O Diabo que nos Guarda

de Xavier Velasco
Editor: Oficina do Livro, março de 2007 ‧
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Jovem, bonita, cem mil dólares na mochila e uma imensa vontade de viver. Quem precisa de um anjo-da-guarda?

O Diabo que nos guarda é a história de Violetta, uma jovem de quinze anos que atravessa a fronteira do México com mais de 100 mil dólares roubados aos pais, e desembarca em Nova Iorque, onde sobrevive quatro anos rodeada de todos os luxos e gastando quilos de dinheiro malfadado. Para assegurar o seu ritmo de vida, ainda mais acelerado pelo pó branco, Violetta aprende a engatar homens nos salões dos melhores hotéis. Esta protagonista, «uma mulher inconveniente», nas palavras de Velasco, não respeita leis nem limites mas conhece as regras do jogo e sabe quando deve lançar os dados. O que ela não sabe é que um dia pode ser tarde de mais…

"Escreve que te amo e que rezo por ti, Diabo Guardião. Diz-lhes que ninguém senão tu pode escrever a minha vida, que por isso a estou a pôr nas tuas mãos, e que no fundo não me atrevo nem a duvidar de que, ainda que já não me vejas, vais continuar ali, no teu lugar, pronto para me livrar de todo o mal, ámen. Inventa o que quiseres, muda todas as coisas de que não gostes, mas isso sim: não permitas que me arrependa de nada."

O Diabo que nos Guarda

de Xavier Velasco

Propriedade Descrição
ISBN: 9789895552603
Editor: Oficina do Livro
Data de Lançamento: março de 2007
Idioma: Português
Dimensões: 151 x 232 x 24 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 472
Tipo de produto: Livro
Coleção: Ficção Estrangeira
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789895552603

Inteligente

Sílvia Miranda

Violetta foge, sim, mas cada deslocação parece menos um gesto de liberdade e mais uma tentativa de permanecer em estado de movimento para não ter de habitar a própria consciência. O livro tem essa inteligência: percebe que há pessoas que não procuram um destino; procuram apenas velocidade suficiente para não serem alcançadas por si mesmas. O que mais me marcou foi a forma como Xavier Velasco constrói a linguagem como extensão da personagem. A voz de Violetta não descreve o mundo — ela invade-o. Exagera, seduz, inventa, dramatiza, interrompe-se. Há momentos em que parece que ela fala para convencer o leitor; outros em que parece falar para se convencer a si própria. E talvez seja aí que o livro encontra a sua verdade. Porque Violetta não mente no sentido simples. Ela transforma. Reescreve. Dá brilho ao que dói e cinismo ao que a vulnerabiliza. O romance percebe que narrar também pode ser uma forma de sobrevivência. Há uma frase silenciosa que senti durante a leitura inteira: se eu conseguir contar a minha vida com estilo suficiente, talvez ela faça sentido. Literariamente, gosto muito de como Velasco evita moralizar. Seria fácil escrever Violetta como símbolo da decadência, do consumismo, da juventude perdida. Mas ele não a castiga nem a absolve. Observa-a. Deixa que o excesso revele o vazio sem precisar de o explicar. Também me parece um romance profundamente sobre classe — mas não no sentido económico mais direto. É sobre o desejo de entrar num mundo imaginado, elegante, cosmopolita, onde ninguém conhece a tua origem e onde o dinheiro funciona como sotaque social. Violetta quer pertencer a um lugar que existe mais na fantasia do que na geografia. E o livro tem coragem de mostrar uma coisa desconfortável: que às vezes o desejo realizado continua a não chegar. Pessoalmente, o que ficou comigo não foi nenhuma cena específica. Foi a sensação de estar diante de uma personagem que transforma cada escolha numa performance porque tem medo do que sobra quando acaba o espetáculculo

Este livro custa apenas € 3 (três euros!!!) e vale bem a pena lê-lo

Andreia M.

Ótima relação qualidade/preço... Este livro custa apenas € 3 (três euros!!!) Confesso que tive algumas dificuldades com a leitura deste livro. A linguagem e o enredo levaram algum tempo a conseguir envolver-me. A protagonista Violleta é completamente inócua, supérflua, imatura, mimada, irritante... e é impossível não terminar o livro apaixonada por ela (pois que tenho uma paixão por anti-heróis...). Os capítulos dos livros vão intercalando-se entre a vida de Violetta e de Pig, mas os capítulos de Pig (que é o escritor da estória) são extremamente aborrecidos e pomposos comparados com a roleta russa dos da Violetta. Acabei rendida à visão acutilante e ácida da protagonista e à sua, por vezes triste, procura por si mesma.

Interessante

carolina Marques

Um livro com um tema diferente do que estou habituada a ler , mas meso assim achei interessante. A personagem principal é fantastica e dá sempre a volta por cima.

Recomendo!

Irene Vanesaa

É um livro com uma capa muito interessante e tem uma escrita muito fluente logo é de fácil leitura!! Adorei!

Interessante.

Rúben Pina

A história de Violetta é viciante. Uma jovem problemática e carismática. Adorei.

Cada um com o seu diabo guardião

Miss Thirteen

A personagem da nossa Violetta, que realmente conseguiu tornar-se na personalidade que a sua verdadeira identidade idealizava, é toda uma evolução que nos deixa presos à história logo desde o início. A linguagem do livro além de fácil é também de leitura corrida e corrente, deveras "trendy" e com um toque agridoce porém divertido. Muito actual e também com uma certa controvérsia, é o que penso serem os factores cruciais, essenciais e completamente característicos desta obra. As expressões utilizadas são facilmente memorizadas pelo leitor, e algumas chegam mesmo a fazer parte do nosso vocabulário dali em diante sem sequer nos darmos conta. É um género de leitura que nos prende e nos deixa na ansiedade de continuar a ler, não apenas pela curiosidade do desfecho deste mas, (quem sabe) porque também um pouco de cada um de nós é capaz de se identificar com as personagens ou situações relatadas no livro. É uma leitura muito actual, capaz de agradar a um vasto público quanto à questão de idades e com uma história que facilmente se poderia tornar cliché, mas com tudo aquilo que se lhe é envolvido torna então este livro numa obra completamente diferente. Leva-nos sim um pouco ao Inferno, até ao nosso próprio inferno. À tortura. É feito de referências ao certo e errado, ao pecado, aos diferentes demónios de cada um, e principalmente a um "certo diabo" que guarda aquele que acha merecedor. Ou que talvez seja escolhido por nós, para que possamos encostar o ombro em alguém que nos guarde com mais confiança e justiça.

Page Turner

Fábio Lavos Martins

Um livro longo, difícil de classificar,mas que,para começar tem o mérito de nos agarrar à leitura de uma forma muito consistente. Não o faz na primeira página,mas rapidamente o universo de violeta nos captura entre a curiosidade e a repulsa. Violeta é uma personagem cheia de anacronismos. Acompanhamo-la durante bastante tempo na vida,mas a verdade é que não senti que o autor a fizesse crescer/amadurecer efectivamente durante a vida. Essa é uma das coisas que me desagradou no livro,para além de muitos dos diálogos me parecerem algo forçados. De qualquer forma é claro o motivo pelo qual ganhou o prémio alfaguara. É um livro ousado, que tenta ir longe é que,nalgumas alturas o consegue. E que justifica plenamente o tempo dispendido na sua leitura

Longo, mas interessante

Luis Costa

Representa a frieza do mundo real, a corrupção dos costumes e a transformação de uma "ovelha negra" numa mulher independente. É preciso algum tempo para começar esta história, mas assim que começamos a entender a personagem e, de certo modo, nos identificamos com ela, a história flui natural e freneticamente.

SOBRE O AUTOR

Xavier Velasco

Xavier Velasco nasceu em San Ángel, a sul da Cidade do México, em 1959. Inscreveu-se em dois cursos universitários - Letras e Ciências Políticas -, licenciaturas que não chegou a concluir, tentado pelo vício secreto da escrita. Dedicou-se ao jornalismo, à publicidade e à programação electrónica até conseguir entregar-se inteiramente à literatura. Publicou o ensaio Una banda nombrada Caifanes (1990); o romance Cecília (1994); Luna llena en las rocas.Crónicas de antronautas e licántropos (2000). Com O Diabo que nos guarda, Xavier Velasco recebeu o Prémio Alfaguara de Romance 2003.

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