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A Fúria e Outros Contos

de Silvina Ocampo
Editor: Antígona, maio de 2021 ‧
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Tudo coabita no universo elegíaco de Silvina Ocampo. Vidas enredadas na ficção, traições ardentes e vinganças geladas, espelhos ou sonhos que reflectem fantasmas de carne e osso. o quotidiano mágico de bons agoiros e maus presságios ou a calma imperturbável que antecede a violência torrencial. Muita fantasia, muita crueldade. E sempre a infância, a fina fissura entre inocência e perversão.

A Fúria e Outros Contos (1959), o seu livro mais ocampiano, reúne trinta e quatro brevíssimas histórias, entre as quais As Fotografias - aniversário repleto de júbilo e macabro -, A Paciente e o Médico - seres aprisionados à loucura, à enfermidade, à devoção e ao ódio - e A Casa de Açúcar - espectros de vidas passadas, o conto preferido de Julio Cortázar.

«Não conheço outro escritor que capture melhor a magia dos rituais quotidianos, o rosto proibido ou oculto que os nossos espelhos não nos mostram.»
Italo Calvino

«Nos contos da Silvina Ocampo há uma particularidade que não consigo compreender, o seu estranho amor por uma certa crueldade inocente ou oblíqua; atribuo essa singularidade ao interesse, o interesse atónito que o mal inspira numa alma nobre.»
Jorge Luis Borges

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Wook se escreve na Argentina – Os clássicos

A literatura argentina é uma das mais ricas, complexas e influentes da América Latina. Marcada por uma constante tensão entre o erudito e o popular, entre o cosmopolitismo de Buenos Aires e as vozes do interior do país, as letras argentinas foram moldadas por figuras como Jorge Luis Borges, Julio Cortázar e Adolfo Bioy Casares, que representam o seu pilar clássico e, mais recentemente, por escritores inovadores como Samanta Schweblin ou Pedro Mairal.
Desde os jogos labirínticos e metafísicos de Borges até às provocações urbanas e sensuais de escritores contemporâneos, a Argentina tornou-se uma potência literária com ecos em todo o mundo, incluindo Portugal, onde muitos dos seus autores têm sido cada vez mais publicados e lidos. Nesta primeira parte, percorremos os clássicos.
Este artigo foi originalmente publicado na revista Wookacontede de maio de 2025. Jorge Luis Borges (1899-1986) – a fundação de um universo literário Poeta, ensaísta e ficcionista, Jorge Luis Borges é o arquiteto de um dos universos mais originais e influentes da literatura do século XX. O escritor fundou uma literatura em que o conto reina como forma suprema de expressão, e onde a imaginação supera a experiência vivida. Bibliotecas infinitas, labirintos, tigres, enciclopédias fictícias, silogismos e bestiários convivem com personagens fascinantes e inesquecíveis.
Obras como Ficções (1944) e O Aleph (1949) são autênticas cartografias do pensamento, explorando temas como o infinito, a memória e o tempo — símbolos recorrentes no seu imaginário. Aí encontramos ficções povoadas pelos elementos que farão de Borges uma figura mítica, como os labirintos, os espelhos, as bibliotecas e os tigres. Nas suas histórias, elementos, pessoas e cenários prosaicos são vistos em contextos incomuns e com significados extraordinários, ao mesmo tempo que fenómenos misteriosos e metafísicos se revelam em ambientes quotidianos.
A influência de Borges foi ainda determinante para a consolidação do fantástico como género literário moderno, sendo o autor reverenciada por Gabriel García Márquez, Umberto Eco e Italo Calvino. COMPRO NA WOOK! » Julio Cortázar (1914–1984) – O jogo literário Nascido em Bruxelas e criado na Argentina, Julio Cortázar expandiu os horizontes da literatura latino-americana com o seu estilo único, a sua linguagem lúdica e o seu interesse pela cultura urbana e pelos mecanismos do poder, da arte e do desejo – o que o tornou numa das figuras centrais do Boom Latino-Americano da década de 1960.
O seu romance mais famoso, Rayuela (o jogo da amarelinha, 1963), rompe com as convenções narrativas ao propor uma leitura em múltiplas ordens. Este relato de amor entre um intelectual argentino no exílio, Horacio Oliveira, e uma misteriosa uruguaia, a Maga, ao acaso das ruas e das pontes de Paris, é um marco inovador na literatura do século XX. Obra lúdica, filosófica, urbana e existencial, convida o leitor a participar ativamente na construção da história. Ao longo de quase quatro décadas, escreveu 12 famosos volumes de contos, num estilo tão alucinante como o improviso no jazz e tão surpreendente como um combate de boxe.
A escrita de Cortázar, profundamente influenciada pelo surrealismo e pelo existencialismo europeu, reflete também um forte compromisso político. O escritor foi um intelectual engajado, defensor da revolução cubana e crítico das ditaduras sul-americanas. COMPRO NA WOOK! » Adolfo Bioy Casares (1914–1999) – A literatura do insólito Amigo íntimo e colaborador de Borges, Adolfo Bioy Casares destacou-se como autor de narrativas fantásticas, policiais e de ficção científica. A Invenção de Morel (1940) considerado a sua obra-prima, mistura ficção científica e filosofia para contar a história de um fugitivo que descobre uma ilha habitada por figuras enigmáticas que se repetem ciclicamente, levando à revelação de uma máquina capaz de reproduzir a realidade. Outras obras, como Plano de Evasão e Diario da Guerra aos Porcos, aprofundam a reflexão sobre o controlo mental, a memória e a violência geracional. Bioy Casares combinou imaginação com uma narrativa precisa, em que sobressaem as questões filosóficas e éticas. COMPRO NA WOOK! » Silvina Ocampo (1903–1993) – O maravilhoso perverso Rebelde das letras argentinas, esta poeta e artista, e esposa de Bioy Casares, Silvina Ocampo é conhecida pelo seu imaginário inquietante e sofisticado. Silvina construiu uma obra onde a infância, o fantástico e o grotesco se entrelaçam. A coletânea A Fúria (1959) é um dos seus livros mais emblemáticos, com contos onde a crueldade e o insólito emergem de forma subtil e perturbadora. A sua escrita é enigmática, revelando uma sensibilidade aguda para os aspetos sombrios do quotidiano. Colaboradora próxima de Borges e Bioy e durante muito tempo subestimada, Silvina é hoje reconhecida como uma das grandes escritoras argentinas. COMPRO NA WOOK! » Ricardo Piglia (1941–2017) – Narrar para pensar Romancista, crítico e ensaísta, Ricardo Piglia foi uma figura central da literatura argentina contemporânea. A sua obra, que cruza a narrativa policial, o ensaio literário e a reflexão histórica, tem em Alvo Noturno (2010) e Respiración Artificial alguns dos seus pontos altos. Piglia explorou a tensão entre ficção e documento, verdade e representação, com uma prosa cerebral, envolvente e profundamente política. A sua contribuição crítica, nomeadamente com Los Diarios De Emilio Renzi, é também fundamental para compreender a tradição literária argentina. COMPRO NA WOOK! »

A Fúria e Outros Contos

de Silvina Ocampo

Propriedade Descrição
ISBN: 9789726083832
Editor: Antígona
Data de Lançamento: maio de 2021
Idioma: Português
Dimensões: 136 x 211 x 14 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 240
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Contos
EAN: 9789726083832

A arte do conto

Ricardo Reis

Silvina Ocampo é mestre na arte do conto. Uma escrita rica em imagens sem nunca se tornar barroca e intensa sem nunca se tornar pesada. A publicação deste livro é um marco na vida editorial portuguesa. Recomendo vivamente.

Um clássico

Maria Teresa Meireles

Contos de Silvina são diferentes. Há uma fórmula que lhe é própria e de que nos apercebemos à medida que a vamos lendo

bem-vinda, Silvina!

NA

Só com a publicação de "A Fúria" pela Antígona e de "Os dias da noite", pela Snob, é que podemos perceber o quanto nos faltava a obra de Ocampo na língua portuguesa. Contista exemplar, belíssima edição.

SOBRE O AUTOR

Silvina Ocampo

Companheira de Adolfo Bioy Casares, íntima de Alejandra Pizarnik, cúmplice intelectual de Jorge Luis Borges, admirada por autores como Italo Calvino e Roberto Bolaño – nenhuma destas relações serve para compreender inteiramente o mistério de Silvina Ocampo (1903-1993), um dos tesouros mais bem guardados da literatura latino-americana do século XX. Rebelde das letras argentinas, Silvina Ocampo estudou belas-artes com Giorgio de Chirico e Fernand Léger, em Paris, mas é no regresso à Buenos Aires natal que encontra a sua voz – nos contos inaugurais de Viaje olvidado (1937), a que se seguiriam A Fúria e Outros Contos (1959) ou Las Invitadas (1961), no romance La Promesa, publicado postumamente em 2010, e na Antologia da Literatura Fantástica (1940), que organizou com Borges e Casares. Poeta singular, mestre na arte de contar histórias, Silvina Ocampo «vê-nos como se fôssemos feitos de vidro, vê-nos e perdoa-nos» (Borges), narrando o teatro da humanidade com distanciamento e elegância – com notas de insólito, fantasia e terror.

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