A Polícia da Memória
SINOPSE
Quando uma jovem mulher, que luta por manter uma carreira de romancista, descobre que o seu editor está em perigo, elabora um plano para o ocultar debaixo da sua casa. À medida que medo e sentimento de perda se aproximam, rodeando-os, agarram-se à escrita como modo de preservar o passado.
DETALHES
| Propriedade | Descrição |
|---|---|
| ISBN: | 9789897831003 |
| Editor: | Relógio D'Água |
| Data de Lançamento: | março de 2021 |
| Idioma: | Português |
| Dimensões: | 153 x 235 x 16 mm |
| Encadernação: | Capa mole |
| Páginas: | 248 |
| Tipo de produto: | Livro |
| Classificação Temática: |
Livros em Português
>
Literatura
>
Romance
|
| EAN: | 9789897831003 |
OPINIÃO DOS LEITORES
Muito bom
Duarta F.
Quando um livro passa uma sensação de opressão mas simultaneamente serenidade, quando a beleza, simples e elegante, da prosa e a ternura veículada pelas personagens te amparam do sofrimento e injustiça, que te obrigam a refletir, cumpriu com toda a certeza o seu objectivo. Uma distopia que nos faz pensar que mesmo que nosso mundo não hajam objectos que "foram desaparecidos" assistimos, cada vez mais, a desaparecimentos, empatia, paz, valores e tanto mais. Fui conduzida, quase hipnoticamente, pelo avançar lento das perdas dos personagens e simultaneamente com espanto e inquietude como encolhiam os ombros face ao aumento da repressão. É isso que acontece quando um governo totalitário avança, acomodamos, seguimos e escolhemos os ombros? Mas há sempre (felizmente) quem se rebele, com sentimento autêntico de amizade, compaixão e amor, arriscando a sua própria segurança. A abnegação nestes cenários é a esperança mas também admiração e coloca-me sempre a dúvida: seria capaz? A protagonista, além e apesar de tudo, escreve um romance que prende de igual forma, onde encontramos uma opressão mas de origem individual, mostrando que não só os governos nos podem tirar a voz. Mas a perda da memória, dos objectos é na realidade a perda do "Eu", a perda da identidade, o definhar do Humano. Gostei muito e aconselho vivamente.
Fantástico!
Histórias Soltas Presas Dentro de Mim
Estamos perante uma distopia silenciosa, onde as coisas – objetos, lembranças, pedaços de identidade – vão sendo apagadas da vida das pessoas. Mais inquietante do que a perda física é a perda do significado, da ligação emocional, da própria capacidade de recordar. A autora consegue criar um ambiente denso, mas subtil, que nos envolve e nos faz sentir o peso de cada esquecimento. As personagens são extraordinárias. A protagonista, com a sua força discreta, R, com a coragem de resistir, e o velhote, com a sabedoria terna de quem guarda o que resta, tornam-se âncoras num mundo em dissolução. É impossível não criar laços com eles. São os seus afetos, a sua tentativa desesperada de preservar as memórias, que nos mantêm atentos e nos lembram que a verdadeira luta é a de manter viva a essência do que somos. Esta história é uma metáfora poderosa do nosso tempo. Mesmo que o nosso mundo não vá desaparecendo objeto a objeto, também nós assistimos a um lento desgaste: dos valores, da confiança, dos afetos. Ogawa lembra-nos que a perda nem sempre é ruidosa; às vezes é uma erosão quase impercetível, que só damos por certa quando já é tarde demais. À medida que avançamos na leitura, o coração aperta-se numa angústia quase física. Sentimo-nos dentro da ilha, ao lado das personagens, testemunhas de um fim inevitável – não apenas de coisas, mas de tudo o que dá sentido à existência. A Polícia da Memória é, sem dúvida, uma leitura imprescindível. Um livro que nos faz pensar, sentir e temer. Recomendo vivamente: é daquelas obras que permanecem connosco, mesmo quando fechamos a última página.
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