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Canção do Profeta

de Paul Lynch
Editor: Relógio D'Água, julho de 2024 ‧
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RECOMENDADO PELO PLANO NACIONAL DE LEITURA
Numa noite escura e chuvosa em Dublin, a cientista e mãe de quatro filhos Eilish Stack abre a porta de sua casa e depara-se com dois oficiais da recém-formada polícia secreta da Irlanda que pretendem interrogar o seu marido, um sindicalista.

Depois do marido, também o seu filho mais velho desaparece. A Irlanda está a desmoronar-se. O país está sob o domínio de um governo que se inclina para a tirania e Eilish só pode assistir impotente enquanto o mundo que conhecia desaparece.

Até onde irá ela para salvar a sua família? E o que — ou quem — está disposta a deixar para trás para o conseguir?
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Entre mergulhos

O verão convida a abrandar o ritmo e a recuperar o prazer de ler sem pressa. Entre um mergulho, uma caminhada ou uma tarde à sombra, nem sempre apetece começar uma leitura longa. Estas cinco sugestões provam que um romance breve ou uma coletânea de contos podem oferecer uma experiência literária tão rica quanto qualquer obra de maior fôlego. Livros para começar e, com sorte, terminar antes do próximo mergulho. O Vento que Arrasa, de Selva Almada Bastam quatro personagens e uma avaria no automóvel para que Selva Almada construa, em O Vento que Arrasa, um romance onde quase tudo acontece nas entrelinhas. Um pastor evangélico e a filha ficam retidos numa oficina isolada. É aí que conhecem um mecânico e o jovem que o ajuda. O enredo parece simples, mas cada conversa altera discretamente as relações entre eles, revelando diferentes formas de ver o mundo. Almada escreve com uma economia impressionante. Evita explicações psicológicas e transforma a paisagem numa extensão do conflito entre as personagens. O calor avassalador, entrecortado por tempestades repentinas, não serve apenas de cenário, molda o ritmo e a intensidade narrativa. Ao contrário de romances que dependem de reviravoltas constantes, este vive da expectativa e da tensão acumulada. Há qualquer coisa de teatral na forma como aquelas pessoas permanecem confinadas ao mesmo espaço, obrigadas a confrontar-se sem nunca dizerem tudo o que pensam. O resultado é um livro que continua a ressoar depois de fechado, com ecos de Juan Rulfo na escrita depurada e de Flannery O'Connor na forma como o fervor religioso e a ambiguidade moral são explorados. COMPRO NA WOOK! » Amok, de Stefan Zweig Poucos escritores dominaram tão bem a novela psicológica como Stefan Zweig. Em Amok, um encontro fortuito desencadeia uma obsessão capaz de consumir uma vida inteira. Em pouco mais de oitenta páginas, um médico recorda o momento em que recusou ajudar uma mulher e a forma como essa decisão moldou o seu destino. A narrativa assume a forma de uma longa confissão em que o protagonista procura compreender o impulso que o conduziu à ruína. Sem nos apercebermos, entramos com ele numa espiral psicológica em que culpa, desejo, orgulho e arrependimento se confundem até se tornarem indistinguíveis. O título da novela remete para um estado de descontrolo descrito em algumas culturas do Sudeste Asiático, mas Zweig sugere que qualquer ser humano pode ser arrastado por essa corrida cega. O autor interessa-se menos pelos acontecimentos exteriores do que pela forma como a mente os amplia, recusando julgamentos fáceis sobre as suas personagens e privilegiando as zonas mais ambíguas da condição humana. Se, por um lado, O Vento que Arrasa encontra tensão naquilo que as personagens calam, Amok vive da impossibilidade de conter aquilo que as consome. COMPRO NA WOOK! » Léxico Familiar, de Natalia Ginzburg À primeira vista, Léxico Familiar parece limitar-se ao quotidiano de uma família italiana. A partir de conversas, expressões repetidas e pequenas memórias que, isoladamente, poderiam parecer insignificantes, Natalia Ginzburg constrói um dos retratos familiares mais marcantes do século XX. À medida que acompanhamos esta família, a Itália atravessa o fascismo, a guerra e a reconstrução do pós-guerra, mas Ginzburg nunca transforma esses acontecimentos no centro da narrativa. Opta por observá-los a partir da vida doméstica, mostrando como a História se infiltra na linguagem de todos os dias. As palavras que cada membro da família repete acabam por formar uma espécie de património comum que preserva um mundo que o tempo já levou. A escrita é de uma simplicidade aparente. Sem dramatizar nem ceder à nostalgia, o livro encontra um equilíbrio raro entre o humor e a melancolia, deixando que as personagens e as suas vozes revelem, por si mesmas, a passagem do tempo. O resultado é um romance breve que mostra como a história de uma família pode conter, em miniatura, a história de um país inteiro. COMPRO NA WOOK! » Canção do Profeta, de Paul Lynch Em Canção do Profeta, Paul Lynch não procura explicar como nasce um regime autoritário, prefere focar-se no que acontece às pessoas quando a liberdade começa a desaparecer. Depois de o marido ser detido pelas forças de segurança do Estado, Eilish Stack tenta manter a normalidade da vida familiar enquanto o país à sua volta mergulha numa espiral de repressão. O romance nunca se apresenta como uma distopia convencional. Mais do que explicar as causas do colapso político, interessa-lhe sobretudo revelar o seu impacto sobre quem continua a ter de levar os filhos à escola ou esperar por alguém que talvez nunca regresse. Tal como em Léxico Familiar, é essa redução da grande História à escala doméstica que confere ao romance uma força invulgar. A escrita de Lynch é asfixiante. As frases prolongam-se, quase sem descanso, obrigando-nos a partilhar a ansiedade da protagonista. Daí nasce uma leitura claustrofóbica, que avança como se também ela estivesse a perder o ar. Apesar da sua brevidade, o romance acompanha a rápida desagregação de uma família e de uma sociedade, deixando no leitor a sensação de ter percorrido um longo caminho ao lado de Eilish. É essa capacidade de concentrar uma transformação tão profunda em poucas páginas que faz de Canção do Profeta um exemplo notável de como a intensidade de uma leitura raramente depende da extensão. COMPRO NA WOOK! » Nove Contos, de J. D. Salinger Um Dia Ideal para o Peixe-Banana é um dos contos mais perfeitos que li na vida. Somos apresentados a Seymour, o mais velho dos irmãos Glass, uma família a que Salinger regressaria em vários contos e novelas. Numa ida à praia, Seymour conhece Sybil Carpenter, uma menina com quem estabelece uma conversa simultaneamente ingénua e inquietante. É através desse diálogo, à primeira vista banal, que Salinger concentra toda a tensão do conto, conduzindo o leitor a um desfecho trágico que continua a surpreender, mais de setenta anos após a sua publicação. Embora esse seja, para mim, o ponto mais alto da coletânea, Nove Contos mantém um nível de consistência raro. Publicados originalmente na The New Yorker, os contos abordam temas como o trauma da guerra em Para Esmé - com Amor e Sordidez, a dificuldade de comunicação entre adultos e crianças em Em Baixo no Bote ou a procura de sentido espiritual em Teddy. As nove histórias revelam, cada uma à sua maneira, a extraordinária capacidade de Salinger para construir personagens memoráveis em poucas páginas e confiar no leitor para descobrir aquilo que permanece por dizer. COMPRO NA WOOK! »

Canção do Profeta

de Paul Lynch

Propriedade Descrição
ISBN: 9789897834608
Editor: Relógio D'Água
Data de Lançamento: julho de 2024
Idioma: Português
Dimensões: 153 x 233 x 17 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 248
Tipo de produto: Livro
Coleção: Ficções
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789897834608

Extraordinário

Ler, um prazer adquirido

Desde as primeiras páginas fiquei agarrada a esta família e a empatia foi tão forte que, me identifiquei com o drama (bem possível) neste contexto futuro de emergência nacional que, nada mais é do que um governo tirânico a controlar, prender e a manipular os cidadãos. E pensar que, este livro estava há mais de um ano na minha estante por ler. Eilish é uma mãe guerreira de quatro filhos que, apenas os quer manter a salvo e Larry, o marido, de volta. A tensão é quase palpável e a angustia em gerir numa falsa normalidade a existência em família num crescendo de dificuldades é o que consiste esta trama. Um cerco que se vai apertando mais e mais e não sendo um romance agradável é um romance necessário para se compreender como se processa este estado de coisas. E depois… o que resta?

Leitura obrigatória

Tf

Um dos melhores e mais angustiantes livros que li nos últimos tempos. Um murro no estômago termina-lo e pensar na Europa que temos, no país em que vivemos e que riscos corremos.

Imperdível para os amantes de distopias e de bons livros

Tiago Ferreira

É um livro muito interessante, sobre uma distopia num país europeu, que nos convoca para uma reflexão sobre os perigos do extremismo político no seio de uma sociedade ocidental. Escrito de forma peculiar, faz-nos como que imergir na realidade narrada, parecendo que estamos igualmente envolvidos na mesma torrente de acontecimentos. Combina de forma exímia dois planos distintos mas que acabam por de tornar complementares, o da descrição da distopia em si mesma, com o do drama sentido por uma familia comum, que poderia muito bem ser a nossa. Recomendo vivamente a leitura do livro a todos que se interessem por política e modelos de sociedade e também a quem procura somente um livro muito bem escrito e construído.

Um aviso para uma distopia possível à nossa porta

Carlos Faria

Numa escrita muito própria e intimista, alerta sobre os riscos que o mundo democrático está a correr com a evolução dos extremismos, até ao dia que toma o poder. Tem uma grande qualidade literária, mas faz doer e pensar sobretudo ao olhar para o desenrolar dos acontecimentos em curso no mundo democrático atual. Muito bom.

Acutilante e pertinente

VF

Este é um livro que nos convoca à reflexão sobre os desafios com que as sociedades ocidentais, em profunda e acelerada transformação, se deparam. A prova de que a ficção é uma bússola para a compreensão do mundo. Acutilante e pertinente.

SOBRE O AUTOR

Paul Lynch

Paul Lynch é autor de cinco romances. O mais recente, Canção do Profeta, venceu o Prémio Booker 2023. Anteriormente, o escritor ganhou o Prémio Kerry Group de Romance Irlandês do Ano e o Prémio Libr’à Nous de Melhor Romance Estrangeiro de França, entre outros. Foi finalista de muitos prémios internacionais, incluindo o Prémio Walter Scott do Reino Unido, o Prémio Strega Europeu de Itália, o Prémio do Melhor Livro Estrangeiro de França, o Prémio Littérature-Monde e o Prémio Jean Monnet de Literatura Europeia. Em 2024, foi nomeado Distinguished Writing Fellow da Universidade de Maynooth e eleito para a Aosdána, a academia irlandesa das artes que honra artistas distintos. Os seus romances foram traduzidos para mais de 30 línguas.

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