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Filosofia

de Paulo Tunhas
Editor: U.Porto Press, novembro de 2023 ‧
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"Os livros têm o seu fado, como diziam os romanos. No dia em que este me chegou às mãos, ainda em documento word, a última coisa que eu poderia imaginar era que ele ia sair como livro póstumo. Nessa altura, Paulo Tunhas ainda fervilhava de ideias, evitava falar das penosas cirurgias a que fora submetido e, como sempre, trabalhava, trabalhava muito, fazia horas a todos os títulos extraordinárias. Tinha na forja, dizia, um outro livro.

Entretanto, escrevera este: Filosofia. Sem mais. "À sua maneira", lê-se logo a princípio, o livro é "uma introdução à filosofia". Mas é mais, muito mais que uma introdução no sentido usual do termo. É um pensamento singular e coerentemente estruturado, uma filosofia norteada pela ideia de sistema, expressa numa linguagem depurada e num despojamento de estilo que o título espelha na perfeição. Aqui, o acessório foi rasurado, a erudição ficou de fora. Não resta senão o trapézio sem rede, suspenso na precisão dos conceitos e no rigor das inferências. Começando pela questão das questões — o que é pensar? —, o autor retoma um tema kantiano há muito aflorado nos seus escritos: a diversidade das maneiras de pensar, consoante o campo de objectos a que se aplicam. Não se pensam os átomos como as obras de arte, ou os golpes de estado. Natureza, beleza e liberdade são campos distintos.

Porém, a filosofia, sem elidir o que os separa, nem cair no delírio de um conhecimento sem vestígio de opacidade, aspira a articulá-los num todo. É dessa aspiração que nascem os sistemas. São esses os campos em que o pensar se ramifica. A elegância literária e a clareza com que Paulo Tunhas os percorre, um por um, é algo a roçar o inexcedível."
Diogo Pires Aurélio

Filosofia

de Paulo Tunhas

Propriedade Descrição
ISBN: 9789897463655
Editor: U.Porto Press
Data de Lançamento: novembro de 2023
Idioma: Português
Dimensões: 162 x 231 x 7 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 106
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Ciências Sociais e Humanas > Filosofia
EAN: 9789897463655

Profundidade e sutileza impressionantes

Leandro Ortolan

Este livro foi uma descoberta extremamente relevante para a minha vida acadêmica. Paulo Tunhas foi meu professor na FLUP e, confesso, um tanto desperdiçado por mim. Pois, a bem da verdade, não conseguia alcançar o que ele dava de melhor: possibilidades e liberdade, para que cada um de seus alunos percorresse seus próprios caminhos. E, assim, tardei ao perceber que poderia tê-lo demandado mais vezes, para meu próprio pesar e prejuízo. Tal perceção se deu, afinal, a ler este livro próstumo - Filosofia - e compreender, finalmente, tanto o pensamento único como a sua forma estrutural do Prof. Tunhas. Este livro, afinal, está entre os meus prediletos em Filosofia. Um achado, tardio, mas tão rico em presença, que certamente o imortalizou pelas escritas legadas. Recomendo: uma pérola que merece um lugar de destaque em qualquer biblioteca de Filosofia.

Os alicerces de uma atitude filosófica

Rui Teixeira

Neste livro, editado postumamente, Paulo Tunhas escapa ao que, convencionalmente, são livros de introdução à filosofia. Isto é, não se atém a autores ou escolas de pensamento, mas elabora um aliciante primeiro contacto com a filosofia que incide nos seus fundamentos mentais, os quais, quando em convergência, dotam um leitor de um olhar reflexivo face ao mundo.

SOBRE O AUTOR

Paulo Tunhas

Paulo Jorge Delgado Pereira Tunhas (1960-2023) foi Professor Auxiliar do Departamento de Filosofia da FLUP e Investigador Principal do Instituto de Filosofia da Universidade do Porto, Universidade onde também tinha concluído a Licenciatura em Filosofia. Doutorou-se em filosofia na École des Hautes Études en Sciences Sociales com a tese Abîmes, Passages, Limites. Système et pré-système chez Kant (1998), dirigida por Fernando Gil e que permanece inédita. Antes de ingressar na Universidade do Porto foi professor na Universidade Fernando Pessoa (1997-2008) e foi Pesquisador Visitante no Instituto Universitário de Pesquisa do Rio de Janeiro (2016). Paulo Tunhas construiu uma aproximação original à filosofia como ideia e sistema, procurando apreender o que é pensar e as suas articulações com a evidência, a existência, a ação, em busca da "poética da filosofia", projeto que trabalhou nos últimos anos e deixou inacabado. Participou regularmente em encontros de filosofia e debates públicos. Os seus trabalhos de filosofia encontram-se dispersos por inúmeras obras coletivas ou revistas, no país e no estrangeiro. Publicou os livros O essencial sobre Fernando Gil, INCM, 2007; O pensamento e os seus objectos. Maneiras de pensar e objectos de pensamento, FLUP, 2012; As questões que se repetem. Uma breve história da filosofia (com Alexandra Abranches), D. Quixote, Lisboa, 2012; e organizou diversos volumes coletivos: William James: Self e emoções (org., com Paulo de Jesus), em Filosofia: Revista da FLUP, 2010-2011; Kierkegaard no Porto, 2013 (org. com José Meirinhos) em Filosofia: Revista da FLUP, 2014; Ser ou não ser kantiano (org. com Sofia Miguens, João Alberto Pinto e Susana Cadilha), Colibri, Lisboa, 2014; Kant, Philosophy of Mind and Epistemology (org., com Sofia Miguens) na revista Con-textos Kantianos, Madrid, 2017. Colaborou em diversas obras de Fernando Gil, nomeadamente Modos da evidência, INCM, Lisboa, 1998; A ciência tal qual se faz, Sá da Costa, Lisboa, 1999; Acentos, INCM, 2005. Em 2003 publicou com Fernando Gil e Danièle Cohn a obra Impasses, seguido de Coisas vistas, coisas ouvidas, ed. Europa-América. Dedicou estudos a autores de todas as épocas e de diferentes domínios da ilosofia e da literatura, o que testemunha bem os seus vastos interesses: Hipócrates, Platão, Aristóteles, Sá de Miranda, Montaigne, Leibniz, Hume, Kant, Fichte, Kierkegaard, Nietzsche, Freud, Wittgenstein, Benjamin, Merleau-Ponty, Rawls, Karl-Otto Apel, Fernando Gil, René Girard, Agustina Bessa-Luís, entre outros. Ao longo dos anos publicou comentário político, na última década sobretudo no e-jornal Observador. Antes tinha já colaborado em suplementos culturais de jornais diários como O Primeiro de Janeiro e publicado dois livros de poesia e um romance em fascículos, obras que terão reedição próxima. Melómano, foi também autor do libreto da ópera A Little Madness in the Spring (Casa da Música, 2006), de onde extraiu o poema "No caminho de Palmira" que enviou para o livro 110 anos, 110 poetas comemorativo dos 110 anos da Universidade do Porto (org. Isabel Morujão, U.Porto Press, 2021, pp. 219-220).

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