O Cerejal

Comédia em quatro actos

de Anton Tchékhov
Editor: Campo das Letras, outubro de 2007 ‧
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Estreado no âmbito do XXX FITEI, o delicado mosaico de "O Cerejal" montado por Rogério de Carvalho regressa - justamente - ao TeCA. A convite do Ensemble, o encenador voltou, pela terceira vez na sua carreira, a imergir na atmosfera crepuscular da última peça de Anton Tchékhov, munido da depurada tradução de António Pescada que agora é disponibilizada ao público, como primeiro título da Colecção TNSJ da editora Campo das Letras. Correspondendo à energia inconcebível com que o dramaturgo escreveu "O Cerejal" num momento em que enfrentava grande sofrimento e sentia já a morte no seu encalço, a encenação de Rogério de Carvalho afirma a comovente vitalidade que se gera mesmo (ou principalmente!) em desesperantes momentos de crise. Com a produção deste texto cujo silencioso (e, neste caso, também invisível) protagonista é um enigmático pomar de árvores sempre em flor, o Ensemble dá mais um passo no interior do universo tchekhoviano, depois de ter produzido com a ASSéDIO e o TNSJ um memorável "O Tio Vânia" (enc. Nuno Carinhas, 2004). Teatro Nacional São João

"TROFÍMOV: Se a propriedade foi hoje vendida ou não, que diferença faz? Ela já acabou há muito tempo, não há regresso, já o caminho se cobriu de ervas. Acalme-se, minha querida. Não deve enganar-se a si mesma. Ao menos uma vez na vida, deve encarar a verdade de frente.

LIUBOV ANDRÉIEVNA: Qual verdade? A si parece-lhe claro onde está a verdade e onde está a mentira; mas parece que perdi a vista. Não vejo nada. Você resolve ousadamente todos os problemas importantes, mas diga-me, meu querido, isso não será porque é jovem, porque ainda não sofreu com nenhum dos seus problemas? Olha ousadamente em frente, mas não será isso porque não vê nem espera nada de horrível, porque a vida ainda está oculta aos seus olhos jovens? Você é mais corajoso, mais honesto, mais profundo do que nós, mas pense bem, seja ao menos um pouco indulgente, poupe-me. Eu nasci aqui, aqui viveram o meu pai e a minha mãe, o meu avô, amo esta casa, não compreendo a minha vida sem o cerejal, e se é preciso vende-lo, então vendam-me juntamente com ele…"

O Cerejal

Comédia em quatro actos

de Anton Tchékhov

Propriedade Descrição
ISBN: 9789896252106
Editor: Campo das Letras
Data de Lançamento: outubro de 2007
Idioma: Português
Dimensões: 193 x 125 x 13 mm
Encadernação: Capa dura
Páginas: 84
Tipo de produto: Livro
Coleção: Campo do Teatro
Classificação Temática: Livros em Português > Arte > Artes de Palco
Livros em Português > Literatura > Teatro (Obra)
EAN: 9789896252106

SOBRE O AUTOR

Anton Tchékhov

Anton Tchékhov nasceu em Taganrog, no sul da Rússia, no dia 29 de janeiro de 1860, filho de um comerciante. A sua família mudou-se para Moscovo em 1876 devido à falência do pai, mas Anton permanece na sua cidade natal para terminar o liceu. Assim, só três anos mais tarde se juntou à família em Moscovo, onde se matricula na faculdade de Medicina. Para ajudar financeiramente a família, Tchékhov faz pequenos trabalhos jornalísticos e as primeiras tentativas literárias. Termina os estudos de Medicina em 1884 e começa a exercer nos arredores de Moscovo.
A sua primeira narrativa é publicada num jornal humorístico em 1880, desencadeando uma intensa colaboração de Anton com diversas publicações. Os seus primeiros textos dramáticos datam do final da década de 1880 ("Ivánov").
No ano de 1892 compra uma casa no campo, em Mélikhovo, para onde se muda com a família. Três anos mais tarde visita Tolstoi, cujas ideias irão exercer uma forte influência e um grande fascínio sobre Tchékhov.
Por motivos de doença, muda-se para Ialta, em Crimée. É no final da sua vida que escreve as três peças que o consagram como grande dramaturgo: "A Gaivota" em 1896, "As Três Irmãs" em 1900 e "O Cerejal" em 1903. Em 1904 parte para a Alemanha com a atriz Olga Knipper, com quem casara em 1901, morrendo no mês de julho em Badenweiler, na Floresta Negra. Hoje é reconhecido como um dos maiores escritores russos.

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