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Demian - 100 Anos

A história da juventude de Emil Sinclair

de Hermann Hesse
Livro eBook
Editor: Dom Quixote, setembro de 2019 ‧
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Publicado em 1919, com o pseudónimo Emil Sinclair, Demian conta-nos a história de uma difícil caminhada para a maturidade, que culmina nos dias sombrios da Primeira Guerra Mundial. Os seus protagonistas - o enigmático Max Demian e o narrador, o jovem Emil Sinclair - erguem, ao longo das páginas deste romance, um inesquecível grito de revolta contra os processos de uniformização então predominantes e contra a barbárie massificada que viria a constituir a marca mais característica do século XX.

Demian é um brilhante retrato psicológico de alguém que rompe com as convenções sociais em busca da realização espiritual e do autoconhecimento. Influenciado pelas ideias de Carl Jung, fundador da psicologia analítica, mas também pela sabedoria oriental, Hesse interroga-se acerca da natureza humana, com as suas contradições e dualidades, e aborda muitos dos seus temas característicos, alguns dos quais haveria de retomar em Siddhartha.

Romance cuja influência Thomas Mann comparou à de Werther de Goethe, Demian continua a marcar gerações de leitores, pois, como todas as obras-primas, a mensagem que contém é de perene interesse.

O mais admirável êxito de Hesse e um dos mais importantes livros do século XX.
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Livros que tenho medo de reler

Li certos livros numa idade em que tudo parecia mais intenso, mais definitivo e mais capaz de me transformar. Alguns livros chegaram cedo, na infância, outros encontraram-me na adolescência, quando uma frase sublinhada parecia uma revelação sobre a vida, sobre o amor, sobre a solidão ou sobre aquilo que eu queria ser.
Tenho medo de reler alguns destes livros, porque receio descobrir que já não me dizem o mesmo. Ou, pior ainda, que a pessoa que fui talvez os tenha amado por razões que hoje me parecem ingénuas. Mas reler um livro que se adorou é também voltar a uma versão antiga de nós próprios. O Principezinho O Principezinho, por exemplo, pertence à infância. É um clássico, um livro que parece simples quando o lemos pela primeira vez, mas que deixa uma marca difícil de explicar. Na altura, talvez eu não compreendesse todas as suas camadas: a solidão, a perda, a ternura, a crítica ao mundo adulto, mas havia alguma coisa naquele príncipe vindo de um planeta distante e naquelas ilustrações que me parecia absolutamente verdadeiro. Gostei dele porque falava numa linguagem que uma criança podia entender, mas sem nunca a tratar como se fosse pequena demais para sentir coisas grandes. Havia a raposa, a rosa, os planetas, os adultos estranhos e ocupados com assuntos que pareciam absurdos. E a ideia de que o essencial não se vê com os olhos, que talvez tenha sido uma das primeiras frases “adultas” que guardei sem a saber ainda interpretar totalmente.
Tenho medo de o reler porque é um livro muito rodeado de citações, de lugares-comuns, de frases repetidas até ao infinito. E confesso que sempre estranhei adultos que dizem que este é o seu livro preferido.
¿ Receio reencontrá-lo já contaminado por tudo isto. Mas também suspeito que, se o lesse de novo, talvez encontrasse nele outra coisa, possivelmente a melancolia de perceber que crescemos e nos tornámos, inevitavelmente, um pouco parecidos com aqueles adultos que o livro observava com estranheza. COMPRO NA WOOK! » A Sombra do Vento Na adolescência, A Sombra do Vento foi uma porta aberta para uma ideia muito romântica da literatura. Um livro sobre livros, sobre autores esquecidos, segredos antigos, ruas escuras, amores impossíveis e bibliotecas labirínticas. Havia em tudo aquilo uma atmosfera irresistível. Barcelona parecia uma cidade feita de nevoeiro e mistério. Adorei-o porque me fez sentir que os livros podiam ser lugares perigosos e sagrados ao mesmo tempo. O Cemitério dos Livros Esquecidos era exatamente o tipo de invenção literária que, naquela idade, parecia feita à medida de quem acreditava que ler era uma forma de destino. Havia uma intensidade gótica, um dramatismo envolvente, uma sensação de que cada personagem carregava uma ferida profunda e cada segredo podia mudar tudo.
¿ Tenho medo de o reler porque é possível que hoje me pareça excessivo, demasiado ornamentado, demasiado dependente de grandes revelações e paixões trágicas. Demasiado previsível, também. Mas esse excesso foi precisamente aquilo que me conquistou. Na adolescência, eu não queria contenção, queria livros que prometessem mistério, que transformassem a literatura num pacto secreto. A Sombra do Vento foi isso para mim. COMPRO NA WOOK! » O Hobbit O Hobbit chegou-me na adolescência como aventura em estado puro. Antes de qualquer leitura mais complexa sobre mundos fantásticos, mitologias inventadas ou grandes batalhas entre o bem e o mal, havia Bilbo Baggins a sair da sua toca confortável sem saber muito bem porquê. E encantou-me a ideia de que a aventura começa quando alguém perfeitamente comum é empurrado para fora da sua rotina.
¿ Adorei-o porque tinha dragões, anões, mapas, enigmas, florestas, montanhas e uma promessa constante de descoberta. Mas, acima de tudo, adorei Bilbo. Ele não era o herói óbvio, destemido e grandioso. Era hesitante, caseiro, prudente, muitas vezes assustado. Para uma pessoa adolescente, ainda a tentar perceber que tipo de coragem existe para lá da coragem espetacular, isso tinha qualquer coisa de reconfortante.
¿ Tenho medo de o reler porque talvez já não consiga recuperar esse primeiro espanto. Talvez hoje repare mais no ritmo, na estrutura, na distância entre o tom de conto infantil e a dimensão épica que depois associamos a Tolkien. Mas também é possível que O Hobbit continue a encantar-me. COMPRO NA WOOK! » ¿Demian Demian Demian é talvez o livro desta lista que mais associo à adolescência tardia e ao início da idade adulta. Foi daqueles livros que pareciam falar diretamente para uma zona secreta da identidade, a parte de mim que sentia que havia um mundo visível e outro subterrâneo, mais inquietante.
¿ Adorei-o, como adorei tudo o que li do Hermann Hesse por essa altura, porque me deu a sensação de que crescer era também romper com as versões obedientes de nós próprios. A história de Emil Sinclair, dividido entre luz e sombra, entre o mundo seguro da infância e um conhecimento mais obscuro, tinha uma força enorme nessa idade. Havia em Demian uma promessa de singularidade: a ideia de que cada pessoa tinha de encontrar o seu próprio caminho, mesmo que isso implicasse solidão e dúvida.
¿ Tenho medo de o reler porque a adolescência é muito disponível para livros que falam em destino, símbolo, abismo e descoberta interior. Hoje talvez eu encontrasse nele um tom demasiado solene ou excessivamente místico. Mas seria injusto esquecer que foi um livro que apareceu no momento certo, quando eu precisava de acreditar que a confusão também podia ser uma forma de crescimento. COMPRO NA WOOK! » Capitães da Areia Capitães da Areia marcou-me de outra forma. No início da adolescência, foi um livro que abriu uma janela para a injustiça, para a infância roubada, para a dureza social, mas também para a liberdade feroz de um grupo de crianças que vivia à margem. Havia uma mistura de ternura e brutalidade que me impressionou muito.
Adorei-o porque os seus personagens tinham nome, desejo, medo, raiva, lealdade, contradições. Eram crianças e, ao mesmo tempo, já tinham sido obrigadas a saber demasiado sobre o mundo. Pedro Bala e os outros ficaram-me na memória como figuras cheias de vida, mesmo quando a vida lhes dava tão pouco.
¿ Tenho medo de o reler porque talvez hoje o lesse com outras exigências, mais atenta ao contexto, à representação, às escolhas narrativas, ao modo como o romance constrói a sua denúncia social. Mas também acho que continuaria a reconhecer nele a força que me atingiu na adolescência e a descoberta de que a literatura podia ser bela sem ser confortável, e que um livro podia comover-nos ao mesmo tempo que nos obrigava a olhar para aquilo que preferiríamos ignorar. COMPRO NA WOOK! » Acredito que o medo de reler estes livros seja, no fundo, o medo de perder uma memória. Não quero descobrir que já não os adoro da mesma maneira, porque a forma como os adorei faz parte da minha história. O Principezinho pertence à infância e à primeira intuição de que a ternura podia ser uma forma de sabedoria. A Sombra do Vento, O Hobbit, Demian e Capitães da Areia pertencem à adolescência, cada um com a sua espécie de revelação: o amor pelos livros, a aventura, a procura de identidade, a consciência da injustiça.
¿ Mas é possível que os livros que amámos muito não tenham de sobreviver intactos à releitura. Talvez possam mudar, diminuir em certos aspetos, crescer noutros, ou ocupar outro lugar. O encanto original pode não voltar, é certo. Mas pode aparecer uma nova forma de afecto, menos deslumbrada e mais consciente.
¿ Ainda assim, por agora, continuo a guardá-los no território delicado dos livros que tenho medo de reler. Sobretudo porque respeito demasiado a pessoa que os leu antes de mim.

Demian - 100 Anos

A história da juventude de Emil Sinclair

de Hermann Hesse

Propriedade Descrição
ISBN: 9789722068802
Editor: Dom Quixote
Data de Lançamento: setembro de 2019
Idioma: Português
Dimensões: 159 x 238 x 12 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 192
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789722068802

SOBRE O AUTOR

Hermann Hesse

PRÉMIO NOBEL DA LITERATURA 1946

Romancista e poeta alemão, Hermann Hesse nasceu em 1877 na pequena cidade de Calw, na orla da Floresta Negra e no estado de Wüttenberg. Como os pais depositavam esperanças no facto de Hermann Hesse poder vir a seguir a tradição familiar em teologia, enviaram-no para o seminário protestante de Maulbronn, em 1891, mas acabou por ser expulso. Passando a uma escola secular, o jovem Hermann tornou a revelar inadaptação, pelo que abandonou os seus estudos.
Hermann Hesse começou depois a trabalhar, primeiro como aprendiz de relojoeiro, como empregado de balcão numa livraria, como mecânico, e depois como livreiro em Tübingen, onde se teria juntado a uma tertúlia literária, "Le Petit Cénacle", que teria, não só grandemente fomentado a voracidade de leitura em Hesse, como também determinado a sua vocação para a escrita. Assim, em 1899, Hermann Hesse publicou os seus primeiros trabalhos, Romantischer Lieder e Eine Stunde Hinter Mitternacht , volumes de poesia de juventude.
Depois da aparição de Peter Camenzind, em 1904, Hesse tornou-se escritor a tempo inteiro. Na obra, refletindo o ideal de Jean-Jacques Rousseau do regresso à Natureza, o protagonista resolve abandonar a grande cidade para viver como São Francisco de Assis. O livro obteve grande aceitação por parte do público.
Em 1911, e durante quatro meses, Hermann Hesse visitou a Índia, que o teria desiludido mas, em contrapartida, constituído uma motivação no estudo das religiões orientais. No ano seguinte, o escritor e a sua família assentaram arraiais na Suíça. Nesse período, não só a sua esposa começou a dar sinais de instabilidade mental, como um dos seus filhos adoeceu gravemente. No romance Rosshalde (1914), o autor explora a questão do casamento ser ou não conveniente para os artistas, fazendo, no fundo, uma introspeção dos seus problemas pessoais.
Durante a Primeira Guerra Mundial, Hesse demonstrou ser desfavorável ao militarismo e ao nacionalismo que se faziam sentir na altura e, da sua residência na Suíça, procurou defender os interesses e a melhoria das condições dos prisioneiros de guerra, o que lhe valeu ser considerado pelos seus compatriotas como traidor.
Finda a guerra, Hesse publicou o seu primeiro grande romance de sucesso, Demian (1919). A obra, de caráter faustiano, refletia o crescente interesse do escritor pela psicanálise de Carl Jung, e foi louvada por Thomas Mann. Assinada nas primeiras edições com o nome do seu narrador, Emil Sinclair, Hesse acabaria por confessar a sua autoria. Deixando a sua família em 1919, Hermann Hesse mudou-se para o Sul da Suíça, para Montagnola, onde se dedicou à escrita de Siddharta (1922), romance largamente influenciado pelas culturas hindu e chinesa e que, recriando a fase inicial da vida de Buda, nos conta a vida de um filho de um Bramane que se revolta contra os ensinamentos e tradições do seu pai, até poder eventualmente encontrar a iluminação espiritual. A obra, traduzida para a língua inglesa nos anos 50, marcou definitivamente a geração Beat norte-americana.
1919 foi também o ano em que Hesse travou conhecimento com Ruth Wenger, filha da escritora suíça Lisa Wenger e bastante mais nova que o autor. O escritor renunciou à cidadania alemã, em 1923, optando pela suíça. Divorciando-se da sua primeira esposa, Maria Bernoulli, casou com Ruth Wenger em 1924, tendo o casamento durado apenas alguns meses. Dessa experiência teria resultado uma das suas obras mais importantes, Der Steppenwolf (1927). No romance, o protagonista Harry Haller confronta a sua crise de meia-idade com a escolha entre a vida da ação ou da contemplação, numa dualidade que acaba por caracterizar toda a estrutura da obra.
Em 1931 voltou a casar, desta feita com Ninon Doldin, de origem judaica. Com apenas quatorze anos, havia enviado, em 1909, uma carta a Hermann Hesse, e desde então a correspondência entre ambos não mais cessou. Conhecendo-se acidentalmente em 1926, foram viver juntos para a Casa Bodmer, estando Ninon separada do pintor B. F. Doldin, e a existência de Hesse ter-se-à tornado mais serena.
Durante o regime Nacional-Socialista, os livros de Hermann Hesse continuaram a ser publicados, tendo sido protegidos por uma circular secreta de Joseph Goebbels em 1937. Quando escreveu para o jornal pró-regime Frankfürter Zeitung, os refugiados judeus em França acusaram-no de apoiar os Nazis. Embora Hesse nunca se tivesse abertamente oposto ao regime Nacional-Socialista, procurou auxiliar os refugiados políticos. Em 1943 foi finalmente publicada a obra Das Glasperlernspiel, na qual Hesse tinha começado a trabalhar em 1931. Tendo enviado o manuscrito, em 1942, para Berlim, foi-lhe recusada a edição e o autor foi colocado na Lista Negra Nacional-Socialista. Não obstante, a obra valer-lhe-ia o prémio Nobel em 1946.
Após a atribuição do famoso galardão, Hesse não publicou mais nenhuma obra de calibre. Entre 1945 e 1962 escreveria cerca de meia centena de poemas e trinta e dois artigos para os jornais suíços.
A nove de agosto de 1962, Hermann Hesse veio a falecer, aos oitenta e cinco anos, durante o sono, vítima de uma hemorragia cerebral.

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