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Capitães da Areia

de Jorge Amado
Editor: Dom Quixote, novembro de 2012 ‧
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Capitães da Areia é o livro de Jorge Amado mais vendido no mundo inteiro. Publicado em 1937, teve a sua primeira edição apreendida e queimada em praça pública pelas autoridades do Estado Novo. Em 1944 conheceu nova edição e desde então sucederam-se as edições nacionais e estrangeiras, e as adaptações para a rádio, televisão e cinema. Jorge Amado descreve, em páginas carregadas de grande beleza e dramatismo, a vida dos meninos abandonados nas ruas de São Salvador da Bahia.
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Livros que tenho medo de reler

Li certos livros numa idade em que tudo parecia mais intenso, mais definitivo e mais capaz de me transformar. Alguns livros chegaram cedo, na infância, outros encontraram-me na adolescência, quando uma frase sublinhada parecia uma revelação sobre a vida, sobre o amor, sobre a solidão ou sobre aquilo que eu queria ser.
Tenho medo de reler alguns destes livros, porque receio descobrir que já não me dizem o mesmo. Ou, pior ainda, que a pessoa que fui talvez os tenha amado por razões que hoje me parecem ingénuas. Mas reler um livro que se adorou é também voltar a uma versão antiga de nós próprios. O Principezinho O Principezinho, por exemplo, pertence à infância. É um clássico, um livro que parece simples quando o lemos pela primeira vez, mas que deixa uma marca difícil de explicar. Na altura, talvez eu não compreendesse todas as suas camadas: a solidão, a perda, a ternura, a crítica ao mundo adulto, mas havia alguma coisa naquele príncipe vindo de um planeta distante e naquelas ilustrações que me parecia absolutamente verdadeiro. Gostei dele porque falava numa linguagem que uma criança podia entender, mas sem nunca a tratar como se fosse pequena demais para sentir coisas grandes. Havia a raposa, a rosa, os planetas, os adultos estranhos e ocupados com assuntos que pareciam absurdos. E a ideia de que o essencial não se vê com os olhos, que talvez tenha sido uma das primeiras frases “adultas” que guardei sem a saber ainda interpretar totalmente.
Tenho medo de o reler porque é um livro muito rodeado de citações, de lugares-comuns, de frases repetidas até ao infinito. E confesso que sempre estranhei adultos que dizem que este é o seu livro preferido.
¿ Receio reencontrá-lo já contaminado por tudo isto. Mas também suspeito que, se o lesse de novo, talvez encontrasse nele outra coisa, possivelmente a melancolia de perceber que crescemos e nos tornámos, inevitavelmente, um pouco parecidos com aqueles adultos que o livro observava com estranheza. COMPRO NA WOOK! » A Sombra do Vento Na adolescência, A Sombra do Vento foi uma porta aberta para uma ideia muito romântica da literatura. Um livro sobre livros, sobre autores esquecidos, segredos antigos, ruas escuras, amores impossíveis e bibliotecas labirínticas. Havia em tudo aquilo uma atmosfera irresistível. Barcelona parecia uma cidade feita de nevoeiro e mistério. Adorei-o porque me fez sentir que os livros podiam ser lugares perigosos e sagrados ao mesmo tempo. O Cemitério dos Livros Esquecidos era exatamente o tipo de invenção literária que, naquela idade, parecia feita à medida de quem acreditava que ler era uma forma de destino. Havia uma intensidade gótica, um dramatismo envolvente, uma sensação de que cada personagem carregava uma ferida profunda e cada segredo podia mudar tudo.
¿ Tenho medo de o reler porque é possível que hoje me pareça excessivo, demasiado ornamentado, demasiado dependente de grandes revelações e paixões trágicas. Demasiado previsível, também. Mas esse excesso foi precisamente aquilo que me conquistou. Na adolescência, eu não queria contenção, queria livros que prometessem mistério, que transformassem a literatura num pacto secreto. A Sombra do Vento foi isso para mim. COMPRO NA WOOK! » O Hobbit O Hobbit chegou-me na adolescência como aventura em estado puro. Antes de qualquer leitura mais complexa sobre mundos fantásticos, mitologias inventadas ou grandes batalhas entre o bem e o mal, havia Bilbo Baggins a sair da sua toca confortável sem saber muito bem porquê. E encantou-me a ideia de que a aventura começa quando alguém perfeitamente comum é empurrado para fora da sua rotina.
¿ Adorei-o porque tinha dragões, anões, mapas, enigmas, florestas, montanhas e uma promessa constante de descoberta. Mas, acima de tudo, adorei Bilbo. Ele não era o herói óbvio, destemido e grandioso. Era hesitante, caseiro, prudente, muitas vezes assustado. Para uma pessoa adolescente, ainda a tentar perceber que tipo de coragem existe para lá da coragem espetacular, isso tinha qualquer coisa de reconfortante.
¿ Tenho medo de o reler porque talvez já não consiga recuperar esse primeiro espanto. Talvez hoje repare mais no ritmo, na estrutura, na distância entre o tom de conto infantil e a dimensão épica que depois associamos a Tolkien. Mas também é possível que O Hobbit continue a encantar-me. COMPRO NA WOOK! » ¿Demian Demian Demian é talvez o livro desta lista que mais associo à adolescência tardia e ao início da idade adulta. Foi daqueles livros que pareciam falar diretamente para uma zona secreta da identidade, a parte de mim que sentia que havia um mundo visível e outro subterrâneo, mais inquietante.
¿ Adorei-o, como adorei tudo o que li do Hermann Hesse por essa altura, porque me deu a sensação de que crescer era também romper com as versões obedientes de nós próprios. A história de Emil Sinclair, dividido entre luz e sombra, entre o mundo seguro da infância e um conhecimento mais obscuro, tinha uma força enorme nessa idade. Havia em Demian uma promessa de singularidade: a ideia de que cada pessoa tinha de encontrar o seu próprio caminho, mesmo que isso implicasse solidão e dúvida.
¿ Tenho medo de o reler porque a adolescência é muito disponível para livros que falam em destino, símbolo, abismo e descoberta interior. Hoje talvez eu encontrasse nele um tom demasiado solene ou excessivamente místico. Mas seria injusto esquecer que foi um livro que apareceu no momento certo, quando eu precisava de acreditar que a confusão também podia ser uma forma de crescimento. COMPRO NA WOOK! » Capitães da Areia Capitães da Areia marcou-me de outra forma. No início da adolescência, foi um livro que abriu uma janela para a injustiça, para a infância roubada, para a dureza social, mas também para a liberdade feroz de um grupo de crianças que vivia à margem. Havia uma mistura de ternura e brutalidade que me impressionou muito.
Adorei-o porque os seus personagens tinham nome, desejo, medo, raiva, lealdade, contradições. Eram crianças e, ao mesmo tempo, já tinham sido obrigadas a saber demasiado sobre o mundo. Pedro Bala e os outros ficaram-me na memória como figuras cheias de vida, mesmo quando a vida lhes dava tão pouco.
¿ Tenho medo de o reler porque talvez hoje o lesse com outras exigências, mais atenta ao contexto, à representação, às escolhas narrativas, ao modo como o romance constrói a sua denúncia social. Mas também acho que continuaria a reconhecer nele a força que me atingiu na adolescência e a descoberta de que a literatura podia ser bela sem ser confortável, e que um livro podia comover-nos ao mesmo tempo que nos obrigava a olhar para aquilo que preferiríamos ignorar. COMPRO NA WOOK! » Acredito que o medo de reler estes livros seja, no fundo, o medo de perder uma memória. Não quero descobrir que já não os adoro da mesma maneira, porque a forma como os adorei faz parte da minha história. O Principezinho pertence à infância e à primeira intuição de que a ternura podia ser uma forma de sabedoria. A Sombra do Vento, O Hobbit, Demian e Capitães da Areia pertencem à adolescência, cada um com a sua espécie de revelação: o amor pelos livros, a aventura, a procura de identidade, a consciência da injustiça.
¿ Mas é possível que os livros que amámos muito não tenham de sobreviver intactos à releitura. Talvez possam mudar, diminuir em certos aspetos, crescer noutros, ou ocupar outro lugar. O encanto original pode não voltar, é certo. Mas pode aparecer uma nova forma de afecto, menos deslumbrada e mais consciente.
¿ Ainda assim, por agora, continuo a guardá-los no território delicado dos livros que tenho medo de reler. Sobretudo porque respeito demasiado a pessoa que os leu antes de mim.

Capitães da Areia

de Jorge Amado

Propriedade Descrição
ISBN: 9789722051309
Editor: Dom Quixote
Data de Lançamento: novembro de 2012
Idioma: Português
Dimensões: 157 x 237 x 17 mm
Páginas: 272
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789722051309

Essencial!

David Almeida

Livro essencial e de uma grande profundidade poética. Somos o resultado das nossas experiências e daquilo pelo qual passamos ao longo da vida. Ninguém é completamente bom nem completamente mau. 'Liberdade' é a palavra que dá o mote a esta história. Precisamos de nos lembrar que não temos os nossos direitos essenciais adquiridos e que devemos lutar sempre por eles ao longo das nossas vidas.

"Mesmo não sabendo que era amor, sentiam que era bom"

Eduardo

Talvez o mais aclamado de todos os romances do incrível Jorge Amado, Capitães da Areia abre uma porta direta para as praias da Bahia, onde pinta um retrato por um lado cru e concreto, por outro extremamente sensível, da vida deste grupo de jovens, abandonados por tudo e todos. Um livro esplêndido que espelha com uma exatidão, por vezes dolorosa, a difícil realidade social da vida daqueles que são marginalizados.

Nas sombras da sociedade

Ana Cavaleiro

Esta é mais uma história sempre atual. A sociedade está bem feita para quem nela tem lugar. Mas para aqueles que por um acaso da vida tiveram um azar só lhes resta tentar viver nas sombras daqueles que acham que podem. A primeira reação do ser humano que está bem é criticar os que não têm essa sorte. E os que estão na sombra e sobrevivem, porque não vivem, desenvolvem aquilo que todos devíamos ter: o espírito de reflexão sobre a maneira de como as coisas são o que são, e porque não arranjamos uma forma de melhorar o que nos passa ao lado. E assim se criam laços e convicções. Nesta história, crianças solitárias juntam-se para se apoiarem e conseguirem o que muitos têm por adquirido. E crescem juntas cuidando-se mutuamente, que é uma das maiores riquezas para qualquer ser humano. Um livro onde as crianças podem com toda a certeza ensinar muito aos adultos.

Meninos sem Futuro?

Sandra Salvador

Comprei este livro para o meu filho ler no âmbito do projeto de leitura da discplina de pOrtuguês do 10º ano. Ele está adorar descobrir esta história e já disse que eu tinha de o ler também. Claro que o vou fazer.

Incrível

Ivânia

Jorge Amado no seu melhor. Inesquecível

capitães de areia, almirantes do mar dos livros

antónio josé cravo

em primeiro lugar a explicação dos percursos da obra, tão atribulada e tão bem exposta. falar dos capitães de areia não é fácil de tanto já ter sido dito. ler os capitães de areia é voltar ao tempo da juventude, dos primeiros livros, dos primeiros amores, para os que relêem. para quem lê pela primeira vez é o "enamoramento" pela leitura. a arte de jorge amado no contar de uma realidade revoltante, é transformá-la em algo de belo, sem esquecer o drama. é encontrar o fantástico onde só a miséria, o herói onde a ferida. livro e autor que tornam pobre qualquer biblioteca onde não estejam

Capitães de Areia

Maria Albertina Pinho

Comprei este livro para a escola, para o meu filho, foi um dos escolhidos para ele ler e desenvolver na disciplina de Português.Como gosto de ler fui a primeira a lê-lo e gostei muito da história, com crianças batalhadoras, que crescem a toda a força. Recomendo,não só para crianças, como a adultos

Capitães da Areia

Maria Francisca Rosa

Li este livro há alguns anos, mas quis voltar a fazê-lo não só pela escrita do "Capitão" Jorge Amado, de uma singeleza ímpar, mas também pela ternura que emana dos diálogos e das histórias de vida das crianças retratadas, verdadeiras guerreiras na batalha que é a vida.

Capitães de Areia

Sara Pereira

Capitães de Areia é um desafio. Exalta a pureza e a dureza da vida. Estes símbolos estão presentes lado a lado e vão-se mesclando ao longo da narrativa, que envolve simples crianças que tentam ser homens. É de uma profundidade crua mas ao mesmo tempo cheia de sentimento e coragem, plena de atos estóicos, de esperança, de resolução , de recuperação e superação pessoal. Gostei particularmente da terminologia utilizada, "tão baiana" e dos rituais de culto.

um clássico

claudia

este livro é um clássico da literatura brasileira/portuguesa actualmente faz parte do plano de leitura do secundário é, sem dúvida, um livro muito bom

SOBRE O AUTOR

Jorge Amado

Jorge Amado nasceu em Pirangi, Baía, em 1912 e faleceu a 6 de agosto de 2001. Viveu uma adolescência agitada, primeiro, na Baía, no início dos seus estudos, depois no Rio de Janeiro, onde se formou em Direito e começou a dedicar-se ao jornalismo. Em 1935 já se tinha estreado como romancista com O País do Carnaval (1931), Cacau (1933), Suor (1934), seguindo-se Terras do Sem Fim (1943) e S. Jorge dos Ilhéus (1944). Politicamente de esquerda, foi obrigado a emigrar, passando por Buenos Aires, onde escreveu O Cavaleiro da Esperança (1942), biografia de Carlos Prestes, depois pela França, pela União Soviética... regressando entretanto ao Brasil depois de ter estado na Ásia e no Médio Oriente. Em 1951 recebeu o Prémio Estaline, com a designação de "Prémio Internacional da Paz". Os problemas sociais orientam a sua obra, mas o seu talento de escritor afirma-se numa linguagem rica de elementos populares e folclóricos e de grande conteúdo humano, o que vai superar a vertente política. A sua obra tem toques de picaresco, sem perder a essência crítica e a poética. Além das já citadas, referimos, na sua vasta produção: Jubiabá (1935), Mar Morto (1936), Capitães da Areia (1937), Seara Vermelha (1946), Os Subterrâneos da Liberdade (1952). Mas é com Gabriela, Cravo e Canela (1958), Os Velhos Marinheiros (1961), Os Pastores da Noite (1964) e Dona Flor e os Seus Dois Maridos (1966) em que o romancista põe de parte a faceta politizante inicial e se volta para temas como a infância, a música, o misticismo popular, a turbulência popular e a vagabundagem, numa linguagem de sabor poético, humorista, renovada com recursos da tradição clássica ligados aos processos da novela picaresca. O seu sentimento humano e o amor à terra natal inspiram textos onde é evidente a beleza da paisagem, a tradição cultural e popular, os problemas humanos e sociais - uma infância abandonada e culpada de delitos, o cais com as suas misérias, a vida difícil do negro da cidade, a seca, o cangaço, o trabalhador explorado da cidade e do campo, o "coronelismo" feudal latifundiário perpassam significativamente na obra deste romancista dos maiores do Brasil e dos mais conhecidos no mundo. Fecundo contador de histórias regionais, Jorge Amado definiu-se, um dia, "apenas um baiano romântico, contador de histórias". "Definição justa, pois resume o carácter do romancista voltado para exemplos de atitudes vitais: românticas e sensuais... a que, uma vez por outra, empresta matizes políticos...", como diz Alfredo Bosi em História Concisa da Literatura Brasileira. Foi-lhe atribuído o Prémio Camões em 1994.

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