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Mandriões no Vale Fértil

de Albert Cossery
Editor: Antígona, abril de 1999 ‧
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Por que razão deverá uma pessoa trabalhar, podendo evitá-lo? É nesta interrogação oriental que se alicerça toda a obra de Cossery.

Mandriões no Vale Fértil (1947), esgotado há vários anos, é o romance em que o autor dedica ao seu tema predilecto - o ódio sarcástico ao trabalho - uma maior amplitude filosófica. A mandriice, longe de ser um defeito, é cultivada como uma flor rara e preciosa pelas personagens deste livro.

Numa vivenda a pedir obras, nos arredores de uma grande cidade egípcia, mora uma família singular: um ancião, os seus três filhos e um tio que ali encontrou refúgio depois de ter delapidado toda a fortuna. Convictos de que o trabalho engendra apenas a desordem e a desgraça, descobrem que manter a doce sonolência que reina em casa é, afinal, uma árdua tarefa.

«Se o mundo se transformou numa coisa mal-humorada, isso deve-se sem dúvida ao facto de agora ser preciso muito dinheiro para viver. A vida é muito simples mas tudo conspira para a tornar complicada. É quando nos vemos livres da ambição do dinheiro, do orgulho ou do poder que a vida se revela formidável.»
Albert Cossery

Mandriões no Vale Fértil

de Albert Cossery

Propriedade Descrição
ISBN: 9789726081234
Editor: Antígona
Data de Lançamento: abril de 1999
Idioma: Português
Dimensões: 131 x 213 x 14 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 221
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789726081234
Idade Mínima Recomendada: Não aplicável

Insólito, maravilhosamente engraçado e pungente

MF

A par de um sarcasmo cínico e corrosivo, temos claro, como batuque de fundo, uma dolorosa verdade - o sono nada mais é que evasão de uma realidade que suga todas as forças vitais do homem em nome de um progresso crescente. O cansaço fácil, omnipresente -uma doença sem nome facilmente confundida com preguiça. A ânsia de vida, possibilidades - um grito interior contra o marasmo de uma existência tanto inerte (permitida pela herança) como estupidificante (por excessiva ação/ destino dos homens sob a égide da necessidade). O equilíbrio entre humor e dor na escrita de Cossery é sublime e, pelas entrelinhas, vai semeando uma espécie de compaixão.

Mandriões?

EH

Cossery é um senhor. Há que aproveitar porque escreveu poucos livros. O escritor da preguiça, como foi chamado, eternamente vivo e eternamente um preguiçoso cuja mente não pára. Todos os livros são fantásticos. Pudessemos nós viver ivremente como ele.

A fertilidade da preguiça

Maria Teresa Meireles

A vida de um outro ponto de vista - a desocentalização do modo de viver com um humor à Oblomov, o elogio da preguiça, do não-fazer (ou talvez não?)

SOBRE O AUTOR

Albert Cossery

Albert Cossery nasceu no Cairo em 1913 e viveu em Paris desde 1945, no mesmo modesto quarto de hotel, no bairro de Saint-Germain-des-Prés, onde veio a morrer em 2008. Escritor egípcio de língua francesa, amigo de Albert Camus, Lawrence Durrell e Henry Miller, estreou-se na ficção em 1940 com Os Homens Esquecidos de Deus. Depois disso editou apenas oito títulos — porque o autor, adepto da indolência, sempre fez questão de não ultrapassar as suas médias: uma linha por semana, um livro de oito em oito anos. Contemplado em 1990 com o Grande Prémio da Francofonia, atribuído pela Academia Francesa ao conjunto da sua obra, e em 2000 com o Prémio Mediterrâneo pelo seu último romance, As Cores da Infâmia, Albert Cossery tem vindo a ser descoberto geração após geração, e os seus livros estão traduzidos em inglês, alemão, árabe, checo, castelhano e português.

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