Não se Foge à Noite que Cai
SINOPSE
Anos depois, um prisioneiro regista as suas últimas 12 horas de vida num caderno. O ambiente prisional está em polvorosa: um dos reclusos foi encontrado morto na cela. O mistério adensa-se, porque o prisioneiro que escreve nunca revela o seu nome. Qual é a sua identidade? Que crime o conduziu à prisão?
Duas histórias vertiginosas que apenas no final se cruzam, revelando-se duas faces da mesma moeda. Neste drama psicológico, tenso e viciante, cheio de reviravoltas, o autor volta a mostrar o seu toque humano e sensível ao retratar os grandes desafios da vida. E o epicentro de tudo é o Verão Quente de 1975, com a sociedade portuguesa dividida e à beira da guerra civil.
DETALHES
| Propriedade | Descrição |
|---|---|
| ISBN: | 9789899185760 |
| Editor: | Oficina da Escrita |
| Data de Lançamento: | dezembro de 2023 |
| Idioma: | Português |
| Dimensões: | 149 x 230 x 24 mm |
| Encadernação: | Capa mole |
| Páginas: | 348 |
| Tipo de produto: | Livro |
| Classificação Temática: |
Livros em Português
>
Literatura
>
Romance
|
| EAN: | 9789899185760 |
OPINIÃO DOS LEITORES
Uma extraordinária experiência de leitura
Cristina S. Santos
"Não se foge à noite que cai" é, seguramente, um daqueles livros que recomendo aos amigos que ainda têm livros (em papel) à cabeceira. Vá, são alguns. Na verdade, o entusiasmo e a curiosidade, no meu caso, foram crescendo, à medida que os números das páginas iam subindo. O enredo é muito bem conseguido, especialmente pelo cruzamento de histórias tão singulares, perfeitamente verosímeis. A técnica da alternância funciona como uma espécie de provocação ao leitor. O nó que ata as duas histórias só se desfaz no fim (o que era expectável), através de revelações inesperadas. Excelente! Muito interessante também é o salpicar da intriga com referências a factos da história do país, e não só, particularmente no período que logo se seguiu à revolução de 74. Recordo muito do que é relatado, apesar de, na época, estar apenas a entrar na adolescência. Lembro bem as notícias sobre os atentados contra as sedes dos partidos de esquerda. Lembro o cónego Melo (associei-o a Maximino), o PREC, o MFA, outras siglas e acrónimos que animaram esses tempos. Torna-se, ainda, inevitável constatar influências literárias, não só por referências explícitas a autores, mas também pela aproximação ao estilo de outros. Saramago deixou aqui um seguidor. Veja-se a ironia que atravessa a obra (Judas é um dos exemplos que retive), a inclusão de aforismos e provérbios, por vezes alterados (como o mestre gostava de fazer), os trocadilhos, a crítica… Sem esquecer, claro, a presença de um narrador extremamente interventivo. Concluindo, "Não se foge à noite que cai" foi uma extraordinária experiência de leitura. Prende o leitor, desde as primeiras páginas, revelando um autor exímio, profundo conhecedor das mais variadas áreas do saber. Ficção, História, tradição literária, tradição cultural, tudo se cruza de forma verdadeiramente brilhante. Parabéns ao autor!
Suspense até à última página
Miguel Serrano
Este livro é uma obra que se destaca pela sua profundidade emocional e pela habilidade em entrelaçar duas narrativas que, à primeira vista, parecem distintas, mas que se revelam interligadas de forma magistral. A jornada de Raul Cordeiro, um fotógrafo que retorna à sua terra natal, é uma reflexão poderosa sobre a memória, a perda e as complexidades das relações humanas. A ambientação no Verão Quente de 1975, um período tumultuado da história portuguesa, adiciona uma camada de tensão e relevância social à narrativa. A construção dos personagens é um dos pontos fortes do livro. Souto consegue transmitir a fragilidade e a resiliência do ser humano diante de adversidades, fazendo com que o leitor se conecte emocionalmente com suas lutas e dilemas. A alternância entre as duas histórias, especialmente a do prisioneiro que narra as suas últimas horas, cria um clima de suspense que nos mantém envolvidos até a última página. Gostei muito desta leitura e recomendo vivamente.
A não perder
César Pereira
Mais uma obra notável do autor de "Também há cores na escuridão" e "O sol na minha mão", que continua a evoluir e a surpreender enquanto romancista. A estrutura da obra é complexa, mas encontra-se tão bem apresentada que se torna fácil de acompanhar e estimulante na descoberta dos seus segredos. Baseia-se num enredo cheio de peripécias e reviravoltas, muito apelativo e que rapidamente seduz o leitor. Os espaços são bem descritos e as personagens são construídas com grande realismo. Ao mesmo tempo, como já acontecia nos romances anteriores, são apresentados elementos relevantes da história portuguesa recente, que contextualizam a ação e a tornam ainda mais significativa. As reflexões sobre questões existenciais, nomeadamente sobre a passagem do tempo e a memória, são um dos aspetos mais aprofundados nestas páginas e que, pessoalmente, mais me agradou. Dou os parabéns ao autor por mais esta conquista literária e recomendo vivamente a leitura desta obra, desejando que desperte nos leitores a vontade de conhecer melhor os livros anteriores – e os que ainda hão de vir.
Uma montanha-russa de emoções, ao nível dos melhores thrillers
Cátia Formosinho
Este livro não parou muito tempo na minha mesinha de cabeceira, mas pelas melhores razões. Foi um presente de Natal e devorei-o em três semanas. O início é mais lento, para criar o ambiente familiar do protagonista e descrever o viver do interior transmontano (há aqui uma reflexão sobre o que é isso de "ser português".) Aos poucos, as peripécias vão-se sucedendo de forma inesperada e queremos ler sempre mais e mais, pois o autor vai criando suspense de um capítulo para o outro. No final, fechamos o livro como quem sai de uma montanha-russa, perplexos ("o que foi isto que nos acabou de acontecer?"). Pelo meio, há lugar para umas tiradas de bom humor: "quem disse que havia becos sem saída não primava pela perspicácia, esqueceu-se da alternativa que é recuar". Em suma, o que na verdade me espanta neste livro é que não esteja no tops dos thrillers mais lidos no país.
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