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Teoria King Kong

de Virginie Despentes
Editor: Orfeu Negro, setembro de 2021 ‧
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Teoria King Kong é um grito de guerra e uma interrogação feroz da sexualidade feminina. Virginie Despentes desafia os discursos bem-comportados sobre a violação, a prostituição e a pornografia a partir das suas próprias experiências, desconstruindo os modos de apropriação do corpo feminino que levam à subordinação social, económica e sexual.

Um manifesto iconoclasta e irreverente para um novo feminismo.

«Escrevo da terra das feias, para as feias, as velhas, as machonas, as frígidas, as malfodidas, as infodíveis, as histéricas, as taradas, todas as excluídas do grande mercado das gajas boas. E começo por aqui para que as coisas sejam claras: não peço desculpa de nada, não me venho lamentar.»
Virginie Despentes

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Nas Palavras Delas

Ler algumas escritoras é perceber que a literatura pode ser íntima e política ao mesmo tempo, delicada e feroz, profundamente humana e ainda assim inquietante. Alba de Céspedes, Virginie Despentes, Camila Sosa Villada e Natalia Ginzburg inspiram-me por razões diferentes, mas há algo que as une: a coragem de olhar para a experiência das mulheres, e para as margens da sociedade, sem enfeites, sem concessões e sem medo. Nas Palavras Dela, de Alba de Céspedes Em Nas Palavras Dela, Alba de Céspedes dá-nos uma escrita profundamente atenta à interioridade feminina, às contradições do amor, do casamento, da família e da liberdade. É um romance que mergulha no modo como tantas mulheres foram ensinadas a viver em função dos outros, mesmo quando dentro de si cresce um desejo de rutura, de autonomia e de verdade. O que mais me inspira nesta obra é precisamente a capacidade de nomear o que tantas vezes fica oculto, como os silêncios, as renúncias ou os conflitos íntimos. Alba de Céspedes escreve mulheres com lucidez, sem simplificações, e lembra-me sempre que a literatura pode ser um lugar de consciência e de insubmissão.
A infância de Alessandra, em Roma, é marcada pela lenda dolorosa da mãe, Eleonora, mulher prodigiosa que sonhava ser uma pianista célebre, mas cuja sensibilidade artística acaba esmagada pela estreiteza da vida doméstica, pelas convenções familiares e por uma ordem social que confunde sacrifício com virtude. A história de Alessandra nasce, assim, sob o signo dessa figura materna simultaneamente luminosa e ferida. Uma mulher que encarna tudo aquilo que poderia ter sido e que não lhe foi permitido ser. Ao acompanhar o crescimento da protagonista, o romance torna-se também uma educação sentimental e política, na qual a intimidade da casa e as frustrações revelam a violência discreta de um mundo construído contra a liberdade feminina. COMPRO NA WOOK! » Teoria King Kong, de Virginie Despentes Teoria King Kong, de Virginie Despentes, inspira-me de uma maneira diferente. É um livro que entra sem pedir licença e que desmonta discursos confortáveis sobre violação, prostituição, pornografia, feminilidade e poder. Despentes escreve com fúria, frontalidade e inteligência, recusando a ideia de que uma mulher tem de ser dócil para ser escutada. Gosto particularmente deste ensaio porque não procura agradar nem suavizar o desconforto e obriga-nos, isso sim, a repensar tudo aquilo que a sociedade prefere manter bem arrumado.
A força do livro vem também do seu cunho assumidamente pessoal, autobiográfico e violento. Despentes não escreve a partir de uma abstração teórica, mas a partir do próprio corpo, da própria experiência e das suas zonas mais expostas. Fala da violação que sofreu, da passagem pela prostituição, da relação com o cinema pornográfico, da vergonha, da raiva, do medo e da forma como a sociedade organiza a culpa para a devolver quase sempre às mulheres. O que torna Teoria King Kong tão perturbador é precisamente essa recusa em transformar a ferida em ornamento literário ou em confissão domesticada. Despentes converte a experiência brutal em pensamento crítico, fazendo da autobiografia uma arma contra a moral burguesa, contra a vitimização higienizada e contra todas as formas de obediência impostas ao feminino. COMPRO NA WOOK! » As Malditas, de Camila Sosa Villada Em As Malditas, de Camila Sosa Villada, encontro uma escrita que é brutal e luminosa. O livro cruza memória, violência, sobrevivência e imaginação, dando corpo a vidas que tantas vezes foram empurradas para a margem. O que me inspira aqui é a forma como a autora transforma dor e exclusão em literatura viva, feroz e bela. Há neste livro uma força quase mítica, mas também uma humanidade devastadora, que faz com que cada página pareça um gesto de resistência.
No seu ADN convergem as duas facetas do mundo trans que mais repelem e assustam a boa sociedade: a fúria travesti e a festa de ser travesti. Camila Sosa Villada explora, em concreto, a infância marcada pela violência, pela vergonha e pelo desejo de fuga, mas também a entrada num universo de pertença, de comunidade e de reinvenção. A obra é um relato de infância e um ritual de iniciação, um conto de fadas e um conto de terror, memória íntima e mitologia coletiva. As mulheres que habitam o livro surgem como figuras feridas e soberanas, expostas à brutalidade do mundo e, ainda assim, capazes de criar laços, linguagens, maternidades improváveis e formas exuberantes de alegria. É nessa tensão entre desamparo e esplendor que o livro encontra a sua grandeza. COMPRO NA WOOK! » As pequenas virtudes, de Natalia Ginzburg As pequenas virtudes, de Natalia Ginzburg, lembra-me que nem sempre é preciso levantar a voz para dizer o essencial. Neste conjunto de textos, Ginzburg escreve sobre a vida, a família, a educação, a pobreza, a guerra, a maternidade e a escrita com uma clareza desarmante. O que mais me inspira nela é essa lucidez sem pose, essa capacidade de encontrar grandeza no quotidiano e de transformar experiências aparentemente pequenas em pensamento duradouro. Há uma sabedoria limpa e serena na sua escrita que me comove sempre.
Estes são ensaios autobiográficos, embora nunca se fechem no mero relato pessoal. Em Ginzburg, a memória individual torna-se uma forma de pensar o século, a perda, a educação moral e a sobrevivência. Durante o governo de Mussolini, viveu retirada no campo, com o marido, num quotidiano atravessado pela precariedade, pela vigilância e pela sombra da guerra, experiência que atravessa a sua escrita com uma sobriedade quase ascética. Num texto como “Ele e Eu”, por exemplo, a autora parte da vida conjugal, das diferenças de temperamento, dos hábitos, das pequenas irritações e ternuras entre duas pessoas, para construir uma reflexão de extraordinária finura sobre o amor e a convivência. O que poderia parecer apenas doméstico ou menor torna-se, nas suas mãos, matéria literária de densidade. COMPRO NA WOOK! » No fundo, estas escritoras inspiram-me porque cada uma, à sua maneira, recusa o lugar que lhe foi previamente atribuído. Alba de Céspedes fala da condição feminina com profundidade e subtileza, Virginie Despentes escreve com a raiva de quem não aceita ser domesticada, Camila Sosa Villada devolve beleza e dignidade a vidas que o mundo insiste em desumanizar; Natalia Ginzburg mostra-nos que a delicadeza também pode ser radical. Ler estas mulheres é, para mim, uma forma de regressar àquilo que a literatura tem de mais poderoso, a possibilidade de ver melhor e de sair diferente de uma leitura.

Teoria King Kong

de Virginie Despentes

Propriedade Descrição
ISBN: 9789899071155
Editor: Orfeu Negro
Data de Lançamento: setembro de 2021
Idioma: Português
Dimensões: 126 x 183 x 12 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 180
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Ciências Sociais e Humanas > Sociologia
EAN: 9789899071155

Presente de aniversário

Alexandra

Livro na lista de presentes da aniversariante, uma jovem artista. Um livro atual. Uma leitura diferente.

O feminismo em estado bruto

Raquel Caldas

Não consigo fugir da Mulher, entranha-se em mim, de forma visceral e crua, como a própria escrita deste livro. O título remete logo para uma criatura marginalizada e monstruosa, como qualquer uma de nós que não se encaixa no expectável, nem no mundo padronizado. Ler este ensaio (ou será manifesto), levantou alguns véus inesperados.

Incendiário

Guilhermina

Já tinha boas expectativas em relação a este livro sendo todas cumpridas. Gosto muito da descrição de experiências pessoais, fundamentadas com política, sociologia e história tudo numa escrita muito direta e forte. Livro pequeno que se lê rapidamente.

Um terramoto literário

TeresaC

Um tratado autobiográfico altamente disruptivo onde a delicadeza e o moralismo ficam à porta, e que de forma franca e altruísta expõe a nu a autora. A estrutura é inteligente e a escrita dura, bruta, atrevida, intensa e, acima de tudo, corajosa. Eleva a Mulher ao seu expoente máximo abrindo novas perspectivas e atribuindo-lhe uma outra dimensão que parte de um lugar de força e emancipação, nada romantizado, sem falsos moralismos ou rodriguinhos a florear-lhe a vida (e o texto). E se inicialmente achei que teria sido escrito apenas para as mulheres, acredito agora que deveria ser lido por todos os géneros. Leiam-no, mas dispam-se antes de preconceitos (tentei, mas nem sempre consegui), e se ao início sentirem alguma dificuldade ou estranheza sejam corajosos e continuem, vão ver que vale muito a pena. Podemos não concordar com tudo o que lá está escrito, mas é-nos apresentado um excelente conjunto de questões e pontos de vista que poderão abanar as ideias pré-concebidas que temos dentro de temas tão complexos e controversos como são o feminismo, a violação, a prostituição e a pornografia.

Um livro pequeno que é um portento

Ler, um prazer adquirido

Esta capa e este título não me chamariam a atenção mas assim que abri este livro... a primeira página arrebatou-me. ¿ Os livros que me surpreendem são quase sempre os melhores. Um livro que é um grito de alerta e que em cada frase, afirma uma posição que, foi reflectida e que faz estremecer quem lê. Um poderoso testemunho sem temor. O que também me espanta é eu não conhecer este livro ou quem o escreveu. Impossível parar de o ler.

SOBRE O AUTOR

Virginie Despentes

Virginie Despentes é uma autora e realizadora francesa, além de reconhecida crítica cultural e feminista. Membro da Academia Francesa, a sua obra, provocadora e focada na sociedade urbana dos últimos trinta anos, tem sido galardoada com vários prémios.
De entre os seus livros, destacam-se Bye Bye Blondie, Teoria King Kong (Ed. Orfeu Negro, 2016) e Apocalypse Baby (Ed. Sextante, 2011), vencedor dos Prix Renaudot de 2010, e a trilogia Vernon Subutex, vencedora, em 2015, do Prix Anaïs Nin, Prix Landerneau e Prix La Coupole, e finalista do Prémio Man Booker Internacional.

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