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Pão Seco

de Muhammad Chukri
Editor: Antígona, junho de 2021 ‧
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Quando a fome grassa no Rife, uma família parte para Tânger em busca de uma vida melhor. Nas noites passadas ao relento, nos becos da cidade, o pequeno Muhammad, orgulhoso e insolente, descobre a injustiça e a compaixão, a tirania da autoridade, a loucura labiríntica da miséria, o consolo das drogas, do sexo e do álcool. E é na prisão que um companheiro lhe desvenda as maravilhas da leitura, mudando para sempre a sua vida.

Estreia do autor em Portugal, em tradução directa do árabe, Pão Seco foi publicado originalmente em 1973, na tradução inglesa de Paul Bowles (For Bread Alone), quando os editores de língua árabe não estavam ainda preparados para o caos narrativo, a linguagem crua e a indisciplina gramatical que desafiavam a tradição e o «bom gosto».

«Verdadeiro documento do desespero humano» (Tennessee Williams), obra de culto proibida até recentemente nos países árabes por tocar em tabus da sociedade magrebina, este avassalador romance autobiográfico consagrou o autor e continua a iluminar o caminho de várias gerações de renegados marroquinos.

Pão Seco

de Muhammad Chukri

Propriedade Descrição
ISBN: 9789726083849
Editor: Antígona
Data de Lançamento: junho de 2021
Idioma: Português
Dimensões: 136 x 208 x 12 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 208
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789726083849

A Verdade Nua da Margem

Pedro Fernandes

Pão Seco é uma obra-prima absoluta pela sua crueza, honestidade radical e força literária. Chukri escreve sem filtros sobre miséria, violência e marginalidade, transformando a dor em literatura de alto impacto. A linguagem direta recusa romantizações e obriga o leitor a confrontar realidades invisíveis. É um livro duro, mas essencial, que afirma a dignidade da verdade e confirma Chukri como uma voz única e incontornável da literatura do século XX.

Brutal e imperdível

Isabel Duarte Pires

Chukri é natural das montanhas do Rife, em Marrocos. Este romance autobiográfico é o primeiro de uma trilogia e foca-se na infância e adolescência do autor: a fome, a violência do pai, a fuga para Tânger, a vida nas ruas, o mundo da prostituição, da droga, da marginalidade. É o retrato cru de uma sobrevivência marcada pelo instinto e desespero. " É a fome no Rife. A seca e a guerra. Uma tarde, não consigo parar de chorar. A fome dá -me dores. Chupo os dedos sem parar." Pão Seco é um murro no estômago. A dureza da vida que ele descreve, aquela infância marcada pela fome, violência, abandono, arranca-nos da nossa zona de conforto. Faz-nos refletir sobre quem somos e sobre o que poderíamos ter sido; sobre a vida que nos calhou em sorte e sobre as escolhas e caminhos que trilhamos na nossa vida. A escrita é brutal, sem desculpas nem vitimizações. Chukri apenas expõe a sua história, como quem despe a pele. Resta dizer, como curiosidade, que o autor aprendeu a ler apenas aos 21 anos. E fez das palavras um grito, um lugar de liberdade — talvez o único que verdadeiramente teve. Gostei muito e quero ler a trilogia, embora só tenha encontrado, até agora, os dois primeiros livros.

Livro duro

Cecília Carvalho

Livro autobiográfico em que o autor narra o percusso inicial da sua vida. É um livro duro, violento, que "choca", descreve a realidade sem floreados. Acredito que não é um livro apetecível para muitos leitores, mas eu gostei.

Pão Seco

Sérgio C.

Não pude evitar, no decorrer da leitura deste livro, uma comparação do estilo e tom do autor com o que fazia Charles Bukowski. Assinalam-se as devidas diferenças culturais, sociais e económicas, mas até a relação tempestuosa e destrutiva com o pai apresenta semelhanças. A crueza, coragem, honestidade e imoralidade do relato enchem todas as páginas do livro de Chukri e mostram-nos que em Tânger ou em Los Angeles a escapatória de uma sociedade que nos pode torturar e aprisionar de diversas formas pode revelar-se extremamente idêntica: uma fuga de cariz existencial, clandestina e solitária.

Uma obra magnífica

Paulo Jorge Teixeira Cavaco

Pão Seco de Muhammad Chukri é uma obra literária surpreendente, relatando as vivências de um jovem adulto, desde os 6 aos 20 anos, incluindo situações quotidianas que envolvem sexo, violência e consumo de drogas. Esta narrativa é uma obra de primeiro plano da literatura marroquina.

SOBRE O AUTOR

Muhammad Chukri

Muhammad Chukri (1935-2003) aprendeu a ler aos 21 anos. Nascido numa pequena aldeia nas montanhas do Rife, em Marrocos, durante os anos de ferro do protectorado espanhol, viveu uma infância e juventude marcadas pela fome extrema, a violência absurda e a fuga para a frente. Foi na escrita que encontrou refúgio e salvação: uma escrita «desde o interior da pobreza» (Bernardo Atxaga), dura e áspera, seca como o pão sem conduto, de uma ferocidade insaciável e amoralidade inclemente.

Escritor maldito, com uma obra breve e intensa, repleta de humanidade e amor à justiça, Chukri publicou novelas e colecções de contos — O Louco das Rosas (1979), A Tenda (1985) —, memórias dos dias de transgressão em Tânger, na companhia de Paul Bowles, Jean Genet, Tennessee Williams, Samuel Beckett e William Burroughs, bem como o segundo e terceiro volumes da sua singular autobiografia — O Tempo dos Erros (1992) e Rostos (2000) —, a de um pedinte, ladrão, contrabandista, professor universitário e boémio.

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