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O Passa-Paredes e Outras Novelas

de Marcel Aymé
Editor: Livro B, março de 2026 ‧
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Publicado em 1943, em plena Ocupação nazi de França, este livro reúne alguns dos contos mais emblemáticos de Marcel Aymé, escritor que soube enfrentar um tempo de censura, vigilância e medo recorrendo à imaginação como forma de lucidez crítica.

Longe do panfleto ou da alegoria transparente, Aymé escolhe o desvio, o insólito e o fantástico como instrumentos de observação moral e social. O célebre conto O Passa-Paredes, em que um modesto funcionário descobre a capacidade de atravessar paredes, é exemplar desse método: o prodígio não conduz à libertação heróica, mas a uma ironia amarga sobre o poder, a submissão e o ridículo das hierarquias. O fantástico surge assim como um prolongamento natural do real, expondo, por exagero ou deslocação, a violência latente do quotidiano.

Outras narrativas da colectânea recorrem ao absurdo, ao humor negro ou a pequenas rupturas da ordem natural para dizer aquilo que o discurso directo não podia dizer. Durante a Ocupação, esta escrita oblíqua permitia falar de opressão, conformismo, arbitrariedade e medo sem nomear explicitamente o ocupante ou o regime, tornando a fantasia um espaço de resistência intelectual.

A força imagética e dramática destes contos explica a sua longa vida para além do livro. Le Passe-Muraille conheceu adaptações ao cinema, ao teatro e à televisão, em França e no estrangeiro, confirmando a extraordinária plasticidade narrativa de Marcel Aymé e a actualidade de uma obra que, sob a leveza aparente, conserva um núcleo profundamente inquietante.

«Sob a aparência da fantasia, Aymé descreve o mundo tal como ele é — intolerável.»
Gaëtan Picon, Panorama de la littérature française

«Poucos escritores souberam usar o irreal com tamanha precisão moral.»
Italo Calvino, ensaio sobre a narrativa fantástica francesa

«Aymé escreve como quem sorri, mas o sorriso é um acto de acusação.»
André Billy, Le Figaro littéraire

«Durante a Ocupação, a imaginação foi uma forma de coragem.»
Jean-Louis Bory, estudo crítico sobre literatura francesa dos anos 40

«A simplicidade da linguagem esconde uma extraordinária ferocidade intelectual.»
Roger Nimier, ensaio crítico

«Marcel Aymé pertence à linhagem dos grandes contistas europeus.»
Encyclopædia Universalis

«O fantástico de Marcel Aymé não foge ao real: encosta-se a ele como uma lâmina.»
Le Monde, crítica literária

«Le Passe-Muraille é uma parábola perfeita sobre o poder e a submissão.»
Les Temps Modernes, nota crítica

«Um clássico do século XX, tão acessível quanto implacável.»
Lire

O Passa-Paredes e Outras Novelas

de Marcel Aymé

Propriedade Descrição
ISBN: 9789899130678
Editor: Livro B
Data de Lançamento: março de 2026
Idioma: Português
Dimensões: 118 x 210 x 10 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 228
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Contos
EAN: 9789899130678

SOBRE O AUTOR

Marcel Aymé

Marcel Aymé (1902–1967) foi um dos mais singulares escritores franceses do século XX, destacando-se como romancista, contista e dramaturgo, com uma obra marcada pelo humor mordaz, pelo fantástico discreto e por uma atenção constante às hipocrisias sociais e morais do seu tempo.
A sua escrita, aparentemente simples e acessível, oculta uma visão profundamente crítica do poder, da autoridade e do conformismo coletivo.
Nascido em Joigny, na Borgonha, Aymé perdeu a mãe muito cedo e teve uma juventude errante, passando por vários colégios antes de concluir estudos em Paris. Trabalhou em diferentes ofícios antes de se afirmar como escritor nos anos 1930. Durante a Ocupação alemã permaneceu em França, publicando obras que recorreram frequentemente ao fantástico e ao absurdo como forma indireta de abordar realidades opressivas, o que marcou decisivamente a receção crítica da sua produção desse período.
A sua obra conheceu ampla difusão e reconhecimento, sendo rapidamente traduzida em numerosas línguas e adaptada a vários meios artísticos. Contos e peças suas foram levados ao cinema, ao teatro e à televisão — entre as adaptações mais célebres conta-se Le Passe-Muraille, levado ao cinema em 1951. Embora não tenha sido um autor de prémios literários institucionais de grande visibilidade, alcançou um reconhecimento duradouro junto do público e da crítica, consolidando-se como um clássico moderno da literatura francesa.
Entre as suas principais obras figuram os romances La Jument verte, Uranus e Le Chemin des écoliers, bem como numerosas coletâneas de contos, onde sobressai Le Passe-Muraille et autres nouvelles. Os seus temas centrais incluem a arbitrariedade do poder, a fragilidade da moral social, o absurdo das convenções e a solidão do indivíduo comum, frequentemente tratados através de situações fantásticas ou ligeiramente desviadas do real, que tornam a sua obra simultaneamente lúdica e profundamente inquietante.

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