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A Nova Ordem Internacional e a Crise Europeia

O Neoliberalismo pode ser um Totalitarismo?

de José Maria Rodrigues da Silva
Editor: Chiado Books, abril de 2013 ‧
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Na minha rua abriu um talho de carne de cavalo, o que me fez lembrar os tempos da segunda guerra mundial. Era eu garoto mas lembro-me bem: faltavam géneros alimentares, sobrava a pobreza e não havia liberdade; hoje, há liberdade, abunda a oferta de géneros alimentares mas voltou a sobrar a pobreza. A que se deve a mudança: à ordem interna ou à internacional? Se acreditarmos no discurso politico partidário mediático, deve-se à ordem interna. A dialética da crise parece esgotar-se no combate ao défice. Na glorificação ou maldição da austeridade, no ping pong da culpa - a culpa foi de Sócrates versus a culpa é de Passos Coelho - e na inculpação dos portugueses que terão vivido acima das suas possibilidades. Mas a culpa não será também dos mercados financeiros, que abusaram da sua condição de financiadores exclusivos dos estados exigindo-lhes juros elevadíssimos?

Há décadas, os estados financiavam-se junto dos seus bancos centrais - veja-se qualquer manual de Finanças Públicas de então - e não junto dos mercados financeiros onde predominam os fundos soberanos dos estados exportadores de petróleo. Porquê a mutação? Os mercados financeiros são o principal dos atores da nova ordem internacional, a economia global neoliberal, que tem tudo para ser um totalitarismo. Como dizem alguns autores os mercados são os donos do mundo. Foi para chamar atenção do leitor para a estreita relação que os liga que dei a este ensaio o título de "A Nova Ordem Internacional e a Crise Europeia".

O neoliberalismo global não foi criado para os pequenos estados que, para se defenderem aderiram a organizações regionais, criadas para serem uma resposta à globalização. Infelizmente a União Europeia, dominada pela Alemanha de Merkel, adota politicas monetaristas que visam a redução radical do défice e exige aos estados em dificuldades orçamentos de grande austeridade que levam ao agravamento da divida e à destruição da economia. Que fazer? No plano da globalização, regular os mercados; no plano comunitário, lutar pela adoção de outras políticas; em geral, criar um projeto de futuro que dê sentido aos sacrifícios pedidos.

E se for necessário sair do Euro? Paciência, saímos embora a contra gosto.

A Nova Ordem Internacional e a Crise Europeia

O Neoliberalismo pode ser um Totalitarismo?

de José Maria Rodrigues da Silva

Propriedade Descrição
ISBN: 9789895101610
Editor: Chiado Books
Data de Lançamento: abril de 2013
Idioma: Português
Dimensões: 0 x 0 x 13 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 170
Tipo de produto: Livro
Coleção: Passos Perdidos
Classificação Temática: Livros em Português > Economia, Finanças e Contabilidade > Economia
Livros em Português > Política > Política em Geral
EAN: 9789895101610

SOBRE O AUTOR

José Maria Rodrigues da Silva

José Maria Rodrigues da Silva. Nasceu em Almada em 1932 e licenciou-se em Direito em 1957, na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Fez o Curso Complementar de Ciências Jurídicas, foi advogado, professor, juiz dos Tribunais de Trabalho, juiz desembargador na seção cível do Tribunal da Relação de Évora e na seção social do Tribunal da Relação de Lisboa, juiz conselheiro do Supremo Tribunal Administrativo e do Tribunal Superior de Justiça de Macau. Foi membro da Comissão que elaborou o Código do Processo de Trabalho, relator do Conselho da Europa para o Processo e a Jurisdição do Trabalho, representante de Portugal no Simpósio da ONU, em Genebra, sobre a exploração do trabalho infantil, presidente da Associação Sindical dos Juízes Portugueses e vice-presidente da Associação para o Progresso do Direito.
Tem privilegiado a reflexão multidisciplinar sobre o Poder e a Modernidade. A sua vasta obra publicada abarca o ensaio, a ficção, a poesia e o teatro, num total de 22 títulos. Sentiu-se feliz em muitos momentos da sua vida e deixa três filhos a quem transmitiu os seus genes e que espera que sejam melhores do que ele foi.

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