Quando o Diabo Reza

de Mário de Carvalho
Editor: Tinta da China, outubro de 2011 ‧
16,20€
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Quando um galderio tem uma ideia brilhante partilha-a logo com outro vadio. Coletivização intelectual. Uma grande ideia fica a secar se não for disponibilizada. E como não há dois sem três, estende-se a rede e monta-se a urdidura. Vala grande, saltar de trás. Ponderadas as valências de cada factor e os recursos disponíveis, o projecto avança, científico e inseguro.
Quando duas irmãs, já entradas na vida, sonham com teres e haveres, mundos melhores, segurança de estado e paz de espírito, o destino costuma intrometer-se, turvar os planos, rasteirar os desígnios. Dessas contrariedades e feita a literatura que se da mal com os harpejos dos anjos nas nuvens e prefere o diabo, sempre atrás da porta, vigilante, até a rezar.
Quando um ancião rabugento anda por ai a bengalar à solta, ocorre a alguns visionários que ele esta mesmo a pedi-las.

«Este romance de Mário de Carvalho faz da linguagem uma festa. (...) O romance é de uma grande "impureza": alia a escrita da ficção narrativa à escrita dramática e à escrita para o guião cinematográfico. Um texto com um fortíssimo domínio de si, que a todo o momento se revela consciente dos seus recursos e dos seus efeitos.»
António Guerreiro, Expresso, 4 estrelas

«Mário de Carvalho continua a escalpelizar a "fauna humana" sem dó, mas (e é essa a novidade) com piedade. (...) Por meio do indirecto livre e da reinvenção do linguajar do "bas-fond" lisboeta, o contador desta história dá-nos a ver, justamente quando exibe os seus ridículos e nos convida ao riso, o seu estranho amor por uma fauna escassamente amorável. Como se a arte do romance fosse justamente essa: a de pôr o diabo a rezar por nós.»
Osvaldo Manuel Silvestre, Público, 4 estrelas

«Vadios e vadiagens reunidos num verdadeiro festim. (...) Mário de Carvalho até poderia escrever sobre a vida sexual das moscas da fruta, a arte de coser redes de pesca ou o funcionamento da bolsa de valores de Tóquio. Fosse como fosse, brilharia a escrita, esse manejo da língua portuguesa que é sempre um verdadeiro festim, um antecipado regalo.»
José Mário Silva, Ler

Quando o Diabo Reza

de Mário de Carvalho

Propriedade Descrição
ISBN: 9789896711009
Editor: Tinta da China
Data de Lançamento: outubro de 2011
Idioma: Português
Dimensões: 143 x 199 x 15 mm
Encadernação: Capa dura
Páginas: 168
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789896711009

SOBRE O AUTOR

Mário de Carvalho

Mário de Carvalho nasceu em Lisboa em 1944. Licenciou-se em Direito e viu o serviço militar interrompido pela prisão. Desde muito cedo ligado aos meios da resistência contra o salazarismo, foi condenado a dois anos de cadeia, tendo de se exilar após cumprir a maior parte da pena. Depois da Revolução dos Cravos, em que se envolveu intensamente, exerceu advocacia em Lisboa. O seu primeiro livro, Contos da Sétima Esfera, causou surpresa pelo inesperado da abordagem ficcional e pela peculiar atmosfera, entre o maravilhoso e o fantástico.

Desde então, tem praticado diversos géneros literários – Romance, Novela, Conto, Ensaio, Crónica e Teatro –, percorrendo várias épocas e ambientes, sempre em edições sucessivas. Utiliza uma multiforme mudança de registos, que tanto pode moldar uma narrativa histórica como um romance de atualidade; um tema dolente e sombrio como uma sátira viva e certeira; uma escrita cadenciada e medida como a pulsão de uma prosa endiabrada e surpreendente.

Nas diversas modalidades de Romance, Conto, Crónica e Teatro, foram atribuídos a Mário de Carvalho os prémios literários mais prestigiados (designadamente os Grandes Prémios de Romance e Novela, Conto e Teatro da APE, o prémio do Pen Clube Português e o prémio internacional Pégaso de Literatura). Em 2020, foi distinguido com o Grande Prémio da Crónica e Dispersos Literários, da APE, pela obra O que Eu Ouvi na Barrica das Maçãs, e, em 2022, o seu De maneira que é claro... foi galardoado com o Grande Prémio de Literatura Biográfica Miguel Torga, da APE. Os seus livros encontram-se traduzidos em várias línguas.

Obras como Os Alferes, A Inaudita Guerra da Avenida Gago Coutinho, Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde, O Varandim seguido de Ocaso em Carvangel, A Liberdade de Pátio ou Epítome de Pecados e Tentações são a comprovação dessa extrema versatilidade.

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