A Paixão do Jovem Werther
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Histórias de amor à filme
Perdoe-se o título. A língua portuguesa tem maroscas destas: há mesmo a ideia de que nos filmes a coisa é mais dramática. Mas, desligando-se a televisão ao domingo, arranja-se coisa mais pungente.
A única história
É uma delicadeza de tal forma delicada – sensível e subtil – que é como levar cinco chapadas seguidas. O romance começa com uma pergunta: «Preferiam amar mais e sofrer mais; ou amar menos e sofrer menos?» Só um totó escolherá a segunda opção, e o narrador deste romance não é totó nenhum, embora saiba o que a vida custa quando se põe o pé na poça. Aos 19 anos, apaixonou-se – e do que vem daí até poderia, é certo, deduzir-se que o rapaz era um totó. A senhora Macleod era casada, tinha filhos, e tinha 40 e muitos anos. Dois jogavam ténis, e uma bola atirada de um lado para o outro perde a magia perante o susto do amor. Pela mão de Julian Barnes, é esse susto que o leitor vê – e vê-o como a memória que fica da história contada, da emoção pura como edificação emocional, moral, social. Finda a leitura, não é que haja uma história de amor bonita ou fácil – mas há um leitor desgraçado com a cabeça a andar à roda.
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A paixão do jovem Werther
A sério, alguém dê um ansiolítico ao homem. Um anti-histamínico, um analgésico, um rebuçado de mentol, sei lá. Aquilo não é paixão, já é doença. E, ainda por cima, doença apanhada por causa de Lotte, a insípida Lotte que não tem graça nenhuma. Li-o tantas vezes e pensei-o sempre: mas o que é que ela tem de especial? Nem importa que esteja noiva de Albert, que o amor não escolhe estados civis. Importa que não se perceba a graça do gesto, o timbre da voz, o som do riso. Entra-se aqui num dos mais famosos triângulos amorosos da literatura ocidental – e num dos mais trágicos também. Para Werther, a tragédia foi mesmo ter-se apaixonado. Fechado o livro, o leitor lá pensa: há que não ceder ao cinismo, mas também não é preciso tanto drama.
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O amor nos tempos de cólera
Para muito boa gente – não confirmo nem desminto se faço parte do grupo –, este romance disputa o lugar de primeiro, entre a obra de García Márquez, com Cem Anos de Solidão. Quanto a mim, ninguém se engane: eu acho graça ao exagero. E haverá alguém mais exagerado do que Florentino Ariza? Coitado, aquilo até dá pena: 50 anos à espera de uma mulher. E sempre da mesma, sempre à espera de que a mesma lhe ligasse, de que lhe desse uma sombra de afeto, meio segundo de atenção. Sim, é verdade que pintou um clima quando eram os dois jovens, mas, para ela, esse clima foi ao ar quando lhe ouviu a voz pela primeira vez. O amor idealizado era, afinal, um equívoco, e Ariza esperou um casamento inteiro – uma vida – até que a viuvez dela fosse deixá-la disponível para ele – para o amor dele, ali ainda hirto. Como é literatura, tudo se perdoa. Se for fora dos livros, 50 anos de espera podem ser motivo para fugir.
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Estar no limite
Há livros que são como uma corda esticada entre dois prédios altos. O leitor, transformado em funâmbulo com vertigens, atravessa-a com as mãos suadas, o coração acelerado e a sensação de que basta uma vírgula mal colocada para cair. São histórias que nos obrigam a olhar de frente o colapso, não com o fascínio mórbido de quem observa o desastre dos outros, mas com a estranha consciência de que aquele limite também nos pertence. Às vezes basta um pequeno desvio, um amor, uma perda, uma obsessão, para o chão se abrir debaixo dos nossos pés. E há quem leia precisamente para isso, para espreitar o abismo e perceber até onde a alma humana aguenta sem se desfazer. Estes cinco livros, cada um à sua maneira, testam esses limites.
Requiem por um Sonho, de Hubert Selby Jr.
Requiem por um Sonho, de Hubert Selby Jr., é o retrato cru de vidas consumidas por várias formas de dependência. Selby escreve sem piedade, numa linguagem cortada à navalha, feita para ferir. Num ritmo que começa tímido, mas se alastra como um incêndio consumindo tudo à sua volta, acompanhamos Harry, Marion, Tyrone e Sara, personagens que vivem num torvelinho onde o sonho americano é apenas a ilusão que o vício alimenta. Cada um procura a sua versão de felicidade no dinheiro, no amor, na magreza ou no sucesso, mas todos acabam diante do mesmo espelho que devolve apenas o vazio. No fundo, cada um atravessa o seu próprio inferno interior até não restar nada. O paraíso prometido é substituído por comprimidos, seringas e promessas que se dissolvem em miséria. Ninguém está drogado por prazer, mas por desespero. Num mundo saturado de estímulos, onde a atenção se dispersa e a mente nunca descansa, a esperança dissolve-se antes mesmo de nascer. Esta é uma história sobre quem desistiu de sonhar acordado e, ainda assim, não consegue adormecer. Cada página é um grito mudo, uma súplica que o mundo não ouve.
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O Lado Selvagem, de Jon Krakauer
Em O Lado Selvagem, Jon Krakauer conta-nos a história real de Christopher McCandless, um jovem que abandona tudo para viver sozinho no Alasca. É uma odisseia moderna onde o desejo de pureza se confunde com a recusa da realidade. Chris quer ser livre, mas a liberdade longe de tudo, na Natureza, é também solidão, fome e frio. O autor não julga, mas também não romantiza, prefere mostrar como a fronteira entre coragem e imprudência é ténue. Ler o livro é acompanhar alguém que corre em direção ao abismo com um sorriso no rosto. O Lado Selvagem é menos sobre o Alasca do que sobre o impulso humano de romper com tudo, de procurar um sentido onde o mundo só oferece ruído. A viagem é tanto geográfica como interior e termina quando o corpo já não aguenta a própria busca. McCandless acredita que a vida só tem sentido fora do conforto, mas descobre, tarde demais, que o isolamento absoluto é também uma forma de morte. Krakauer capta o ponto exacto em que a liberdade se transforma em prisão e o sonho em derrota.
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A Paixão do Jovem Werther, de Johann Wolfgang Goethe
Werther é o oposto de McCandless. O protagonista de A Paixão do Jovem Werther não foge do mundo, entrega-se a ele por completo, e o que o destrói não é o isolamento, mas a incapacidade de acomodar a própria sensibilidade. Apaixonado por Charlotte, vive cada momento como se fosse irrepetível e, quando a realidade não corresponde ao esperado, sente que não há retorno possível. O livro revela como a intensidade pode ser um fardo insuportável e como a juventude muitas vezes confunde sentir com existir. Mais do que uma história de amor, A Paixão do Jovem Werther é um retrato da força do imaginário e do impacto que a literatura exerce sobre quem lê. Após a publicação, o livro provocou uma onda de emoções extremas e uma vaga de suicídios em vários países europeus, mostrando até que ponto a ficção pode influenciar a vida e as decisões mais íntimas dos leitores, ao transformar sentimentos escritos em atos trágicos e reais.
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Beloved, de Toni Morrison
Beloved, de Toni Morrison, é um romance sobre o peso da culpa e o terror da escravatura, mas também sobre o amor inquebrável entre mãe e filha, um amor tão absoluto que se confunde com o desespero. Sethe, uma antiga escrava, vive assombrada pelo passado e pelas marcas que ele deixou na sua vida. Morrison leva-nos até ao limite da memória e da dor, transformando a linguagem em matéria viva, feita de sangue, sonho e lembrança. O realismo da escrita, brutal e poético, coloca o leitor entre o que foi vivido e o que ainda dói. Mais do que contar uma história, Morrison propõe uma reflexão sobre o ato de recordar. Até onde pode alguém ir para proteger o que ama? E o que acontece quando o amor e a liberdade se tornam feridas impossíveis de sarar?
Beloved é, acima de tudo, um grito sobre o poder da maternidade, sobre o preço da sobrevivência e sobre o passado que continua a respirar no presente, moldando em silêncio a forma como apreendemos o mundo.
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O Deserto dos Tártaros, de Dino Buzzati
O italiano Dino Buzzati escreveu O Deserto dos Tártaros como uma parábola sobre o tempo e a paciência extrema. Giovanni Drogo é enviado para uma fortaleza isolada, à espera de uma batalha que talvez nunca aconteça. A rotina, meticulosamente repetida, transforma-se numa armadilha silenciosa, onde cada gesto e cada dia parecem consumidos por uma promessa indefinida. A guerra não surge, o inimigo talvez não exista, mas Drogo mantém-se fiel a um dever que ninguém lhe pediu.
Ler o livro é experimentar o peso do tempo acumulado e perceber como pequenas decisões e esperas podem definir toda uma vida. A narrativa revela a tensão entre dever e insignificância, entre ambição e inércia, e deixa no leitor a sensação de uma existência marcada pela expectativa e pela frustração. Ao mesmo tempo, mostra como a mente se adapta e se resigna, criando rotinas e significados provisórios para lidar com a estagnação e a impossibilidade de agir. Buzzati pretende mostrar-nos que o verdadeiro desafio não está lá fora, no deserto invariavelmente vazio, mas dentro de nós, nas escolhas inócuas que fazemos enquanto imaginamos algo maior que pode nunca chegar.
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DETALHES
| Propriedade | Descrição |
|---|---|
| ISBN: | 9789722527743 |
| Editor: | 11 X 17 |
| Data de Lançamento: | abril de 2014 |
| Idioma: | Português |
| Dimensões: | 113 x 173 x 8 mm |
| Encadernação: | Capa mole |
| Páginas: | 192 |
| Tipo de produto: | Livro |
| Coleção: | 11X17 |
| Classificação Temática: |
Livros em Português
>
Literatura
>
Romance
|
| EAN: | 9789722527743 |
| Idade Mínima Recomendada: | Não aplicável |
OPINIÃO DOS LEITORES
Um livro comovente
Inês
Um livro vertiginoso e bastante descritivo, onde a história é contada na primeira pessoa pela personagem principal. Devido à época em que foi redigido nem sempre é de leitura fácil e imediata.
Um Clássico Essencial
Manuel Ramalhete
Já tinha lido a mesma história, publicada com o singelo título de “Werther”, mas senti que faltava um aspecto essencial para enquadrar a obra, ou seja o seu contexto literário. Ora esta edição da Bertrand, começa com uma “Apresentação” que inclui o contexto literário, o fundo autobiográfico e a reflexão do autor sobre a sua própria obra. Contém ainda uma panorâmica sobre o modo como a obra foi recebida pela crítica e por vários escritores contemporâneos. Esta é uma obra do tipo epistolar, onde as cartas, datadas, enviadas ao seu amigo Wilhelm, são autênticos monólogos através dos quais a personagem põe a nu a paixão que o consome. São também essas cartas que informam o leitor da reacção das personagens com quem se relaciona. Este foi um dos romances que mais me impressionou pelo profundo conhecimento que o autor demonstra sobre as paixões levadas ao limite, ou seja, até ao desespero e autodestruição. Há ainda que ter em atenção a qualidade da informação das notas explicativas que se encontra no final do livro. Quem gosta de ler clássicos, não pode perder este.
Um livro mal afamado
Gonçalo Gomes
Um desgosto de amor e o seu impacto num jovem e impressionável romântico. Desde a universalidade dos sentimentos aos comportamentos do inflamado e unilateral amante, este livro (que carrega o fardo da fama do seu desfecho ter inspirado muitas acções idênticas na vida real) é praticamente um clássico do romantismo.
funcional
João J P Brito
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Uma leitura apaixonante!
Bean
A Paixão do Jovem Werther é uma história apaixonante sobre um triângulo amoroso e um amor proibido. Definitivamente, um dos melhores livros (e um dos mais românticos também) que li nos últimos tempos.
Clássico
Filipa
Mais um clássico imprescindível na biblioteca de qualquer amante da literatura. A edição é económica, mas bela no seu aspeto e na qualidade de tradução.
Excelente
Carla G.
Romantismo, paixão, desespero, loucura, são adjectivos que servem para resumir os sofrimentos do jovem Werther ...Assim, como não nos comovermos com um amor tão alem do nosso tempo?
Fantástico
Tânia Tomás
Escrita sublime e fácil de ler.
É Goethe. Chega? :)
anabela moutinho
Uma obra clássica de um autor clássico num momento de revolução. Por vezes tendemos a esquecer que todas as mudanças foram obra de poucos. Goethe, na sua genialidade poética e literária, foi, antes de mais, um visionário. Este seu "pequeno" romance virou a literatura da época "de pernas para o ar". E nunca mais se olhou o amor da mesma forma. Jovem, so no título - velho sábio,no conteúdo. Uma obrainesquecível.
O clássico do romantismo
Maria Teresa Meireles
Goethe é um dos nomes grandes da Literatura e uma das razões para que isso aconteça é precisamente este seu pequeno romance. Escrito a partir de uma experiência pessoal (um amor imenso não correspondido), Goethe conseguiu ultrapassar o seu desgosto através da escrita-catarse deste livro. «Werther» é o livro do Romantismo; Werther é O Apaixonado, com tudo o que isso pode implicar de grotesco ou sublime.
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