A Cidade e as suas Muralhas Incertas (Ed. Limitada Capa Holográfica)
SINOPSE
Chegado o outono, o rapaz recebe uma última carta, o prenúncio de uma despedida, e ela desaparece do mapa, como que por magia. Perdido de amores, apodera-se do rapaz uma tristeza sem fim, mas eis que se decide, investido de um verdadeiro espírito de peregrinação, procurar a elusiva via de acesso à cidade, na esperança de reencontrar a amada.
Finalmente diante do portão, tem de prescindir da sua sombra e é-lhe atribuída a função de leitor de sonhos numa biblioteca sui generis, que não alberga nem um livro para amostra. Afinal, a cidade tal como ela a descreveu existe, e tudo é possível nesse assombroso universo paralelo, onde a realidade, a identidade, os sonhos e as sombras pairam e escapam aos limites rígidos e implacáveis da lógica.
DETALHES
| Propriedade | Descrição |
|---|---|
| ISBN: | 9789895814268 |
| Editor: | Casa das Letras |
| Data de Lançamento: | abril de 2025 |
| Idioma: | Português |
| Dimensões: | 156 x 236 x 36 mm |
| Encadernação: | Capa mole |
| Páginas: | 560 |
| Tipo de produto: | Livro |
| Classificação Temática: |
Livros em Português
>
Literatura
>
Romance
|
| EAN: | 9789895814268 |
OPINIÃO DOS LEITORES
A Cidade e as Suas Muralhas Incertas — Quem é o leitor de sonhos?
João Matias
Murakami volta a lembrar-nos que há mundos dentro de nós tão reais quanto o que pisamos. Neste romance — com a escrita ardilosa e habilmente montada na dicotomia realidade/ficção a que o nipónico já nos habituou — a cidade onírica ergue-se como metáfora poderosa desse território interior onde guardamos sonhos, memórias e versões possíveis de nós mesmos. Um lugar tentador pela sua perfeição… mas estagnado. Ali, até os relógios deixam de marcar horas; e isso diz tudo. Sem tempo não há mudança, não há vida, não há sombra. Nem dor. Nem sofrimento. É tudo… um nada indefinido. A sombra, aliás, é a grande chave do livro: aquilo que nos prende ao mundo real, com toda a sua imperfeição, dor e humanidade. Quem abdica dela pode viver num sonho perfeito, mas deixa de existir de verdade. O antigo diretor da biblioteca, Tatsuya Koyasu, é o melhor aviso disso: um espírito preso entre mundos, alguém que se desligou demasiado do real para conseguir voltar. No fundo, Murakami mostra-nos que é bonito visitar o nosso “interior” — e podemos fazê-lo sempre que acreditarmos “com o coração” — mas é na realidade, imperfeita e cheia de falhas, que a vida acontece. Sonhar é essencial; viver é insubstituível. Ao longo do romance reencontrei ecos profundos dos seus livros mais marcantes e, sobretudo, uma poderosíssima parábola sobre o sonho, a vida, a morte, o sentido que fazemos e damos ao mundo e, acima de tudo, o papel do autor enquanto “fabricador de sonhos e cidades com as suas muralhas incertas”. E, no final, fica a pergunta inevitável: quem é, verdadeiramente, o leitor de sonhos? Que sonhos lê? De quem são esses sonhos — seus, meus, passados, presentes, futuros? Murakami, como sempre, no seu registo imperdível…
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