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A Consciência de Zeno

de Ítalo Svevo
Editor: Dom Quixote, setembro de 2009 ‧
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Criado originalmente como instrumento de apoio a um tratamento psicanalítico, o burguês e bon vivant quase-sessentão Zeno Cosini, de Trieste, exibe todas as suas fragilidades, falcatruas e desvios, dos menores aos maiores, em acções, omissões e sentimentos.

Vício do fumo, infidelidade conjugal permanente, ciúme doentio, inveja, hipocrisia, fingimento, cinismo, imposturas, medo da velhice, fúria, indiferença para com a família... A lista de "pecados" de Zeno é extensa - como são ilimitados os sonhos e as fantasias que a alimentam.

Mas também é grande o sofrimento que emana dessa espécie de diário, perante as agruras de uma vida dupla, do ócio improdutivo, da orfandade relativamente precoce, da doença e da dor, da morte, do amor não- -correspondido. De um desejo de felicidade cuja satisfação se mostra, afinal, inatingível.

A Consciência de Zeno

de Ítalo Svevo

Propriedade Descrição
ISBN: 9789722038003
Editor: Dom Quixote
Data de Lançamento: setembro de 2009
Idioma: Português
Dimensões: 126 x 117 x 26 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 440
Tipo de produto: Livro
Coleção: Biblioteca António Lobo Antunes
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789722038003

Certamente que Freud nunca se riu tanto!

Rui

Uma agradabilíssima surpresa! Sob o pretexto da cura de uma dependência do cigarro, mas não só, Zeno recorre a um psicanalista para o ajudar no seu desígnio. Quer livrar-se do vício, mas, ao mesmo tempo, não quer abdicar de fumar o seu último cigarro (que diz ter um sabor diferente dos outros). O psicanalista, por si só uma personagem curiosa, sugere a Zeno, como tratamento, que escreva a sua autobiografia (prática nunca vista no mundo da psicanálise). Zeno acede ao pedido do médico, mas acaba por entrar em conflito com este e abandona o tratamento. De “candeias às avessas” com o seu doente, o médico psicanalista publica, por vingança (palavras do próprio), a autobiografia de Zeno. É esta a premissa desta história de vida, desta consciência de Zeno. O livro é, portanto, uma espécie de abordagem freudiana, embora cheia de falhas no seu método, à vida de um homem. Um burguês (que herdou muito dinheiro e um próspero negócio – que não está habilitado a gerir), hipocondríaco, sedentário, inseguro e incapaz de tomar uma decisão. Através dos episódios relatados na sua autobiografia, o sumo da narrativa, podemos testemunhar um sem fim de episódios rocambolescos e hilariantes. Porém, ironicamente (ou não), nem por isso Zeno se deu muito mal na vida (pelo contrário). As múltiplas histórias narradas por Zeno dão-nos a perceber claramente a ironia por que muito da sua vida se guiou. No fim, o doente, diz ter chegado à sua conclusão final: não é ele que está doente, mas sim o mundo à sua volta.

(In)consciência de Zeno

Mary

É uma leitura obrigatória para todos os estudantes de literatura italiana por algum motivo: é um dos romances mais brilhantes e criativos do século passado, onde se vagueia pela consciência de Zeno, uma das personagens mais interessantes já criadas.

SOBRE O AUTOR

Ítalo Svevo

Italo Svevo, pseudónimo do escritor e dramaturgo Aron Hector Schmitz, nasceu em Trieste, cidade do Império Austro-Húngaro à altura, a 19 de dezembro de 1861.
Até aos 18 anos, estudou num colégio interno alemão com os seus irmãos, até que regressou a Trieste, onde continuou a sua formação por mais dois anos, altura em que o pai declara falência e Aron é forçado e procurar um emprego para se sustentar. Ao longo dos vinte anos seguintes, trabalha como bancário no Unionbank de Viena, experiência que o inspirará a escrever, em 1892, o seu primeiro romance, Una Vita, que assinou como Italo Svevo.
A receção à sua obra de estreia foi fraca, não melhorando significativamente quando, em 1898, publicou Senilità.
Pacifista, humanista, defensor do Socialismo-Democrático e, depois da guerra, de uma união económica europeia, irá também colaborar com o periódico socialista L’indipendente, com artigos de opinião neste período.
Em 1896, casa com a prima, Livia Veneziani, e torna-se sócio do negócio de tintas industriais, usadas em navios de guerra, montado pelo sogro. O negócio floresce e é aberta uma sucursal em Inglaterra, onde Svevo viveu parte da sua vida e onde conheceu James Joyce. Esta amizade influenciaria fortemente o futuro de ambos: Svevo seria a inspiração de Joyce para a personagem do clássico modernista Ulisses, Leopold Bloom; e Joyce determinaria a receção da obra mais importante de Svevo, o romance psicológico de forte cariz autobiográfico A Consciência de Zeno, autopublicado em 1923, cujo herói, Zeno Cosini, na sua demanda para se curar do vício do tabaco, não consegue lidar com a ideia de fumar um último cigarro.
A 13 de setembro de 1928, quando regressava com a família das termas de Bormio, não resistiu aos ferimentos causados por um acidente de viação e morreu, aos 66 anos, deixando o seu quarto romance, Il Vechione — a continuação de A Consciência de Zeno — por terminar.

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