SINOPSE
As edições Orfeu Negro estreiam-se na área dos estudos queer e de género com uma interrogação frontal e feroz da sexualidade feminina por Virginie Despentes. Baseando-se na sua biografia, a autora de Baise-Moi contesta os discursos bem-comportados sobre a violação, a prostituição e a pornografia. Um manifesto iconoclasta e irreverente para um novo feminismo.
DETALHES
| Propriedade | Descrição |
|---|---|
| ISBN: | 9789898327857 |
| Editor: | Orfeu Negro |
| Data de Lançamento: | outubro de 2016 |
| Idioma: | Português |
| Dimensões: | 139 x 227 x 8 mm |
| Encadernação: | Capa mole |
| Páginas: | 125 |
| Tipo de produto: | Livro |
| Classificação Temática: |
Livros em Português
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Literatura
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Outras Formas Literárias
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| EAN: | 9789898327857 |
OPINIÃO DOS LEITORES
A mudança começa aqui
L.F.
Este livro é uma montanha russa emocional com um final feliz. Estava descrente quando me preparei para lê-lo: li muitos comentários que argumentavam que era um livro superficial, que Despentes não sabia escrever, que era bizarro. Depois li a contracapa, que contém este excerto: escrevo da terra das feias, para as feias, as velhas, as machonas, as frígidas, as malfodidas, as infodíveis, as histéricas, as taradas, todas as excluídas do grande mercado das gajas boas. E começo por aqui para que as coisas sejam claras: não peço desculpa de nada, não me venho lamentar. Li isto e pensei que este livro era um livro de lamúrias. Apesar de dizer que não se vinha lamentar, eu julguei que o livro fosse uma reclamação de uma louca. Spoiler: estava enganada, francamente enganada. Assim que iniciei a sua leitura, o excerto da contracapa apareceu, mas o diamante vem no final do parágrafo. Escreve ela: não troco o meu lugar com ninguém, porque ser Virginie Despentes parece-me uma tarefa mais interessante de cumprir que outra qualquer . Assim que li isto, pensei que esta seria a grande frase para estar na contracapa, apresentando-nos ao livro. A Orfeu Negro escolheu uma parte chocante, que atrai alguns leitores pela agressividade da linguagem, mas a grande conquista do livro e o grande poder que dá ao leitor é de afirmar que aquilo que eu sou é muito mais envolvente do que aquilo que eu poderei cumprir segundo imposições externas. Esta é a pedra de toque do livro que nos vai levar numa montanha russa de auto-conhecimento através da pequena biografia de Virgínia Despentes. O livro está dividido em capítulos: 1. Tenentes Corruptas 2. Enrabo-te ou enrabas-me? 3. Dormindo com o inimigo 4. Pornobruxas 5. King Kong Girl 6. Adeus Raparigas 7. Bibliografia O capítulo de abertura é revelador das intenções do livro. É provavelmente um dos capítulos mais inclusivos que alguma vez li. Despentes debruça-se sobre todas as mulheres, sobre todas as pessoas que se identificam como mulheres e até aquelas que não se identificam como mulheres mas já se identificaram. Fala acerca de todas as mulheres, para chegar ao ideal de mulher branca sedutora sem ser puta, bem casada mas apagada, que trabalha sem fazer grande carreira, para não apoucar o seu homem, magra mas sem ser neurótica com a comida, que permanece sempre jovem sem se deixar desfigurar pelos cirurgiões de estética e prossegue até ao momento em que inaugura o livro dizendo aquele que nos devíamos esforçar por copiar, à parte de ter ar de se chatear a fundo por tudo e por nada, de qualquer maneira nunca me cruzei com ela, em lado nenhum. Acho mesmo que não existe. Não existe de facto. E é um alívio. Neste momento, Despentes torna qualquer pessoa que esteja a ler o livro em humana. Despe-nos dos nossos próprios preconceitos, da ideia de que "tipo" de mulher deveríamos ser, para tentar alcançar um ideal que não passa disso mesmo: de um fantasma de ser mulher. Os capítulos seguintes falam sobre a sua experiência na prostituição e o terceiro capítulo é dificílimo de ler. Precisei de fazer uma pausa real, de pousar o livro e de respirar, porque como é escrito na primeira pessoa, parece que a mulher que estão a violar somos nós. Era eu. E essa escrita íntima, mesmo para mim que não fui vítima de violação, é muito dolorosa. Mas Despentes resolve bem o capítulo porque resolveu bem esse trauma: convoca Camille Paglia - que eu não suporto - e apropria-se da ideia de que é preciso ultrapassar. Continuar com a vida. A razão pela qual continua é, para mim, terrível. Diz que todas as mulheres, por serem mulheres assumem um risco. Assumindo [pagam] o preço e em vez de [terem] vergonha de estarem vivas, podiam decidir voltar a pôr-se de pé e recompor-se o melhor possível (p.37). Ora, eu não entendo que a violação seja um risco que se assuma por ser ser "má menina", e aqui Despentes contradiz-se brutalmente. No entanto eu compreendo que é essa contradição que a permite avançar, que permite não se contradizer mais e humanizar-se. É estranho como precisamos de contradições para sermos inteiros. Os outros capítulos são mais leves, mas não são menos desafiadores. Para quem tiver problemas com a relação com a maternidade, a homossexualidade ou a pornografia, o resto do livro é especialmente elucidativo. Camille Paglia não volta a ser convocada. E o brinde é o penúltimo capítulo, onde Despentes interpreta o filme King Kong de uma forma sublime. Quem é este primata sem género e qual é a sua função no filme (de 2005)? Virginie Despentes supera todas as expectativas. Despiu-me ao mesmo tempo que me agasalhou. Fez-me sentir inteira. Virginie Despentes fez-me sentir King Kong e perfeitamente à vontade com o que sou, com o que penso. Abriu-me caminho emocional e intelectual. Li o livro em duas horas. A tradução está magnificamente escrita por Luís Leitão e a Orfeu Negro fez um óptimo trabalho. A capa é muito bonita, a fazer lembrar a estética das zines - em relação directa com o conteúdo do livro e com a adolescência punk de Despentes. O tipo de letra e as margens tornam a leitura muito agradável. A bibliografia é muito útil para qualquer pessoa. E eu asseguro: a pessoa que começa a ler este livro não é a mesma pessoa que chega ao seu fim.
Para todos a partir da adolescência!
MBN
Importante testemunho e perspectiva da Virginie!
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