A Agonia do Cristianismo

de Miguel de Unamuno
Editor: Cotovia, outubro de 2014 ‧
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Pascal indignava-se com as pequenas discussões dos jesuítas, dos seus distinguos e das suas mesquinhices. E não são pequenas! A ciência média, o probabilismo, etc., et cetera. Mas precisam de brincar à liberdade. Dizem: In necessariis unitas, in dubiis libertas, in omnia charitas. No que é necessário, unidade; no duvidoso, liberdade; em tudo, caridade! E para brincar à liberdade aumentam o campo das dúvidas, chamando dúvida àquilo que não o é. Há que ler a Metafísica do padre Suárez, por exemplo, para vermos um homem que se entretém a partir em quatro um cabelo, mas no sentido longitudinal, e fazer depois uma trança com as quatro fibras. Ou quando fazem estudos históricos - aquilo a que eles chamam história, pois não costuma passar de arqueologia -, entretêm-se a contar os pêlos do rabo da Esfinge, para não verem os seus olhos, o seu olhar. Trabalho de embrutecer e embrutecer-se. Quando um jesuíta - pelo menos, repito-vos, se for espanhol -, vos disser que estudou muito, não acrediteis. É como se um deles, porque faz todos os dias 15 quilómetros de percurso dando voltas ao pequeno jardim da sua residência, vos dissesse que viajou muito.

A Agonia do Cristianismo

de Miguel de Unamuno

Propriedade Descrição
ISBN: 9789727953400
Editor: Cotovia
Data de Lançamento: outubro de 2014
Idioma: Português
Dimensões: 130 x 203 x 11 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 144
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Ensaios
EAN: 9789727953400

SOBRE O AUTOR

Miguel de Unamuno

Miguel de Unamuno y Jugo nasceu a 29 de setembro de 1864 em Bilbau, cidade em que viveu toda a infância e adolescência. Porém, foi em Salamanca que se fixou e permaneceu quase ininterruptamente o resto da sua vida e onde faleceu no último dia do ano de 1936, depois de uma intensa vida social, política, académica e intelectual. Cursou Filosofia e Letras na Universidade de Madrid, vindo a ser nomeado reitor da Universidade de Salamanca, cargo do qual seria destituído várias vezes por razões políticas. Apesar da sua conturbada vida política, Unamuno permaneceu um escritor infatigável, produzindo mais de três dezenas de obras que vão da filosofia ao romance, à poesia e ao teatro. Vida de Dom Quixote e Sancho (1905), Do Sentimento Trágico da Vida (1913) e A Agonia do Cristianismo (1925) contam-se entre as principais obras daquele que foi designado, por força do seu activismo e constante crítica das autoridades, o «Prometeu Espanhol».

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