Um, Ninguém E Cem Mil eBook
SINOPSE
Humorístico e profundamente irónico, Um, Ninguém e Cem Mil foi o último romance publicado por Luigi Pirandello, Prémio Nobel de Literatura, e é considerado pela crítica um dos pontos mais altos de toda a sua obra, onde o autor resume e aprofunda todo o seu universo, que marcou de forma original a Literatura do século XX.
DETALHES
| Propriedade | Descrição |
|---|---|
| ISBN: | 9789897871368 |
| Editor: | Cavalo de Ferro |
| Data de Lançamento: | maio de 2023 |
| Idioma: | Português |
| Páginas: | 184 |
| Tipo de produto: | eBook |
| Formato e Compatibilidade: | |
| Classificação Temática: |
eBooks em Português
>
Literatura
>
Romance
|
| EAN: | 9789897871368 |
| Acessibilidade: | Ver características de acessibilidade indicadas pelo editor |
OPINIÃO DOS LEITORES
Quem somos nós?
Rui
Quem somos nós? Seremos nós aquilo que pensamos ser? Seremos aquilo que somos aos olhos dos outros? Ou seremos nem uma coisa nem outra? A partir da revelação inesperada de que o seu nariz pende ligeiramente para a direita, Vitangelo Moscarda, a personagem principal desta obra de Pirandello, inicia uma jornada que o leva à procura do seu verdadeiro “eu”. Aquilo que pensava ser é afinal diferente daquilo que é aos olhos de sua mulher, desde logo quando esta o surpreende dizendo-lhe que tem um nariz diferente do que pensava ter. Não só é diferente para sua mulher, como é ainda diferente aos olhos de qualquer outra pessoa, sendo tantos Moscardas quantos os pares de olhos que o veem. Afinal, qual desses Moscardas é o verdadeiro Moscarda? Estilisticamente, o humorismo pelo qual o autor é famoso permeia toda a obra. Há humor nas tentativas absurdas de Moscarda de se encontrar: os seus exercícios com o espelho, as suas quezílias públicas, as suas tentativas de provocar escândalo apenas para dissolver a imagem que os outros têm dele. O eu, outrora considerado unificado, começa a ser visto como uma multiplicidade de reflexos projetados por outras pessoas: a versão do amigo, a versão da esposa, do banqueiro, do padre. Moscarda já não se refere a si próprio no singular mas no plural. “Nós”, escreve, não por delírio ou por surto psicótico, mas porque o singular já não chega. A tarefa de encontrar o autêntico “eu” revela-se mais espinhosa do que à partida parecia, nem tampouco Moscarda pode confiar na sua própria perceção, uma vez que o “eu” enquanto observador obscurece o observado. Depois de muito tentar, alcança finalmente uma espécie uma santidade negativa que o apazigua — não se tornando algo, mas deixando de ser qualquer coisa. Recusa nome, bens materiais, laços de reputação e qualquer tipo de papel no teatro social. Imbuído nessa santidade conciliadora, retira-se para o campo, incógnito, abandonando-se à fluidez e à leveza do ambiente que o circunda. Não se trata de uma resolução, mas antes de uma cedência, uma cedência a esse mundo bucólico que o rodeia e que o consola, um mundo que já não reflete um papel. Recomendadíssimo!
Irónica e comovente
Ler, um prazer adquirido
Não conhecia este autor e este romance que, foi o seu último. Não conhecia este prémio Nobel da literatura de 1934. O título é maravilhoso e faz todo o sentido porque divaga sobre a identidade. Uma identidade que é construída ou percepcionada por um, ninguém e cem mil. Muito filosófico provoca sérias reflexões a sorrir. Uma história irónica mas também comovente porque não se espera que uma obsessão a partir de um banal comentário sobre um nariz que pende para a direita termine bem. Uma tomada de consciência que, se manifesta em voz alta para fazer eco dos seus pensamentos, bem rocambolescos de um ocioso homem com o apelido de Moscarda.
Quantos sou?
Hugo Araújo
Um livro quase centenário, com um profundo conhecimento da psicologia humana, que mantém imaculada a sua capacidade de assombro.
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