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A Paixão do Jovem Werther

de Johann Wolfgang Goethe
Editor: 11 X 17, abril de 2014 ‧
7,00€
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RECOMENDADO PELO PLANO NACIONAL DE LEITURA
Romance epistolar com raízes autobiográficas, A Paixão do Jovem Werther foi publicado pela primeira vez em 1774. Nas cartas dirigidas ao seu amigo Wilhelm, Werther, um jovem artista extremamente sensível e delicado, descreve a sua vida em Wahlheim, uma pequena aldeia para onde se mudou. Ali Werther conhece Charlotte, uma jovem de incrível beleza que, para grande infortúnio do rapaz, está noiva de Albert, um homem onze anos mais velho. Porém o jovem artista vê-se incapaz de controlar as suas emoções e apaixona-se loucamente por Lotte, dando azo a um dos mais famosos triângulos amorosos da história da literatura ocidental. Quando a impossibilidade de ter para si a sua amada se torna dolorosamente insuportável, Werther percebe que existe apenas uma solução, uma solução que fará cair o manto negro da tragédia sobre a pequena aldeia de Wahlheim.
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Histórias de amor à filme

Perdoe-se o título. A língua portuguesa tem maroscas destas: há mesmo a ideia de que nos filmes a coisa é mais dramática. Mas, desligando-se a televisão ao domingo, arranja-se coisa mais pungente.

  A única história É uma delicadeza de tal forma delicada – sensível e subtil – que é como levar cinco chapadas seguidas. O romance começa com uma pergunta: «Preferiam amar mais e sofrer mais; ou amar menos e sofrer menos?» Só um totó escolherá a segunda opção, e o narrador deste romance não é totó nenhum, embora saiba o que a vida custa quando se põe o pé na poça. Aos 19 anos, apaixonou-se – e do que vem daí até poderia, é certo, deduzir-se que o rapaz era um totó. A senhora Macleod era casada, tinha filhos, e tinha 40 e muitos anos. Dois jogavam ténis, e uma bola atirada de um lado para o outro perde a magia perante o susto do amor. Pela mão de Julian Barnes, é esse susto que o leitor vê – e vê-o como a memória que fica da história contada, da emoção pura como edificação emocional, moral, social. Finda a leitura, não é que haja uma história de amor bonita ou fácil – mas há um leitor desgraçado com a cabeça a andar à roda. VER MAIS »







  A paixão do jovem Werther A sério, alguém dê um ansiolítico ao homem. Um anti-histamínico, um analgésico, um rebuçado de mentol, sei lá. Aquilo não é paixão, já é doença. E, ainda por cima, doença apanhada por causa de Lotte, a insípida Lotte que não tem graça nenhuma. Li-o tantas vezes e pensei-o sempre: mas o que é que ela tem de especial? Nem importa que esteja noiva de Albert, que o amor não escolhe estados civis. Importa que não se perceba a graça do gesto, o timbre da voz, o som do riso. Entra-se aqui num dos mais famosos triângulos amorosos da literatura ocidental – e num dos mais trágicos também. Para Werther, a tragédia foi mesmo ter-se apaixonado. Fechado o livro, o leitor lá pensa: há que não ceder ao cinismo, mas também não é preciso tanto drama. VER MAIS » O amor nos tempos de cólera Para muito boa gente – não confirmo nem desminto se faço parte do grupo –, este romance disputa o lugar de primeiro, entre a obra de García Márquez, com Cem Anos de Solidão. Quanto a mim, ninguém se engane: eu acho graça ao exagero. E haverá alguém mais exagerado do que Florentino Ariza? Coitado, aquilo até dá pena: 50 anos à espera de uma mulher. E sempre da mesma, sempre à espera de que a mesma lhe ligasse, de que lhe desse uma sombra de afeto, meio segundo de atenção. Sim, é verdade que pintou um clima quando eram os dois jovens, mas, para ela, esse clima foi ao ar quando lhe ouviu a voz pela primeira vez. O amor idealizado era, afinal, um equívoco, e Ariza esperou um casamento inteiro – uma vida – até que a viuvez dela fosse deixá-la disponível para ele – para o amor dele, ali ainda hirto. Como é literatura, tudo se perdoa. Se for fora dos livros, 50 anos de espera podem ser motivo para fugir. VER MAIS »

Estar no Limite wookacontece 426.jpg

Estar no limite

Há livros que são como uma corda esticada entre dois prédios altos. O leitor, transformado em funâmbulo com vertigens, atravessa-a com as mãos suadas, o coração acelerado e a sensação de que basta uma vírgula mal colocada para cair. São histórias que nos obrigam a olhar de frente o colapso, não com o fascínio mórbido de quem observa o desastre dos outros, mas com a estranha consciência de que aquele limite também nos pertence. Às vezes basta um pequeno desvio, um amor, uma perda, uma obsessão, para o chão se abrir debaixo dos nossos pés. E há quem leia precisamente para isso, para espreitar o abismo e perceber até onde a alma humana aguenta sem se desfazer. Estes cinco livros, cada um à sua maneira, testam esses limites. Requiem por um Sonho, de Hubert Selby Jr. Requiem por um Sonho, de Hubert Selby Jr., é o retrato cru de vidas consumidas por várias formas de dependência. Selby escreve sem piedade, numa linguagem cortada à navalha, feita para ferir. Num ritmo que começa tímido, mas se alastra como um incêndio consumindo tudo à sua volta, acompanhamos Harry, Marion, Tyrone e Sara, personagens que vivem num torvelinho onde o sonho americano é apenas a ilusão que o vício alimenta. Cada um procura a sua versão de felicidade no dinheiro, no amor, na magreza ou no sucesso, mas todos acabam diante do mesmo espelho que devolve apenas o vazio. No fundo, cada um atravessa o seu próprio inferno interior até não restar nada. O paraíso prometido é substituído por comprimidos, seringas e promessas que se dissolvem em miséria. Ninguém está drogado por prazer, mas por desespero. Num mundo saturado de estímulos, onde a atenção se dispersa e a mente nunca descansa, a esperança dissolve-se antes mesmo de nascer. Esta é uma história sobre quem desistiu de sonhar acordado e, ainda assim, não consegue adormecer. Cada página é um grito mudo, uma súplica que o mundo não ouve. COMPRO NA WOOK! » O Lado Selvagem, de Jon Krakauer Em O Lado Selvagem, Jon Krakauer conta-nos a história real de Christopher McCandless, um jovem que abandona tudo para viver sozinho no Alasca. É uma odisseia moderna onde o desejo de pureza se confunde com a recusa da realidade. Chris quer ser livre, mas a liberdade longe de tudo, na Natureza, é também solidão, fome e frio. O autor não julga, mas também não romantiza, prefere mostrar como a fronteira entre coragem e imprudência é ténue. Ler o livro é acompanhar alguém que corre em direção ao abismo com um sorriso no rosto. O Lado Selvagem é menos sobre o Alasca do que sobre o impulso humano de romper com tudo, de procurar um sentido onde o mundo só oferece ruído. A viagem é tanto geográfica como interior e termina quando o corpo já não aguenta a própria busca. McCandless acredita que a vida só tem sentido fora do conforto, mas descobre, tarde demais, que o isolamento absoluto é também uma forma de morte. Krakauer capta o ponto exacto em que a liberdade se transforma em prisão e o sonho em derrota. COMPRO NA WOOK! » A Paixão do Jovem Werther, de Johann Wolfgang Goethe Werther é o oposto de McCandless. O protagonista de A Paixão do Jovem Werther não foge do mundo, entrega-se a ele por completo, e o que o destrói não é o isolamento, mas a incapacidade de acomodar a própria sensibilidade. Apaixonado por Charlotte, vive cada momento como se fosse irrepetível e, quando a realidade não corresponde ao esperado, sente que não há retorno possível. O livro revela como a intensidade pode ser um fardo insuportável e como a juventude muitas vezes confunde sentir com existir. Mais do que uma história de amor, A Paixão do Jovem Werther é um retrato da força do imaginário e do impacto que a literatura exerce sobre quem lê. Após a publicação, o livro provocou uma onda de emoções extremas e uma vaga de suicídios em vários países europeus, mostrando até que ponto a ficção pode influenciar a vida e as decisões mais íntimas dos leitores, ao transformar sentimentos escritos em atos trágicos e reais. COMPRO NA WOOK! » Beloved, de Toni Morrison Beloved, de Toni Morrison, é um romance sobre o peso da culpa e o terror da escravatura, mas também sobre o amor inquebrável entre mãe e filha, um amor tão absoluto que se confunde com o desespero. Sethe, uma antiga escrava, vive assombrada pelo passado e pelas marcas que ele deixou na sua vida. Morrison leva-nos até ao limite da memória e da dor, transformando a linguagem em matéria viva, feita de sangue, sonho e lembrança. O realismo da escrita, brutal e poético, coloca o leitor entre o que foi vivido e o que ainda dói. Mais do que contar uma história, Morrison propõe uma reflexão sobre o ato de recordar. Até onde pode alguém ir para proteger o que ama? E o que acontece quando o amor e a liberdade se tornam feridas impossíveis de sarar?
Beloved é, acima de tudo, um grito sobre o poder da maternidade, sobre o preço da sobrevivência e sobre o passado que continua a respirar no presente, moldando em silêncio a forma como apreendemos o mundo. COMPRO NA WOOK! » O Deserto dos Tártaros, de Dino Buzzati O italiano Dino Buzzati escreveu O Deserto dos Tártaros como uma parábola sobre o tempo e a paciência extrema. Giovanni Drogo é enviado para uma fortaleza isolada, à espera de uma batalha que talvez nunca aconteça. A rotina, meticulosamente repetida, transforma-se numa armadilha silenciosa, onde cada gesto e cada dia parecem consumidos por uma promessa indefinida. A guerra não surge, o inimigo talvez não exista, mas Drogo mantém-se fiel a um dever que ninguém lhe pediu.
Ler o livro é experimentar o peso do tempo acumulado e perceber como pequenas decisões e esperas podem definir toda uma vida. A narrativa revela a tensão entre dever e insignificância, entre ambição e inércia, e deixa no leitor a sensação de uma existência marcada pela expectativa e pela frustração. Ao mesmo tempo, mostra como a mente se adapta e se resigna, criando rotinas e significados provisórios para lidar com a estagnação e a impossibilidade de agir. Buzzati pretende mostrar-nos que o verdadeiro desafio não está lá fora, no deserto invariavelmente vazio, mas dentro de nós, nas escolhas inócuas que fazemos enquanto imaginamos algo maior que pode nunca chegar. COMPRO NA WOOK! »

A Paixão do Jovem Werther

de Johann Wolfgang Goethe

Propriedade Descrição
ISBN: 9789722527743
Editor: 11 X 17
Data de Lançamento: abril de 2014
Idioma: Português
Dimensões: 113 x 173 x 8 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 192
Tipo de produto: Livro
Coleção: 11X17
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789722527743
Idade Mínima Recomendada: Não aplicável

Um livro comovente

Inês

Um livro vertiginoso e bastante descritivo, onde a história é contada na primeira pessoa pela personagem principal. Devido à época em que foi redigido nem sempre é de leitura fácil e imediata.

Um Clássico Essencial

Manuel Ramalhete

Já tinha lido a mesma história, publicada com o singelo título de “Werther”, mas senti que faltava um aspecto essencial para enquadrar a obra, ou seja o seu contexto literário. Ora esta edição da Bertrand, começa com uma “Apresentação” que inclui o contexto literário, o fundo autobiográfico e a reflexão do autor sobre a sua própria obra. Contém ainda uma panorâmica sobre o modo como a obra foi recebida pela crítica e por vários escritores contemporâneos. Esta é uma obra do tipo epistolar, onde as cartas, datadas, enviadas ao seu amigo Wilhelm, são autênticos monólogos através dos quais a personagem põe a nu a paixão que o consome. São também essas cartas que informam o leitor da reacção das personagens com quem se relaciona. Este foi um dos romances que mais me impressionou pelo profundo conhecimento que o autor demonstra sobre as paixões levadas ao limite, ou seja, até ao desespero e autodestruição. Há ainda que ter em atenção a qualidade da informação das notas explicativas que se encontra no final do livro. Quem gosta de ler clássicos, não pode perder este.

Um livro mal afamado

Gonçalo Gomes

Um desgosto de amor e o seu impacto num jovem e impressionável romântico. Desde a universalidade dos sentimentos aos comportamentos do inflamado e unilateral amante, este livro (que carrega o fardo da fama do seu desfecho ter inspirado muitas acções idênticas na vida real) é praticamente um clássico do romantismo.

funcional

João J P Brito

os livros valem o que valem por si . A wook facilita a aquisição e o sistema de entrega, se bem que caro, é rápido e seguro

Uma leitura apaixonante!

Bean

A Paixão do Jovem Werther é uma história apaixonante sobre um triângulo amoroso e um amor proibido. Definitivamente, um dos melhores livros (e um dos mais românticos também) que li nos últimos tempos.

Clássico

Filipa

Mais um clássico imprescindível na biblioteca de qualquer amante da literatura. A edição é económica, mas bela no seu aspeto e na qualidade de tradução.

Excelente

Carla G.

Romantismo, paixão, desespero, loucura, são adjectivos que servem para resumir os sofrimentos do jovem Werther ...Assim, como não nos comovermos com um amor tão alem do nosso tempo?

Fantástico

Tânia Tomás

Escrita sublime e fácil de ler.

É Goethe. Chega? :)

anabela moutinho

Uma obra clássica de um autor clássico num momento de revolução. Por vezes tendemos a esquecer que todas as mudanças foram obra de poucos. Goethe, na sua genialidade poética e literária, foi, antes de mais, um visionário. Este seu "pequeno" romance virou a literatura da época "de pernas para o ar". E nunca mais se olhou o amor da mesma forma. Jovem, so no título - velho sábio,no conteúdo. Uma obrainesquecível.

O clássico do romantismo

Maria Teresa Meireles

Goethe é um dos nomes grandes da Literatura e uma das razões para que isso aconteça é precisamente este seu pequeno romance. Escrito a partir de uma experiência pessoal (um amor imenso não correspondido), Goethe conseguiu ultrapassar o seu desgosto através da escrita-catarse deste livro. «Werther» é o livro do Romantismo; Werther é O Apaixonado, com tudo o que isso pode implicar de grotesco ou sublime.

SOBRE O AUTOR

Johann Wolfgang Goethe

Nascido em 28 de agosto de 1749 em Frankfurt, de família abastada, frequentava o teatro já adolescente e, ao que consta, gostava de festejar os seus anos. O que o mundo inteiro agora faz, por ele.
Goethe é um dos grandes escritores da literatura Europeia, o maior, se é que se pode falar de tamanho quando à escrita nos referimos, da língua alemã. Joyce nomeava assim a "Santíssima Trindade" da escrita na Europa: Dante, Goethe e Shakespeare. Dos três, talvez seja o que tem obra menos divulgada, mas todos já ouviram falar do "Fausto" e de "Werther". Foi um dos mentores do movimento Sturm und Drang (mas, apesar de partilhar o interesse romântico pelo sofrimento, pela paixão e pela loucura, não os considerava como última e única solução na vida). Conseguiu um contrato que o fez viver da literatura, coisa rara para a época.
É "A Paixão do Jovem Werther", escrito e publicado em 1774 que lhe traz alguma notoriedade. Por isso, o príncipe Karl August, Duque de Sachsen-Weimar-Eisenach, um apaixonado do "Werther", convidou-o para a corte de Weimar. Goethe organizou vários eventos culturais e escreveu / dirigiu pequenas peças satíricas. No entanto, acabaria por cansar-se da vida na corte e viria a desaparecer numa viagem a Carlsbad, durante o Verão de 1786, dirigindo-se para o sul de Itália, numa carruagem de correio, sem deixar quaisquer explicações. A descrição desta viagem, dos Alpes a Roma, com passagem por Verona e Veneza, é um dos seus relatos mais interessantes e operou em Goethe uma transformação pessoal, ou, como o próprio disse, uma "mudança de pele". Em Roma, onde convive com a colónia artística alemã e suíça, a sua paixão por Faustina dará origem aos poemas "Elegias Romanas" (que no entanto só escreverá mais tarde, no seu regresso a Weimar). Goethe sente-se atraído pelo sexo e pelo classicismo. Em Itália escreveu as obras "Ifigénia", "Egmont", cenas do "Tasso" e do "Fausto", elaborou um diário das suas observações botânicas e pintou mais de mil desenhos e aguarelas.
De regresso a Weimar, em 1788, renegoceia o contrato com o duque Karl August e arranja uma amante, Christiane Volpius, com quem se casará em 1806, inculta e quase analfabeta, que lhe daria 6 filhos, dos quais apenas August sobreviveu, mas que nunca viria a conviver com a sociedade de Weimar. Nesse ano começa a escrita de "Os Anos de Peregrinação de Wilhelm Meister", que terminará em 1829.
Em 1794 torna-se amigo de Schiller, uma amizade conturbada, que se prolongará até à morte precoce deste em 1805.
"Fausto" é a sua grande obra, escrita e reescrita ao longo de vários anos, mesmo décadas, e que conhece entre nós uma tradução, da autoria de João Barrento, ensaísta e professor da Universidade Nova de Lisboa, numa belíssima edição, enriquecida com magníficos desenhos da pintora Ilda David'. O mito de Fausto é bem conhecido e remonta a muito antes de Goethe. A ambição de Fausto fá-lo vender a alma ao diabo, em troca de mais sabedoria, poder e prazer na terra. É uma história com a moral determinada pelo luteranismo: não devemos deixar-nos levar pelo que parece ser fácil de conseguir e de nada vale ganhar o mundo em troca da nossa alma. Mas a história do Fausto de Goethe não é bem assim, e torna-se muito mais complexa. Sabemos logo no prólogo que Fausto não irá para o Inferno. Deus permite que o Diabo (Mefistófeles) conceda poderes a Fausto, acreditando que este os poderá usar de forma criativa. Mas Fausto também pode fazer coisas terríveis, como seduzir a jovem Gretchen, engravidá-la e abandoná-la...
Num interessante artigo de John Armstrong, publicado na "Prospect" e traduzido na revista "Best Of" (outubro de 99), do jornal "O Independente", sobre o que a leitura de Goethe tem para oferecer a um leitor moderno, aquele conclui, referindo-se ao "Fausto":
«Seria uma loucura querer saber o significado de uma obra com esta complexidade, mas seria uma pena não tentar interpretá-la. A peça pode ser compreendida como uma tentativa de Goethe demonstrar como Fausto pode permanecer uma figura de esperança, apesar das peripécias de Gretchen. Goethe lida com a eterna questão do mal. Se acreditarmos que a existência é essencialmente benigna, como se conseguirá acomodar a existência do mal? O horrível comportamento para com Gretchen será o fardo eterno que terá de carregar, mas não o impede de aplicar os seus poderes de forma produtiva. Goethe está implicitamente a afirmar: Claro que coisas más acontecem, e nem sempre são no melhor sentido, mas nem o sofrimento, nem o desespero mostram que tudo é mau. Os humanos são seres complexos e resistentes e podemos sempre optar por outras coisas que valham a pena. Esta é a forma mais sã de otimismo.»
Também João Barrento, em entrevista ao suplemento "Leituras", do jornal "Público" referia: «Há aspetos particulares, micronarrativas, que podem dar ao "Fausto" uma certa atualidade: uma perspetiva muito arguta das relações entre a arte e a ciência; uma certa resistência à teoria a favor de uma permanente valorização da empiria, do concreto, os fenómenos em detrimento do conceito abstrato; a expressão de um certo subjetivismo narcisista, que é muito de Goethe, de um certo hedonismo em que nós hoje nos revemos.» Goethe terminou a última versão do seu "Fausto", meses antes de morrer, em 1832, com 83 anos.

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