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Atlas da Revolução Francesa

by Pierre-Yves Beaurepaire, Guillaume Balavoine e Silvia Marzagalli
Publisher: Editora Guerra & Paz, July of 2024 ‧
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Este Atlas da Revolução Francesa, com mais de 120 mapas e gráficos computorizados, defende que a Revolução não começou na Primavera de 1789, mas, sim, que se insere num processo bastante amplo do qual os eventos de 1789 foram apenas uma fase de aceleração.

Situando a Revolução Francesa no contexto da história mundial e colonial, Beaurepaire e Marzagalli tentam, constantemente, perspectivar o acontecimento revolucionário como um projecto revolucionário de reconstrução da nação e das suas instituições que se confronta com contingências sociais, económicas, militares, diplomáticas e territoriais:

- A circulação de pessoas, ideias e mercadorias e a crise financeira e social: o contexto que antecedeu os acontecimentos de 1789;
- De 1789 a 1791: da crise do Antigo Regime à sua ruptura e ao fracasso da monarquia constitucional;
- De 1792 e 1799: guerra, divisões e cisões, radicalização revolucionária;
- A França de Bonaparte: a autoridade não põe em causa todas as conquistas da Revolução.

Este Atlas fala-nos de uma mudança que se estendeu da Europa ao Novo Mundo e às colónias, desde a década de 1770 até à França napoleónica, sob o lema Liberdade, Igualdade, Fraternidade.
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Percorrer o Atlas da Revolução Francesa, dois séculos depois

A Revolução Francesa festeja 235 anos. Bem, na verdade 1789 foi o ano em que as ondas revolucionárias culminaram, levando ao fim da monarquia e ao início da era das Luzes, um vento de mudança com impacto global. Foram muitos os fatores que levaram a esse ponto de viragem em que se anunciava e almejava a construção de um mundo melhor para a Humanidade – começando pela adopção da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, documento culminante do Iluminismo. Depois dele, a agitação não se extinguiu simplesmente. Enquanto mudanças civilizacionais de que todos somos herdeiros eram implementadas, viveram-se dias negros, sobretudo durante o período que ficou gravado na História como Terror, entre 1793 e 1794 – e cuja memória se mantém bem viva para os franceses, como se viu na abertura dos Jogos Olímpicos de Paris há dias, com a representação da rainha Maria Antoinette decapitada.
Perante um fenómeno tão importante e complexo, como percebê-lo integralmente sem nos perdermos numa miríade de fontes para a qual não temos o tempo necessário? A boa notícia é que acaba de ser lançado por cá o extraordinário Atlas da Revolução Francesa, escrito pelos historiadores franceses Pierre-Yves Beaurepaire e Silvia Marzagalli e magnificamente ilustrado pelo cartógrafo Guillaume Balavoine. Em menos de 200 páginas, ficamos a perceber o impacto global e a complexidade da Revolução Francesa, e até conseguimos elaborar uma comparação entre a França e Portugal – muitos dos progressos políticos, ideológicos e sociais que a França implementou logo no final do século XVII só chegariam cá quando já o século XX ia bem avançado.
O que se passou em França não foi só o fim da Monarquia e a instauração da República. Com a mudança de regime, foram implementadas medidas que alteraram radicalmente o país (ideológico e cartográfico), da administração do território à educação e aos direitos humanos. Nesta valiosa obra, com a ajuda de 120 mapas e de capítulos temáticos e concisos, vemos claramente como o ano de 1789 foi aquele em que movimentos e revoltas que já se vinham intensificando há anos, não só em França como numa conjuntura global, resultaram numa revolução sem retorno.
O projeto revolucionário visava reconstruir a grande nação francesa e, para o conseguir, teve de debruçar-se sobre todas as vertentes, das quais destacamos algumas das mais importantes, conforme enunciadas neste Atlas da Revolução Francesa:

• O desenvolvimento da imprensa e do livro clandestino (ver mapa no final deste artigo)

Graças à revolução postal da década de 1760 e à prática das subscrições em grupo, o preço da informação desce e a imprensa da província explode nas vésperas da revolução. Desenvolve-se uma indústria do livro, que alimenta o mercado francês com falsificações e livros proibidos. A censura vê-se obrigada a transigir. Mais tarde, em 1799, Napoleão Bonaparte, consciente do potencial subversivo de um debate livre no seio da sociedade civil, reforça a vigilância policial e impõe rígidas medidas de censura. Mas, ainda assim, as conquistas da Revolução não são postas em causa.

• A educação, uma questão primordial no período revolucionário

A educação era vista pelos revolucionários como primordial para a regeneração da sociedade – uma visão incontestável. Em 1793, afirmaram o princípio da escola elementar gratuita e obrigatória para todas a crianças e, em apenas uma geração, a alfabetização aumenta. A Revolução confia ao Estado a tarefa de organizar a instrução pública, recuperando os edifícios nacionalizados dos antigos conventos.

• A reorganização do território (ver mapa no final deste artigo)

Logo em dezembro de 1789, a Assembleia Constituinte adopta o princípio da divisão do território do reino em departamentos, distritos e cantões e consagra a existência das municipalidades. Esta refundação do espaço nacional transforma profundamente o quadro vivo dos cidadãos e o exercício das funções sociais e políticas. Não foi isenta de debate, mas conseguiu fazer avançar o país. O consenso convergiu para a necessidade de se criar um sitema uniforme e racional elaborado a partir do departamento, um circunscrição mais pequena do que a anterior – o critério para a delimitação dessa área era que qualquer habitante da mesma pudesse deslocar-se à capital da comuna e regressar a casa no mesmo dia viajando a cavalo. Simples e eficaz, não?

• As colónias e o desafio da regeneração nacional

Em menos de três anos, as revoltas forçam a República a abolir a escravatura no conjunto das colónias francesas (1794) – este foi um dos actos mais radicais da Revolução Francesa, com repercussões por todo o espaço atlântico.
Nas palavras dos autores deste livro (p.163), «A independência das colónias espanholas e portuguesas, mais do que uma rebelião contra a metrópole, é o resultado do demoronamento da monarquia, que afecta simultaneamente territórios americanos e europeus e conduz (…) à desagregação dos impérios.»

Mas há muito mais a descobrir e a saber. Propondo-nos «que nos libertemos de posturas ideológicas para compreendermos as lógicas deste abalo maior na História do mundo», Beaurepaire e Marzagalli dão-nos uma chave única para entrarmos no universo da Revolução Francesa. E seria uma pena não lhe dar uso.
Mas há muito mais a descobrir e a saber. Propondo-nos «que nos libertemos de posturas ideológicas para compreendermos as lógicas deste abalo maior na História do mundo», Beaurepaire e Marzagalli dão-nos uma chave única para entrarmos no universo da Revolução Francesa. E seria uma pena não lhe dar uso.

O mercado do livro clandestino, in Atlas da Revolução Francesa, p. 60 A França dos 83 Departamentos e a supressão das capitais de Concelho, in Atlas da Revolução Francesa, p. 60

Atlas da Revolução Francesa

by Pierre-Yves Beaurepaire, Guillaume Balavoine e Silvia Marzagalli

Property Description
ISBN: 9789895760886
Publisher: Editora Guerra & Paz
Release Date: July of 2024
Language: Portuguese
Dimensions: 169 x 244 x 12 mm
Cover: Softcover
Pages: 176
Format: Book
Categories: Books in Portuguese > History > History of Europe
EAN: 9789895760886

Seguindo os espaços da Revolução

Teresa Gomes

Obra que nos conduz pelo processo revolucionário francês pelas suas geografias, considerando os seus mais diretos atores. Uma outra perspectiva do que foi o momento de viragem na história europeia e trouxe para o espaço da sociedade e da política a concretização dos ideais iluministas.

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