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Bastardia

de Hélia Correia
Editor: Relógio D'Água, julho de 2005 ‧
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«Moisés sentia a estranha comoção que transtornava os tios. Na cozinha, as mulheres retomavam o silêncio com que, a princípio, o tinham recebido. E as conversas na cavalariça, sendo os dias tão curtos, resultavam mais apressadas. Pouco conseguia que os fregueses falassem sobre o mar. No entanto, ele já se acostumara a servir-se dos próprios pensamentos. Imaginava o dia do encontro com aquele grande azul que se estendia, semelhante a um prado que florisse. A obsessão tomara conta dele como alguém que o tivesse sequestrado. Tudo o que via e ouvia era filtrado, enquadrado na sua perspectiva. Confiava em que os tios o levariam, tarde ou cedo, à Vieira. Não pensava que, com aquela espécie de trabalho, não desfrutavam dos prazeres do verão, quando abundavam os pedidos de cavalos e de carros abertos.»

Bastardia

de Hélia Correia

Propriedade Descrição
ISBN: 9789727088348
Editor: Relógio D'Água
Data de Lançamento: julho de 2005
Idioma: Português
Dimensões: 139 x 208 x 6 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 82
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789727088348
Idade Mínima Recomendada: Não aplicável

SOBRE O AUTOR

Hélia Correia

Escritora portuguesa contemporânea (1949), licenciou-se em Filologia Românica e é professora de Português do Ensino Secundário. Apesar do seu gosto pela poesia, é como ficcionista que é reconhecida como uma das revelações da novelística portuguesa da geração de 1980, embora os seus contos, novelas ou romances estejam sempre impregnados do discurso poético.
Estreou-se na poesia com O Separar das Águas, em 1981, e O Número dos Vivos, em 1982.
A novela Montedemo, encenada pelo grupo O Bando, dá à autora uma certa notoriedade. Aliás, Hélia Correia revelou, desde cedo, o gosto pelo teatro e pela Grécia clássica, o que a levou a representar em Édipo Rei e a escrever Perdição, levadas à cena, em 1993, pela Comuna. Escreveu também Florbela, em 1991, que viria a ser encenada pelo grupo Maizum.
Destacam-se ainda na sua produção os romances Casa Eterna e Soma e, na poesia, A Pequena Morte/Esse Eterno Conto.
Recebeu em 2002 o prémio PEN 2001, atribuído a obras de ficção, pela sua obra Lillias Fraser.
Venceu o prémio literário Correntes d'Escritas/Casino da Póvoa com o livro de poesia A Terceira Miséria.
Foi galardoada com o Prémio Camões, em 2015.

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