D. João ou O Banquete de Pedra

de Moliére
Editor: Campo das Letras, abril de 2006 ‧
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"D. João" de Molière, com tradução de Nuno Júdice e encenação de Ricardo Pais, estreou no Teatro Nacional São João (Porto), no dia 16 de Fevereiro de 2006.

"(…) Um dos aspectos interessantes desta nova versão do mito de D. João é o modo ambíguo como Molière constrói o seu personagem. Se, a uma primeira leitura, há a tentação de fazer uma leitura moralista e aceitar o que parece ser a sua condenação ao Inferno, num plano mais profundo encontramos na sua boca a crítica violenta não só dos códigos opressivos da sociedade francesa – baseados na religião e na monarquia – feitos de forma bastante clara, designadamente no que toca ao ateísmo, o que só é possível porque Molière aproveita esse lado negativo do personagem para meter na sua boca afirmações que seriam imediatamente esconjuradas se feitas por um herói em quem o público se pudesse reconhecer. É isso, no entanto, que vai fazendo com que D. João acabe por “seduzir” esse público, acabando por se lhe tornar simpático, não só pela subversão do seu pensamento como pelo seu desafio a todos os interditos – desde o do sexo até ao das censuras, mesmo quando elas são personificadas por figuras do outro mundo, como a Alma do Comendador. E será este facto que explica que esta peça tenha visto a sua carreira reduzida a quinze representações no ano de 1665 e, finalmente, não tenha voltado à cena por muitos anos, só tendo sido editada em 1682, em versão expurgada, depois da morte do seu autor." Nuno Júdice

"Não tenciono deixar os meus doces hábitos, mas terei o cuidado de me esconder, e divertir-me-ei sem grande alarido. E se vier a ser descoberto, verei sem mexer um dedo toda a cabala tomar em mão os meus interesses, e serei defendido por ela de e contra todos. Enfim, é esta a melhor maneira de fazer impunemente tudo o que quero. Erigir-me-ei em censor das acções de outrem, falarei mal de toda a gente, e só de mim terei boa opinião. Logo que uma vez me tenham ofendido um pouco, nunca perdoarei, e guardarei para dentro um ódio irreconciliável. Farei de vingador dos interesses do Céu, e sob este pretexto cómodo, atacarei os meus inimigos, acusá-los-ei de impiedade, e saberei como lançar contra eles acusadores impiedosos, que sem conhecimento de causa lhes gritarão em público, os encherão de injúrias, e condená-los-ão pesadamente do alto da sua autoridade privada. É assim que se tem de aproveitar das fraquezas dos homens, e que um sábio espírito se acomoda aos vícios do seu século."
D. João

D. João ou O Banquete de Pedra

de Moliére

Propriedade Descrição
ISBN: 9789896250461
Editor: Campo das Letras
Data de Lançamento: abril de 2006
Idioma: Português
Dimensões: 134 x 206 x 9 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 132
Tipo de produto: Livro
Coleção: Campo do Teatro
Classificação Temática: Livros em Português > Arte > Artes de Palco
Livros em Português > Literatura > Teatro (Obra)
EAN: 9789896250461
Idade Mínima Recomendada: Não aplicável

SOBRE O AUTOR

Moliére

Jean-Baptiste Poquelin, mais conhecido como Molière, foi escritor, ator e encenador. É considerado um dos mestres da comédia satírica. Teve um papel de absoluta importância na dramaturgia francesa, até então muito dependente da temática da mitologia grega. Usou as suas obras para criticar os costumes da época, criando o lema "castigat ridendo mores". Como encenador, ficou também conhecido pelo seu rigor e meticulosidade.

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