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O Castelo do Homem Ancorado

de J. K. Huysmans; Tradução: Aníbal Fernandes

editor: Sistema Solar, julho de 2018
O livro atravessa-se de sonhos, compraz-se com a descrição das mais delirantes formas da incomunicabilidade, do drama do homem vivo que come e é comido.

Solteiro, misógino, com um azedume que lhe chegava das rotinas de manga-de-alpaca no Ministério do Interior, assim foi sentido J.-K. Huysmans nos seus trinta e três anos de vida literária. Muito afamado na prosa, houve muito perto dela a legenda de uma audácia com que entreteve à mesa dos cafés de Montmartre um discurso onde se cruzavam as ironias e as frustrações do celibatário. No seu Livre des Masques, Rémy de Gourmont regista-o numa dessas cavaqueiras: «Inventava as metáforas mais atrevidas para traduzir experiências e preocupações sexuais, e as mais sujas também. São castos os seus livros, se os compararmos com as conversas que ele animava.»
Na literatura, onde deixou o seu nome flamengo semi-inventado (o verdadeiro era Charles Marie Georges Huysmans [Paris, 5 de Fevereiro de 1848-Paris, 12 de Maio de 1907]) bebido numa ilustre cepa de pintores da Flandres, foi exemplo de um notável domínio da palavra. E com essa frase «pintada», que pretendeu sentir como metamorfose em escrita da pincelada flamenga, pretendeu terçar armas pelo naturalismo — quase uma obrigação, um preço exigido pela sua convivência apertada com Émile Zola.
[…]
Em 1887, com um intervalo de poucos meses publicava Un Dilemme, novela nada menos do que fuliginosa, e este En Rade (que à letra significa apenas ancorado mas o título português complica, por razões estéticas e comerciais, chamando-lhe O Castelo do Homem Ancorado). A sua inspiração ainda vagueia numa fronteira que não se declara aberta ao satanismo, mas é nitidamente banhada pelos seus reflexos. [...]
O Castelo do Homem Ancorado é, no entanto, um estranho casamento.

Faz a sombra de um cenário gótico entender-se à força com uma anedota naturalista de tédio urbano. O habitual discurso celibatário do autor corre agora por sonhos com um traçado baudelaireano, interroga-se com angustiada nevrose sobre as naturezas do mundo onírico.

[Aníbal Fernandes]

O Castelo do Homem Ancorado

de J. K. Huysmans; Tradução: Aníbal Fernandes

Propriedade Descrição
ISBN: 9789898833280
Editor: Sistema Solar
Data de Lançamento: julho de 2018
Idioma: Português
Dimensões: 151 x 207 x 15 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 208
Tipo de produto: Livro
Classificação temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789898833280
J. K. Huysmans

Georges Charles Marie Huysmans nasceu em Paris em 1848, mas sempre assinou as suas obras com uma versão flamenga do seu nome, JORIS-KARL, inspirada na ascendência do pai, procedente de uma linha de artistas. Amigo e discípulo de Zola e de Maupassant, cedo ultrapassará a escola naturalista, pelo seu estilo e singularidade. Caracteriza-se por uma expressão vigorosa e uma contínua devoção a temas artísticos, que impregnam a sua obra. A sua surpreendente adesão ao Catolicismo escandalizou os meios literários parisienses, que ele abandona ao retirar-se para viver como irmão oblato em Igny en le Marne. Depois da expulsão das ordens religiosas, regressa a Paris, onde vem a morrer, em 1907, de doença prolongada, suportada com abnegação cristã. A autenticidade de Huysmans e a originalidade do seu estilo levam a que até hoje seja objeto de um culto que ultrapassa o âmbito literário.

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