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Furriel não é Nome de Pai

Os filhos que os militares portugueses deixaram na Guerra Colonial

de Catarina Gomes
Editor: Tinta da China, maio de 2018 ‧
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«Filhos do vento»: as crianças que os militares portugueses deixaram na Guerra Colonial
Chamavam «resto de tuga» a Fernando e ele não percebia porquê; Adulai era acusado de tudo pelos irmãos e era sovado todos os dias pelo padrasto por ter nascido com a pele mais clara; e os gémeos Celestina e Celestino guardam, aos 40 anos, uma fotografia desbotada de um jovem militar que não os quer conhecer, nem com o incentivo da «Exma. Mana» portuguesa. Foi para ir atrás destas histórias que Catarina Gomes partiu para a Guiné-Bissau em 2013, levando na mala um dos maiores tabus entre os militares portugueses: os filhos da guerra, crianças que ficaram para trás depois da Guerra Colonial, e que chegaram ao mundo como filhas do «inimigo» e condenadas a não conhecer os pais. Além do círculo masculino de silêncios que os mantém afastados, estes filhos africanos são também ignorados pelo Estado português, que nunca fez um esforço por conhecer a dimensão desta realidade ou por lhes garantir quaisquer direitos. Estão há anos em busca de uma identidade perdida, mas esta é a primeira vez que alguém conta a sua história.

«Os filhos nascidos da guerra sofrem com a falta de conhecimento em relação aos seus pais biológicos. Os governos, assim como as instituições nacionais e internacionais, são incentivados a pôr de pé medidas que garantam o seu direito à identidade e, tanto quanto possível, a conhecerem os seus pais.»
(Recomendação da organização internacional Chibow: Children Born of War)

Furriel não é Nome de Pai

Os filhos que os militares portugueses deixaram na Guerra Colonial

de Catarina Gomes

Propriedade Descrição
ISBN: 9789896714369
Editor: Tinta da China
Data de Lançamento: maio de 2018
Idioma: Português
Dimensões: 141 x 209 x 18 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 224
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > História > História de Portugal
EAN: 9789896714369

Essencial

Ana

Este livro, tal como "Pai, tiveste medo?" da mesma autora, foca-se na guerra colonial relevando uma realidade menos conhecida, a dos filhos dos militares portugueses. É um trabalho jornalístico de grande profundidade que relata a angústia das mães e dos filhos no período pós-independência e mostra como a orfandade não tem idade. As feridas não terminaram com o cessar das armas, perpetuam-se na memória e nas relações familiares.

Órfãos de pais vivos...

José Carlos Carvalho

Cheguei ao livro através do programa da RTP homónimo. Fernando julgava saber que Furriel era nome do pai militar Português que as curvas da vida dele apartou. Quando compreendeu que era posto militar de tropa colonial, foi um precipício acrescentado às suas incertezas. A partir desse epifanico choque, obstina-se na descoberta destes mistérios que sobressaltam milhares de filhos de vento, feitos vidas desarrumadas da antiga África Portuguesa. Catarina Gomes escreve e descreve substancialmente bem estas histórias de Fernando e de outros mais que partilham destes destroços do Império Português, finado em 1974. Sempre com nobreza intencional na explicação de cada caso, Catarina abre-nos um mundo ignorado, e trambolhado para as catacumbas da memória coletiva, agora acessível, para que se possa fazer o luto ao desprezo calcado nestas vitimas dum tempo, que apesar de tão longo, nunca deixa de ser próximo na dor. Histórias de órfãos de pais vivos!..

Comovente

BD

Este livro surpreendeu-me e deixou-me triste com a situação de muitos filhos de ex-militares portugueses deixados à sua sorte nas antigas colónias. A autora fez um trabalho de investigação notável e nada fácil! Gostei como mostrou histórias com desfechos diferentes - desde pessoas que conseguiram estabelecer relação com parentes em Portugal, a outras que ficaram a pensar em quem seria o seu pai a vida toda. Foi também interessante poder ler sobre todas as perspectivas - das mães que engravidaram, dos filhos e de alguns militares, que por vergonha ou medo (por exemplo, de serem enganados) nunca quiseram assumir os filhos. Ainda há muitos tabus à volta da guerra colonial e este livro foi mais um passo para os desvendar. Recomendo!

Gostei bastante

Maria Oliveira

Uma investigação série que deu origem a este livro sobre um tema pouco falado, ou mesmo esquecido, do passado do nosso país.

Histórias da nossa gente

Alexandra Andrade

Livro que relata a história dos nossos jovens que foram obrigados a sobreviver à guerra longe da pátria e que por terras longínquas tentaram levar uma vida o mais familiar possível... com o terminar da guerra regressaram ao seu país de origem esquecendo a "família temporária" que para trás deixaram abandonada.

As histórias da história

Cristina Rodrigues

Uma investigação séria sobre um problema real e esquecido, transversal a todas as guerras: os chamados "filhos da guerra" esquecidos, marcados para a vida pela cor da pele, pelo estigma de serem filhos do "inimigo", crianças eternamente à procura de uma parte da sua identidade, de um pai sonhado e nunca encontrado. Histórias de pais que daqueles filhos nunca o foram, que construiram vidas que temem agora ver destruidas ou perturbadas por aqueles filhos que intuitivamente sabem poder ser seus, mas que não reconhecem. Um drama humano, um trauma para uns e outros....

Histórias da História de um país

Ana Lúcia Loureiro

Numa época de guerra, em que o tempo é absorvido com avidez, a juventude pulsa e cada dia é vivido como se fosse o último sem certezas do amanhã não é de estranhar que tais factos tenham acontecido. Parabéns para a investigadora que quis levantar esta ponta do véu a trazer à luz do dia uma realidade (e tantas histórias devem ter ficado por contar) que deve ser deslindada enquanto possível.

Histórias de Portugal

Luis Jorge

Muito interessante que alguém consiga com rigor tratar, expor e contar-nos histórias profundamente humanas e esquecidas ... Andamos afastados da história nacional e muitas coisas obrigam-nos a esse "afastamento", mas que interessante podermos REALMENTE contactar com esse esquecimento, e com o que ainda toca e afecta tantas pessoas e famílias. Livro indispensável para completar a literatura dedicada ao colonialismo em todas as suas vertentes.

SOBRE O AUTOR

Catarina Gomes

Catarina Gomes nasceu em Lisboa em 1975. É autora de quatro livros de não-ficção e de um romance. Com Furriel Não É Nome de Pai quebrou um tabu, contando pela primeira vez a história dos filhos que os militares portugueses tiveram com mulheres guineenses, angolanas e moçambicanas durante a Guerra Colonial portuguesa e que deixaram para trás. A obra deu origem a uma série documental da sua autoria, Filhos de Tuga (RTP1). Antes, em Pai, Tiveste Medo? abordara a forma como a experiência do conflito chegou à geração dos portugueses filhos de ex-combatentes. Em Coisas de Loucos mergulha nas vidas de oito doentes psiquiátricos a partir de objetos pessoais que estes deixaram para trás no primeiro manicómio português. O livro foi adaptado a teatro. O seu primeiro romance, Terrinhas, cujo fio condutor são as batatas que os pais da protagonista traziam todos os anos da aldeia de infância, venceu o Prémio Revelação Agustina Bessa-Luís. As quatro obras foram incluídas no Plano Nacional de Leitura. No seu último livro, Um Dedo Borrado de Tinta, conta a história de pessoas que nunca puderam aprender a ler. Foi jornalista do Público durante quase 20 anos. Tem o Master em Media and Communications pela London School of Economics. Recebeu alguns dos prémios nacionais mais importantes da área. Foi duas vezes finalista do Prémio de Jornalismo Gabriel García Marquez e foi-lhe atribuído o Prémio Internacional de Jornalismo Rei de Espanha. Foi uma das escritoras convidadas para o Iowa International Writing Program. O seu site é www.catarina-gomes.com

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