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Juvenília

Estudo crítico de Guido Battelli

de Florbela Espanca
Editor: Colares Editora, dezembro de 2007 ‧
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... qual é o valor da obra de Florbela Espanca? Eu já apontei algumas destas razões: o carácter de universalidade que apresenta o canto de florbela, o calor da sua inspiração, a sinceridade da sua comoção e o esplendor da sua forma literária, escreve Guido Battelli na Revista Alentejana. Contemporâneo de Florbela Espanca, Guido Battelli travou conhecimento com a poetisa com quem estabeleceu uma relação de cumplicidade. Professor de literatura italiana na Universidade de Coimbra, ao regressar ao seu país assumiu a tradução de grande parte da obra para italiano divulgando-a junto da imprensa. A sua profunda admiração pela poesia de Florbela Espanca levou-o a organizar a edição póstuma de Charneca em Flôr, Relíquia e juvenília. E, muito possivelmente a estar na origem das primeiras reedições do Livro das Máguas e do Livro de Soror Saudade. Graças ao trabalho insis-tente deste crítico a obra poética de Florbela Espanca grangeia o interesse do público para o que contribui na época, mais concretamente em Janeiro de 1931, um artigo de António Ferro no Diário de Notícias. O carácter confessional e afectivo da sua obra e uma grande proximidade do neo- -romantismo, justifica o grande interesse do público leitor até aos nossos dias.

Juvenília

Estudo crítico de Guido Battelli

de Florbela Espanca

Propriedade Descrição
ISBN: 9789727820801
Editor: Colares Editora
Data de Lançamento: dezembro de 2007
Idioma: Português
Dimensões: 159 x 231 x 7 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 84
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Outras Formas Literárias
EAN: 9789727820801

SOBRE O AUTOR

Florbela Espanca

Poetisa e contista. Depois de concluir os estudos liceais em Évora, frequentou a Faculdade de Direito de Lisboa. A abordagem crítica da sua obra poética, marcada pela exaltação passional, tem permanecido demasiado devedora de correlações, mais ou menos implícitas, estabelecidas entre o seu conturbado percurso biográfico - uma existência amorosa e socialmente malograda que culminaria com um suicídio aos 36 anos de idade -, e uma voz poética feminina, egotista e sentimental, singularmente isolada no contexto literário das primeiras décadas do século. Na verdade, a leitura mais imparcial das suas composições, entre as quais se contam alguns dos mais belos sonetos da língua portuguesa, permite posicioná-la quer na matriz de uma poesia finissecular que, formalmente, cruza caracteres decadentistas, simbolistas (são várias as referências na sua poesia a autores simbolistas) e neorromânticos (acusando a admiração por certos autores da terceira geração romântica, como Antero de Quental), "à maneira de um epígono de António Nobre" (cf. PEREIRA, José Augusto Seabra - prefácio a Obras Completas de Florbela Espanca, vol. I, Poesia, Lisboa, D. Quixote, 1985, p. IV), quer, ainda, pela forma como a vivência do amor promove, a cada passo, uma mitificação do eu, na senda de certos autores do primeiro modernismo como Sá-Carneiro, Alfredo Guisado ou António Botto. Por outra via, a da literatura mística, Florbela Espanca reata conscientemente ("Soror Saudade") com a tradição da literatura claustral feminina que recebera, no período de maior florescimento, uma marca conceptista, mantida na poética de Florbela por certa propensão para a exploração das antíteses morte/vida, amor/dor, verdade/engano. A imagem da mulher que sofre de ilusão em ilusão amorosa, que reitera até ao desespero a sua fatalidade, que dá expressão a uma existência irremediavelmente minada pela ansiedade e pela incompreensão, acabou por, na receção alargada da sua poesia, sobrepor-se a outros nexos temáticos com igual pertinência, como a dor de pensar e a aspiração à simplicidade ("Quem me dera voltar à inocência / Das coisas brutas, sãs, inanimadas, / Despir o vão orgulho, a incoerência: / - Mantos rotos de estátuas mutiladas!" ("Não Ser"); ou a forma como a busca do amor se volve essencialmente em busca de si mesma através dos estilhaços de um ser que não sabe ser sozinho: "Ó pavoroso mal de ser sozinha! / Ó pavoroso e atroz mal de trazer / Tantas almas a rir dentro da minha!" ("Loucura", in Sonetos). Florbela Espanca.

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