Salomé

de Oscar Wilde
Editor: Assírio & Alvim, Janeiro de 2011 ‧

«Wilde escreveu Salomé; em francês, provavelmente por a querer próxima de belezas já conhecidas em Maeterlinck; mas de certeza porque Sarah Bernhardt lhe pedia desde há muito uma peça sobre a rainha Isabel I, e talvez o dispensasse da encomenda se à sua vista fosse estendida uma irrecusável extravagância luxuosa e orientalista, de bom convívio com os seus gestos largos e as suas tiradas longas. Foram decisivas uma visita à casa do escritor Jean Lorrain — onde viu, pousada numa bandeja, a cabeça de cera que o levou ao mau capricho da fotografia em pose de Salomé—e uma visita aoMoulin Rouge—onde uma bailarina italiana executava, só como torso e o ventre, a dança ideal para a sua peça. […] Só nesta obra dramática de Wilde a linguagem perseguiu o intuito de criar uma atmosfera sensual e sufocante, com um vocabulário caro à “decadência” estética do final do século XIX e que já surgia nalguns passos de Dorian Gray.Wilde espalha sangue, vinho emuitas cores, põe pratas a cintilar na lua, enfeita discursos comtopázios, ónix, sardónicas e calcedónias, que lá se encontram quase sempre como sonoridades reduzidas à sua função de “palavra”, e não para as significações mais profundas que assumem, por exemplo, emMallarmé ouMaeterlinck. A peça desenrola-se sob os raios de uma lua vista por cada personagemcomolhar diferente, e que é reflexo dos seus próprios anseios. As personagens ouvem-se pouco umas às outras, dialogam entre si com os monólogos do seu isolamento carregado de uma nostalgia erótica que procura a beleza e teme amorte.»
Aníbal Fernandes, na Introdução

Salomé

de Oscar Wilde

Propriedade Descrição
ISBN: 978-972-37-1571-2
Editor: Assírio & Alvim
Data de Lançamento: Janeiro de 2011
Idioma: Português
Dimensões: 115 x 185 x 9 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 128
Tipo de produto: Livro
Coleção: Gato Maltês
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789723715712

Uma versão mais interessante

Ana Gonçalves

Oscar Wilde pega na história bíblica e torna-a completa, interessante, sensual e inesquecível.

SOBRE O AUTOR

Oscar Wilde

Oscar Wilde nasceu a 10 de outubro de 1854. Foi o segundo filho de um casal irlandês residente em Dublin.
Em 1871 recebeu uma bolsa para frequentar o Trinity College de Dublin, onde começou a construir a sua persona, com o culto dos pré-rafaelitas, as roupas de dandy e o desafio às convenções.
É neste período que Wilde conhece as obras de Keats, Flaubert e Pater, embora, como disse mais tarde, já houvesse percorrido mais de metade do caminho quando os encontrou. Três anos depois está a frequentar Estudos Clássicos em Oxford.
É influenciado por dois professores de Belas-Artes, John Ruskin e Walter Pater.
Em 1879 já está a residir em Londres, onde se tornará conhecido pelo brilho das conversas e a frequência dos teatros. Escreve Vera ou os Niilistas, que não chega a ser representada, e em 1881 publica Poems.
Em 1884, casa com Constance Lloyd, uma herdeira inteligente e culta, interessada em literatura infantil e de quem teve dois filhos. A partir de 1886, Wilde assume abertamente a sua homossexualidade.
Colabora com a Pall Mall Gazette, publica O Retrato do Sr. W. H., contos como O Príncipe Feliz, e ataca o realismo no ensaio O Declínio da Mentira.
Em 1891 surge O Retrato de Dorian Gray. O romance celebra o esteticismo, critica os seus riscos e aborda pela primeira vez a homossexualidade na literatura inglesa. No mesmo ano publica A Alma do Homem e o Socialismo.
Em 1892, edita O Leque de Lady Windermere, o seu primeiro êxito teatral. Regressa a Paris, onde conhece Mallarmé, Schwob, e tem longas conversas com André Gide.
Mas Uma Mulher sem Importância faz que até alguns dos mais renitentes lhe reconheçam o talento. E é então, no auge da sua glória, que conhece Lord Alfred Douglas, Bosie para os íntimos, vinte anos mais novo do que ele, de gostos vulgares, caprichoso e manipulador. Em apenas dois anos, Wilde é levado à falência com presentes caros, jantares requintados e viagens.
É o começo do fim. Embora escreva ainda Um Marido Ideal, Uma Tragédia Florentina e A Importância de Ser Earnest, a vida criativa de Wilde começa a estiolar-se.
O autor de O Declínio da Mentira vai deixar-se instrumentalizar pelo seu amante no conflito que o opõe ao pai, John Sholto Douglas, marquês de Queensberry.
Em 1895, por instigação de Alfred, Wilde toma a iniciativa de um processo judicial contra Sholto. Ganha o primeiro processo, de que sai, no entanto, relacionado com «atos de grave indecência». O desfecho de um terceiro julgamento é a sua condenação a dois anos de trabalhos forçados.
É na prisão que escreve De Profundis.
Libertado, abandona imediatamente Inglaterra, adota o nome de Sebastian Melmoth e instala-se num modesto hotel de Paris.
Wilde morreu em novembro de 1900, após dois meses de doença. Diz-se que, tal como Tchékhov, de quem quase tudo o separava, pediu champanhe pouco antes de expirar, comentando: «Estou a morrer acima das minhas possibilidades.»

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