A Cidade e as suas Muralhas Incertas (Ed. Limitada Capa Holográfica)

de Haruki Murakami
Editor: Casa das Letras, abril de 2025 ‧
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Mal imagina o protagonista que a rapariga por quem se apaixonou está prestes a levar sumiço. Nos breves encontros entre os dois, sentados à sombra das glicínias ou passeando pela margem do rio, a jovem revela ao rapaz a existência de uma misteriosa cidade rodeada de uma alta muralha, situada num outro mundo. Se um dia quiser reencontrá-la e conhecer o seu verdadeiro eu, ele terá de o desejar com todas as suas forças e abdicar de parte de si.

Chegado o outono, o rapaz recebe uma última carta, o prenúncio de uma despedida, e ela desaparece do mapa, como que por magia. Perdido de amores, apodera-se do rapaz uma tristeza sem fim, mas eis que se decide, investido de um verdadeiro espírito de peregrinação, procurar a elusiva via de acesso à cidade, na esperança de reencontrar a amada.

Finalmente diante do portão, tem de prescindir da sua sombra e é-lhe atribuída a função de leitor de sonhos numa biblioteca sui generis, que não alberga nem um livro para amostra. Afinal, a cidade tal como ela a descreveu existe, e tudo é possível nesse assombroso universo paralelo, onde a realidade, a identidade, os sonhos e as sombras pairam e escapam aos limites rígidos e implacáveis da lógica.

A Cidade e as suas Muralhas Incertas (Ed. Limitada Capa Holográfica)

de Haruki Murakami

Propriedade Descrição
ISBN: 9789895814268
Editor: Casa das Letras
Data de Lançamento: abril de 2025
Idioma: Português
Dimensões: 156 x 236 x 36 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 560
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789895814268

A Cidade e as Suas Muralhas Incertas — Quem é o leitor de sonhos?

João Matias

Murakami volta a lembrar-nos que há mundos dentro de nós tão reais quanto o que pisamos. Neste romance — com a escrita ardilosa e habilmente montada na dicotomia realidade/ficção a que o nipónico já nos habituou — a cidade onírica ergue-se como metáfora poderosa desse território interior onde guardamos sonhos, memórias e versões possíveis de nós mesmos. Um lugar tentador pela sua perfeição… mas estagnado. Ali, até os relógios deixam de marcar horas; e isso diz tudo. Sem tempo não há mudança, não há vida, não há sombra. Nem dor. Nem sofrimento. É tudo… um nada indefinido. A sombra, aliás, é a grande chave do livro: aquilo que nos prende ao mundo real, com toda a sua imperfeição, dor e humanidade. Quem abdica dela pode viver num sonho perfeito, mas deixa de existir de verdade. O antigo diretor da biblioteca, Tatsuya Koyasu, é o melhor aviso disso: um espírito preso entre mundos, alguém que se desligou demasiado do real para conseguir voltar. No fundo, Murakami mostra-nos que é bonito visitar o nosso “interior” — e podemos fazê-lo sempre que acreditarmos “com o coração” — mas é na realidade, imperfeita e cheia de falhas, que a vida acontece. Sonhar é essencial; viver é insubstituível. Ao longo do romance reencontrei ecos profundos dos seus livros mais marcantes e, sobretudo, uma poderosíssima parábola sobre o sonho, a vida, a morte, o sentido que fazemos e damos ao mundo e, acima de tudo, o papel do autor enquanto “fabricador de sonhos e cidades com as suas muralhas incertas”. E, no final, fica a pergunta inevitável: quem é, verdadeiramente, o leitor de sonhos? Que sonhos lê? De quem são esses sonhos — seus, meus, passados, presentes, futuros? Murakami, como sempre, no seu registo imperdível…

SOBRE O AUTOR

Haruki Murakami

Haruki Murakami é, sem dúvida, um autor de culto, lido por todas as gerações e procurado com especial curiosidade pelos jovens leitores, encontrando-se traduzido em mais de 50 línguas. Sendo um dos escritores japoneses contemporâneos mais divulgado em todo o mundo, é simultaneamente aplaudido pela crítica, que o considera um dos «grandes romancistas vivos» (The Guardian).
Haruki Murakami recebeu vários doutoramentos honoris causa pelas universidades do Havai, Liège e Princeton em reconhecimento da sua obra, recompensada através da atribuição de importantes galardões internacionais, com destaque para os prémios Noma, Tanizaki, Yomiuri, Franz Kafka, Jerusalém e Hans Christian Andersen.

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