A Criada Zerlina
SINOPSE
Entre um e outro, como única mediadora, está a sua linguagem, em cuja rudimentaridade procura a sistematização de valores que assistem à sua conversão de «ser erótico» em «ser ético». Como resíduo desta transformação, emerge o valor axial do seu movimento: a culpa. Não a sua – Zerlina permanece sempre exterior ao mundo que observa e relata – mas a de uma sociedade que a ela se exime, justamente porque aceita assimilar e inscrever corpo e culpa. Sobre elas Zerlina, enquanto «ser ético», passa julgamento e delibera ser guardiã e executora da consequência do sistema de valores que identificou.
É a sua exterioridade a esse sistema que a investe da capacidade de ser juiz e seu carrasco. A sua posição, é uma posição extrema, absoluta, como rudimentar e limite é a sua linguagem. Ambas decorrem de um valor maior e primeiro: a intensa transferência das vivências, que na sua intensidade só podem ser inocência.
CRÍTICAS DE IMPRENSA
«Para Hannah Arendt, esta narrativa de Zerlina é apenas uma das maiores histórias de amor de toda a literatura, e a sua preferida. Efectivamente, esta Criada Zerlina é uma figura inesquecível, quer pela violência dos seus desejos, despidos de qualquer afecto ou compaixão, quer pela força do retrato que traça de si mesma perante um interlocutor que se apaga.»
Colóquio/Letras
DETALHES
| Propriedade | Descrição |
|---|---|
| ISBN: | 9789722905817 |
| Editor: | Difel |
| Data de Lançamento: | abril de 2002 |
| Idioma: | Português |
| Dimensões: | 150 x 230 x 20 mm |
| Encadernação: | Capa mole |
| Páginas: | 72 |
| Tipo de produto: | Livro |
| Coleção: | Pequenos Textos de Grandes Autores |
| Classificação Temática: |
Livros em Português
>
Literatura
>
Romance
|
| EAN: | 9789722905817 |
| Idade Mínima Recomendada: | Não aplicável |
OPINIÃO DOS LEITORES
Leitura Obrigatória!
Rita Alexandra Duarte Pereira
A história passa-se, muito provavelmente, nos inícios do séc. XX. Como era habitual em todas as casas ricas das cidades, havia criadas. Rapariguitas moças dos campos iam para essas casas trabalhar por tempo indefinido, passavam a ser quase membros da família e conheciam todos os segredos e cantos à casa. Zerlina é uma dessas criadas. A história da sua vida é um autêntico romance! Como é referido na sinopse, Zerlina pretende ser executora da consequência do sistema de valores sociais da sua época. Mas o que quer isto dizer? Em nova agiu conforme as suas emoções, através do desejo pelo corpo e da sede de paixão. Agora em velha age com experiência de vida, sabedoria, com a razão. Como li algures, ela transformou-se. Passou de um «ser erótico» para um «ser ético». Isto ao longo dos anos, claro, não foi uma mudança do dia para a noite. Zerlina, mesmo na velhice, continua a alimentar pensamentos obscuros... A outra personagem que entra na história é A., ou pode-se dizer o próprio leitor (?), um hóspede que ouve a fantástica trama desta criada. O autor não deu um nome, apenas uma letra... Isso só torna mais real o tempo da narrativa, pois qualquer leitor pode colocar-se na "pele" deste A.
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