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O Fim dos Estados Unidos da América - Epopeia

de Gonçalo M. Tavares
Editor: Relógio D'Água, novembro de 2025 ‧
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O Fim dos Estados Unidos da América é uma epopeia, satírica e distópica, que começa com a enigmática entrada da peste nos Estados Unidos da América.

Ted Trash, fascista, extremista de direita, e Left Wing, extremista de esquerda, serão os responsáveis por uma segunda guerra civil no país. Pobres e ricos terão problemas entre si, e não serão poucos.

No meio disto está Bloom, o herói da epopeia, que terá um destino terrível, mas tentará, até ao fim, salvar a América, tendo sempre na cabeça a imagem de uma bela mulher, a mexicana La Rosa, que um dia conheceu num estádio.

São várias as personagens desta epopeia. Johnston Bonne, engenheiro informático, maluco em absoluto, anarquista, tentará com processos alquímicos, e alguns fumos e festas exuberantes, ajudar o país. Jonathan & Mary, ativistas, no meio de tendas e algum nudismo, tentarão até à última lutar pelas suas utopias. Tirésias, profeta cego, fará oráculos decisivos. O Dr. Robert, cientista, amigo de Bloom, tentará, com o seu racionalismo, e por vezes com Deus a ser chamado, uma solução. James, o coveiro, exercerá a sua função de forma exemplar, e Mack Morris, um adorador de nuvens, andará por lá, nem sempre a olhar para cima. Moscas tsé-tsé, borboletas e búfalos entrarão também, com diferentes papéis, nesta epopeia.

Esta é uma tragédia greco-americana. Pensamentos e ações, se os Deuses quiserem, estarão, portanto, presentes.
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«O Fim dos Estados Unidos da América – Epopeia»

Gonçalo M. Tavares brinda-nos com mais uma exploração radical das tensões políticas, sociais e filosóficas, ampliando o seu universo literário marcado por distopias, sátiras e reflexões sobre o destino humano: O Fim dos Estados Unidos da América – Epopeia.

A epopeia inicia-se com a chegada misteriosa da peste ao país. Ted Trash, representante da extrema-direita, e Left Wing, da extrema-esquerda, desencadeiam uma nova guerra civil, acentuando conflitos entre pobres e ricos. No centro da narrativa surge Bloom, herói trágico que tenta salvar a nação, sempre marcado pela lembrança de La Rosa, a mexicana que conheceu num estádio.

Entre as diversas figuras que compõem este universo estão Johnston Bonne, engenheiro anarquista e excêntrico; Jonathan e Mary, ativistas utópicos; Tirésias, profeta cego, o Dr. Robert, cientista racionalista e Mack Morris, contemplador de nuvens, além de animais simbólicos como moscas tsé-tsé, borboletas e búfalos.
Como estamos perante uma tragédia greco-americana, destino e intervenção divina moldarão pensamentos e ações.
Tudo começa aos poucos, levemente, com um jogo de futebol americano:



A nação pára. A ansiedade é grande. Todos se preparam para o direto na televisão. Os Yankees jogam contra os Los Angeles Rams

1.
No início era o futebol americano, coisa bruta mas séria.

Uma máquina colocada nas salas de famílias sensatas e inteiras,
nos bares e nas montras de algumas lojas, a televisão.
Nada nação americana, dois metros de cérebro acima
do território, está imune ou indiferente ao jogo decisivo em direto.

2.
Metade dos Estados Unidos da América ali está,
em termos de temperamento e posição,
com uma calma do catano, estritamente falando;
imobilidade que só não aprofunda porque o ecrã
não tem nuca – só superfície, pele que se dá a ver.

3.
Mas vejamos o que se vê em direto na TV.

Um sistema nervoso incipiente, nesse crânio oval sem tronco,
que saltita em ângulo imprevisível acima do retângulo
absolutamente americano, a bola – eis uma definição possível.
Entre pancadas de punho e lançamentos longos e violentos
que só de ver parecem suficientes para abrir ao meio,
    e para sempre,
a preguiçosa clavícula do narrador,
esse sistema nervoso oval, só exterior e sem uma ideia, a bola,
ela mesma, exige a atenção quase imediata sem intermitência
do sistema ótico do raciocínio, mente e alma, caso ela exista,
dos cidadãos sentados, republicanos e democratas.

4.
Bloom ali está também, sim, aquele que mais tarde salvará a
          nação,
mas na própria bancada, cadeiras em L largo:
bota rabo em reta posição, costas em curva para a frente,
que belo; está quase em yoga position.
Creonte, esse, com pés em batuque
de adepto feio dançarino do tornozelo para baixo.
Os dois tanto estão atentos como os mil e muitos ali ao lado.

5.
A beleza, já se sabe, não necessita de expectativa: é algo
que se aloja no presente e ali fica; por vezes ocupando
o tempo por completo como um recipiente por água
   preenchido até ao topo.
Já o jogo não é apenas fenómeno estético. Ninguém fica hora
e meia, duas horas, diante de uma formusura qualquer,
mesmo que ela se mova. É necessária incerteza, expectativa,
ansiedade e, acima de tudo, uma tomada de
posição lúdica mas política: por quem a minha alegria se inclina,

eis a questão simples, mas central,
em Bloom, Creonte, e em cada um dos senhores sentados,
    no estádio ou em casa;
no jogo ou na política, na morte das mortes ou na vida entusiasta.


Gonçalo M. Tavares, O Fim dos Estados Unidos da América - Epopeia, Relógio D'Água, novembro de 2025, pp. 19-21

O Fim dos Estados Unidos da América - Epopeia

de Gonçalo M. Tavares

Propriedade Descrição
ISBN: 9789897836466
Editor: Relógio D'Água
Data de Lançamento: novembro de 2025
Idioma: Português
Dimensões: 157 x 235 x 38 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 912
Tipo de produto: Livro
Coleção: Obras de Gonçalo M. Tavares
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Poesia
Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789897836466

Obra-prima

André Lamas Leite

Um dos livros mais bem conseguidos que li nos últimos tempos e uma obra-prima do grande Gonçalo M. Tavares. De uma beleza e de uma crítica mordaz difíceis de superar e uma chave para a leitura dos tempos atuais em que com Trump ao leme, os EUA são uma realidade diversa do que vinham sendo nas últimas décadas.

Um estrondo!

Manuel Mesquita

Como nos habituou Gonçalo M Tavares, este é mais um livro extraordinário - volumoso, sem dúvida - que desafia todas as definições e que nos dá um retrato assustador do que os EUA se têm vindo a tornar...

O Fim dos Estados Unidos da América — Epopeia

André Silva

A obra de Gonçalo M. Tavares, "O Fim dos Estados Unidos da América — Epopeia", é uma reflexão visceral e fragmentada sobre a queda de um império simbólico e a falência dos sistemas modernos. Com uma escrita despojada, o autor desconstrói a ideia de progresso, revelando a crueza da condição humana perante o caos e a obsolescência das instituições. Não é apenas uma narrativa política, mas um exercício filosófico que questiona a fragilidade da civilização e a persistência do instinto sobre a razão. A estrutura épica, reinventada, obriga o leitor a confrontar o absurdo de um mundo em constante decomposição moral. É, sem dúvida, um dos textos mais densos e inquietantes da literatura contemporânea portuguesa, marcando pela sua lucidez impiedosa.

Brilhante

Isabel Duarte Pires

Uma epopeia, uma distopia, uma sátira à sociedade ocidental, na escrita brilhante de um autor português. A peste chegou aos Estados Unidos da América. E eu senti-me levada pela mão, num turbilhão de palavras , expressões e imagens que me deixaram a pensar "não poderia ter escolhido livro melhor para terminar o ano".

O futuro já tinha chegado

BM

Há professias que se auto-realizam. Contos do futuro que, estranhamente, ouvimos em rodas na escola. Quando a utopia se esvai com o passar das páginas, a realidade como a conhecemos e vivemos, parece ser mais branda que o caos do Apocalipse não só dos EUA mas, da bondade e do bom senso. Com a esperança que o fim não se repita(?) ou sequer se esqueça... A última página já terá sido escrita?

SOBRE O AUTOR

Gonçalo M. Tavares

Gonçalo M. Tavares é autor de uma vasta obra que está a ser traduzida em mais de sessenta países. A sua linguagem em rutura com as tradições líricas portuguesas e a subversão dos géneros literários fazem dele um dos mais inovadores escritores europeus da atualidade. Recentemente, Le Quartier (O Bairro), de Gonçalo M. Tavares, recebeu o prestigioso Prix Laure-Bataillon 2021, atribuído ao melhor livro traduzido em França, sucedendo assim à Nobel da Literatura Olga Tokarczuk, que recebeu este prémio em 2019, e ao escritor catalão Miquel de Palol. Ainda em 2021, O Osso do Meio foi também distinguido no Oceanos, um dos mais relevantes prémios de língua portuguesa. De entre a sua vasta bibliografia, vinte e duas das suas obras já foram distinguidas, em diversos países. Foi seis vezes finalista do prémio Oceanos, tendo sido premiado três vezes. Foi ainda duas vezes finalista do Prix Médicis e duas vezes finalista do Prix Femina, entre outras distinções de relevo, como o Prix du Meilleur Livre Étranger em 2010. Saramago vaticinou-lhe o Prémio Nobel. Vasco Graça Moura escreveu que Uma Viagem à Índia dará ainda que falar dentro de cem anos. A The New Yorker afirmou que, tal como em Kafka e Beckett, Gonçalo M. Tavares mostrava que a «lógica pode servir eficazmente tanto a loucura como a razão».

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