra sobre a identidade nipónica dos dias de hoje e também sobre as fragilidades que nos ligam. uma obra indispensável, não só para os leitores de Murakami (que aqui o encontram num registo ligeiramente diferente); mas para os interessados pela realidade dos que sobrevivem ao terrorismo.

Haruki Murakami, underground - uma leitura indecisa

jaime manuel basso pequito crespo

Confesso que gosto deste escritor. Por isso volto a uma das suas obras. Ou será mais correcto afirmar que regresso a ele? Mas seja como for neste caso não se trata de mais do mesmo. Aqui não temos o japonês cosmopolita que ouve o mesmo jazz e a mesma música clássica que nós. Imagine-se, até se delicia com elegantes e redondas chávenas de café cheiroso, cremoso, forte. Mantendo no entanto o quanto baste de áurea exótica para não ser totalmente como nós mas o bastante para o trazer por casa sem dar muito nas vistas e mantendo toda a gracinha. Murakami, felizmente não é desses nem se dá a muitas concessões. Limita-se a ser como gosta, o que para ele deve ser descansadamente óptimo. Quanto ao resto, humano. Tal como qualquer um anseia ser em vez de salamandra esses bichinhos viscosos. Escreve bem. Escreve mesmo muito bem. E isso atrai-me deliciosamente. Como às drogas irresistíveis. Fatal como o destino. Ora neste livro encontramos um Murakami puramente japonês (o que é isso?) longe de mim tal blasfémia que sei que os artistas o são simplesmente. Do mundo. Mas encontramo-nos com um Japão servido a sangue frio (in cold blood) sem margem para respirar fundo o ar mais quente. Na sequência dos atentados com gás sarin, no metro de Tóquio, a 20 de Março de 1995, Haruki Murakami entrevista muitas das vítimas. Aquelas que se lhe disponibilizaram. E é esse relato, das vitimas, a seco que este livro contém. Mais que o Japão ou japoneses do nosso catálogo de preconceitos ocidentais, ou das ideias pré-feitas orientais, é o Japão lugar também ele de seres humanos e de humanidade. É o ser humano em toda a dimensão do seu esplendor, para o bem ou mal, na alegria ou tristeza, na solidariedade e na vileza… que aqui nos é apresentado. É servido a seco. E como um martini também deve ser consumido em pequenos golos, lentamente, saboreando, deixando-nos invadir pelo prazer. Não é uma metáfora é uma radiografia física e psíquica e da alma do Homem. Mais que mais um grande livro obra de arte é de uma exposição nua da humanidade de que se trata. P.S.: não sei explicar porquê mas acho que os realizadores das cartas de Iwo Jima leram este livro. jaime crespo

SOBRE O AUTOR

Haruki Murakami

Haruki Murakami é, sem dúvida, um autor de culto, lido por todas as gerações e procurado com especial curiosidade pelos jovens leitores, encontrando-se traduzido em mais de 50 línguas. Sendo um dos escritores japoneses contemporâneos mais divulgado em todo o mundo, é simultaneamente aplaudido pela crítica, que o considera um dos «grandes romancistas vivos» (The Guardian).
Haruki Murakami recebeu vários doutoramentos honoris causa pelas universidades do Havai, Liège e Princeton em reconhecimento da sua obra, recompensada através da atribuição de importantes galardões internacionais, com destaque para os prémios Noma, Tanizaki, Yomiuri, Franz Kafka, Jerusalém e Hans Christian Andersen.

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