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Caderno Proibido

by António Botto
Publisher: Editora Guerra & Paz, January of 2026 ‧
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Caderno Proibido de António Botto reúne poemas inéditos de um dos poetas mais marcantes e mais polémicos da História da poesia portuguesa.

Ambientado no calor brasileiro, Caderno Proibido acolhe intensas experiências eróticas; umas talvez sejam imaginadas, outras serão provavelmente reais e autobiográficas. É essa a matéria da compilação que nos traz os poemas mais chocantes de António Botto.

Para este Caderno Proibido, livro que o autor planeava publicar, tendo morrido antes de o fazer, Botto escreveu poemas sem subterfúgios, carnais e explícitos, podendo mesmo - tudo dependendo da linha vermelha que se escolha - ser considerados pornográficos e obscenos.

Muitos leitores, estamos certos, vão deliciar-se com a expressão das mais profundas relações amorosas, dos mais intensos sentimentos, de paixão e de emoção, mas também de ciúme e posse, sexo e emoções estéticas.

São esses os poemas que aqui se reúnem com organização, fixação dos textos e prefácio de Victor Correia.
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«Palácio dos Quartos Alugados»

António Botto (1897–1959), poeta nascido na Concavada e criado em Lisboa, destacou se pelo lirismo singular e pela ousadia temática. Autor de Canções (1921), obra pioneira de poesia homoerótica que escandalizou a época, tornou se figura central da modernidade literária portuguesa. Amigo próximo de Fernando Pessoa, que o prefaciou e defendeu, Botto deixou uma marca decisiva na poesia do seu tempo.
O novíssimo Caderno Proibido reúne poemas inéditos de António Botto. Ambientado no calor do Brasil, país para onde o poeta se exilou após ter sido despedido do seu trabalho de escriturário em Portugal, por razões económicas e devido ao ambiente homofóbico de que era alvo. Neste livro, encontramos «os poemas mais “chocantes” do autor – sem subterfúgios, carnais e explícitos, mas também «a expressão das mais profundas relações amorosas, dos mais intensos sentimentos, de paixão e de emoção, mas também de ciúme e posse, sexo e emoções estéticas», como se lê no prefácio de Victor Correia.


PALÁCIO DOS QUARTOS ALUGADOS (Versão I)

Palácio dos quartos alugados.
Beberam, e caíram abraçados
No abraço total da violência penetrante,
Para lá dessa medida procurada,
No além do tal quadrante
Que nunca nos dá o complemento
De um desejo banal de amor, ou não.

Só os corpos falavam, nessa nudez,
Da elegância masculina de uma ginástica sadia,
Para haver, mais uma vez,
A impressionante simpatia
De duas forças que se procuram
Num convívio de alegria.

Ambos no desvario conciso, inteligente, espiritual
Procuravam fazer diferente
De tal atracção
Natural, ou instintiva
Que dizem ser primitiva,
À face da lei moral.

Decretos e leis, preconceitos e doutrinas,
Inventados pelo abuso de uma sociedade de zero,
São gravatas ou coleiras
Que eu não compro e nem quero.

Enterradas as cabeças
Nos altos peitos lavados
Cheirando a saúde e a limpeza,
Principiaram na luta
De um quadro raro de beleza.

António Botto, Caderno Proibido, Guerra & Paz, janeiro de 2026, pp. 23-24

Caderno Proibido

by António Botto

Property Description
ISBN: 9789895763481
Publisher: Editora Guerra & Paz
Release Date: January of 2026
Language: Portuguese
Dimensions: 152 x 235 x 10 mm
Cover: Softcover
Pages: 152
Format: Book
Categories: Books in Portuguese > Fiction > Poetry
EAN: 9789895763481

ABOUT THE AUTHOR

António Botto

António Botto nasceu em 1897, na Concavada (Abrantes), e faleceu em 1959, no Rio de Janeiro (Brasil).
Ainda muito novo, foi viver para Lisboa com os seus pais e foi aí que cresceu e viveu grande parte da sua vida.
Botto foi aspirante a ator, ajudante de livraria e escriturário da Função Pública, de onde foi despedido por razões que no fundo tinham que ver com a sua homossexualidade assumida.
Escreveu poesia, contos e teatro, tendo publicado inúmeras obras, sendo a mais conhecida – e também a mais controversa – Canções, obra de poesia homoerótica publicada em 1921 que causou grande agitação nos meios conservadores da época, ficando associada à polémica da chamada «literatura de sodoma», e que veio a ser proibida.
Fernando Pessoa era seu amigo e António Botto foi o autor sobre quem Pessoa mais escreveu e elogiou, tendo sido seu prefaciador, crítico literário, tradutor e editor.
António Botto teve um papel fundamental na História da poesia portuguesa do seu tempo, marcando-a com um lirismo poético muito próprio.

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