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A Testemunha

Contos Completos

de Graciliano Ramos
Editor: E-primatur, abril de 2026 ‧
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A prosa que despojou a língua até ao osso e fez do silêncio uma força moral regressa aqui em toda a sua extensão — do sertão trágico aos contos para jovens leitores.

Figura central da geração de 30, Graciliano Ramos impôs ao romance e ao conto brasileiros uma disciplina inédita de linguagem e uma exigência ética rara. A sua obra, marcada por uma lucidez implacável e pela recusa sistemática do ornamento supérfluo, transformou o regionalismo numa literatura de ressonância universal. Influenciando decisivamente escritores, críticos e leitores no Brasil e fora dele, Graciliano consolidou uma tradição de rigor estilístico que permanece como referência maior na língua portuguesa.

Esta recolha apresenta, pela primeira vez em volume único, o romance em contos Vidas Secas, paradigma de contenção expressiva e de densidade humana, juntamente com todos os contos para adultos do Autor — incluindo textos que não eram reunidos em livro desde os anos 40 do século XX — e ainda a totalidade da sua produção destinada a jovens e crianças. O conjunto permite acompanhar a coerência profunda de uma escrita que, sob aparente simplicidade, revela uma arquitectura narrativa de precisão quase geométrica, onde cada frase parece ter sido medida, pesada e depurada até ao limite.

Seca, exacta, cortante, a prosa de Graciliano Ramos trabalha a elipse, o silêncio e a economia verbal como instrumentos de tensão moral. As suas personagens, frequentemente situadas no Nordeste brasileiro, transcendem o contexto geográfico para encarnar conflitos universais: a luta pela dignidade, o peso da opressão social, a solidão, a consciência da própria fragilidade humana. Mesmo nos textos destinados a leitores mais novos, mantém-se a clareza austera, a sobriedade vocabular e a confiança na inteligência do público, sem concessões sentimentalistas nem simplificações artificiais.

Não por acaso, a crítica tem reconhecido a sua grandeza com formulações inequívocas. Para Antonio Candido, «Graciliano Ramos é o maior romancista do Nordeste e um dos maiores da língua portuguesa». Alfredo Bosi sublinhou que «A sua prosa é seca como a paisagem que descreve, mas profundamente humana». Otto Maria Carpeaux viu em Vidas Secas a prova de que «Em Vidas Secas, o drama social atinge uma expressão de universalidade trágica». Franklin de Oliveira afirmou que «A grandeza de Graciliano Ramos está na disciplina extrema da linguagem e na recusa do ornamento». Já Susan Sontag observou: «Poucos escritores alcançaram tamanha intensidade moral com tão reduzido excesso retórico».

José Lins do Rego reconheceu que «Graciliano Ramos deu ao romance brasileiro uma dimensão psicológica rara». Carlos Drummond de Andrade falou da sua obra como «um testemunho de lucidez implacável». Harold Bloom destacou que «Ramos escreve com uma severidade que recorda Kafka, permanecendo, contudo, profundamente enraizado no Brasil». Pierre Rivas afirmou que «Soube fazer do silêncio e da secura uma força poética incomparável». E Nelson Werneck Sodré resumiu: «A sua linguagem é dura, exacta e cortante — como a realidade que retrata». Reunidas, estas vozes confirmam o lugar singular de Graciliano Ramos: um clássico moderno cuja austeridade formal é inseparável da sua força moral e da sua permanente actualidade.

«Cada conto é um murro no estômago. [...] Graciliano Ramos escreve no fio da navalha e é para lá que arrasta o seu leitor.» — José Saramago

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Contos Completos

de Graciliano Ramos

Propriedade Descrição
ISBN: 9789899328518
Editor: E-primatur
Data de Lançamento: abril de 2026
Idioma: Português
Dimensões: 156 x 232 x 28 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 396
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Contos
EAN: 9789899328518

SOBRE O AUTOR

Graciliano Ramos

A 27 de outubro de 1892, na cidade de Quebrangulo, em Alagoas, nasce Graciliano Ramos de Oliveira, um dos maiores romancistas da história da literatura brasileira e latina, primeiro dos 16 filhos de Sebastião Ramos de Oliveira e Maria Amélia Ferro Ramos. É criado na Fazenda Pintadinho, sertão de Pernambuco. Com sete anos de idade, vivendo em Viçosa, Graciliano passa a estudar no Internato Alagoano. É neste colégio que vê a sua primeira obra publicada: o conto Pequeno pedinte, no jornalzinho O Dilúculo (alvorada), sob a assinatura de G. Ramos.
Em 1905, Graciliano vai para Maceió, e é matriculado no Colégio Quize de Março. Nesta época, dedica-se ao estudo do inglês, do francês, e do italiano. Aos 17 anos de idade, sob o pseudónimo Almeida Cunha – um dos hábitos do escritor era a adoção de pseudónimos -, publica o soneto Céptico.
Ao completar dezoito anos, chega a Palmeira dos Índios, onde passa a residir, ajudando o pai no seu estabelecimento comercial, uma pequena loja de tecidos. Entre l914 e 1915, então no Rio de Janeiro, trabalha como revisor nos jornais Correio da Manhã, A Tarde e O Século, sob as iniciais R.O. (Ramos de Oliveira). Em seguida, volta a Palmeira dos Índios, onde vários de seus familiares morrem num surto de peste bubónica. É lá que se casa, a 21 de outubro de 1915, com Maria Augusta de Barros, costureira do interior que morre cinco anos depois, deixando-lhe quatro filhos. Em 1917, começa a trabalhar como lojista, e nove anos mais tarde casa-se novamente, agora com Heloisa Medeiros.
A 7 de janeiro de 1928, Graciliano assume a prefeitura de Palmeira dos Índios, experiência que lhe oferece material para o primeiro romance, Caetés, publicado somente em 1933. Em 1930, renuncia ao cargo, sendo, em seguida, nomeado diretor da Imprensa Oficial do Estado, de onde se demite em dezembro de 1931 por motivos políticos. No ano seguinte começa a colocar no papel, em Palmeira dos Índios, o seu segundo romance, São Bernardo, em boa parte escrito na sacristia da igreja Matriz da cidade. Em 1933, é nomeado diretor de Instrução Pública de Alagoas – cargo hoje correspondente ao de secretário de Estado da Educação -, permanecendo até 1936. Por conta do que, na época, foi chamado "ideias extremistas", foi detido e preso sem processo regular em vários presídios do Rio de Janeiro. O seu drama e dos companheiros de cadeia seriam relatados em Memórias do cárcere, publicado postumamente em 1953.
Angústia, lançado em 1936, é considerado o romance tecnicamente mais complexo de Graciliano Ramos, no qual o autor retrata a cidade de Maceió daquela época. Mas é em 1938 que o autor escreve o livro que se tornaria a sua obra-prima: Vidas secas,o seu quarto e último romance, voltado para o drama social e geográfico da sua região – melhor expressão do seu estilo, com ênfase regionalista. Graciliano Ramos – o Mestre Graça, como era carinhosamente tratado – morre na Cidade do Rio de Janeiro, no dia 30 de março de 1953, aos 61 anos.

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