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O Declínio da Mentira e a Alma do Homem e o Socialismo

de Oscar Wilde
Editor: Relógio D'Água, março de 2012 ‧
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Gozar a Natureza! Alegra-me poder dizer que se trata de uma faculdade que eu perdi completamente. Dizem-nos que a Arte nos faz amar a Natureza mais do que a amávamos antes; que nos revela os seus segredos; e que, depois do estudo atento de Corot e de Constable, passamos a ver nela coisas que tinham escapado à nossa observação. A minha própria experiência é que, quanto mais estudamos a Arte, menos nos ocupamos da Natureza. O que a Arte realmente nos revela é a ausência de propósito na Natureza, as suas curiosas grosserias, a sua monotonia extraordinária, a sua condição absolutamente incompleta. A Natureza tem boas intenções, evidentemente, mas, como disse uma vez Aristóteles, não é capaz de as levar por diante1. Quando olho para uma paisagem, não posso impedir-me de ver todos os seus defeitos. É, todavia, uma sorte para nós que a Natureza seja tão imperfeita, uma vez que de outro modo, pura e simplesmente, não teríamos arte. A Arte é o nosso protesto enérgico, a nossa denodada tentativa de ensinarmos à Natureza o lugar que lhe é adequado. Quanto à variedade infinita da Natureza, trata-se de um puro mito. É coisa que, na própria Natureza, não se encontra. Reside na imaginação, ou na fantasia, ou na cegueira cultivada do homem que olha para ela.

O Declínio da Mentira e a Alma do Homem e o Socialismo

de Oscar Wilde

Propriedade Descrição
ISBN: 9789896412852
Editor: Relógio D'Água
Data de Lançamento: março de 2012
Idioma: Português
Dimensões: 152 x 233 x 8 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 104
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Ensaios
EAN: 9789896412852

SOBRE O AUTOR

Oscar Wilde

Oscar Wilde nasceu a 10 de outubro de 1854. Foi o segundo filho de um casal irlandês residente em Dublin.
Em 1871 recebeu uma bolsa para frequentar o Trinity College de Dublin, onde começou a construir a sua persona, com o culto dos pré-rafaelitas, as roupas de dandy e o desafio às convenções.
É neste período que Wilde conhece as obras de Keats, Flaubert e Pater, embora, como disse mais tarde, já houvesse percorrido mais de metade do caminho quando os encontrou. Três anos depois está a frequentar Estudos Clássicos em Oxford.
É influenciado por dois professores de Belas-Artes, John Ruskin e Walter Pater.
Em 1879 já está a residir em Londres, onde se tornará conhecido pelo brilho das conversas e a frequência dos teatros. Escreve Vera ou os Niilistas, que não chega a ser representada, e em 1881 publica Poems.
Em 1884, casa com Constance Lloyd, uma herdeira inteligente e culta, interessada em literatura infantil e de quem teve dois filhos. A partir de 1886, Wilde assume abertamente a sua homossexualidade.
Colabora com a Pall Mall Gazette, publica O Retrato do Sr. W. H., contos como O Príncipe Feliz, e ataca o realismo no ensaio O Declínio da Mentira.
Em 1891 surge O Retrato de Dorian Gray. O romance celebra o esteticismo, critica os seus riscos e aborda pela primeira vez a homossexualidade na literatura inglesa. No mesmo ano publica A Alma do Homem e o Socialismo.
Em 1892, edita O Leque de Lady Windermere, o seu primeiro êxito teatral. Regressa a Paris, onde conhece Mallarmé, Schwob, e tem longas conversas com André Gide.
Mas Uma Mulher sem Importância faz que até alguns dos mais renitentes lhe reconheçam o talento. E é então, no auge da sua glória, que conhece Lord Alfred Douglas, Bosie para os íntimos, vinte anos mais novo do que ele, de gostos vulgares, caprichoso e manipulador. Em apenas dois anos, Wilde é levado à falência com presentes caros, jantares requintados e viagens.
É o começo do fim. Embora escreva ainda Um Marido Ideal, Uma Tragédia Florentina e A Importância de Ser Earnest, a vida criativa de Wilde começa a estiolar-se.
O autor de O Declínio da Mentira vai deixar-se instrumentalizar pelo seu amante no conflito que o opõe ao pai, John Sholto Douglas, marquês de Queensberry.
Em 1895, por instigação de Alfred, Wilde toma a iniciativa de um processo judicial contra Sholto. Ganha o primeiro processo, de que sai, no entanto, relacionado com «atos de grave indecência». O desfecho de um terceiro julgamento é a sua condenação a dois anos de trabalhos forçados.
É na prisão que escreve De Profundis.
Libertado, abandona imediatamente Inglaterra, adota o nome de Sebastian Melmoth e instala-se num modesto hotel de Paris.
Wilde morreu em novembro de 1900, após dois meses de doença. Diz-se que, tal como Tchékhov, de quem quase tudo o separava, pediu champanhe pouco antes de expirar, comentando: «Estou a morrer acima das minhas possibilidades.»

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