WOOK LÊ Ana Pessoa
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17 de janeiro de 2020
Ana Pessoa nasceu em Lisboa em 1982. Não estávamos lá na altura, mas consta que declarou imediatamente: Aqui é um Bom Lugar! Talvez por isso, estudou línguas e literaturas nessa cidade, mas aos 22 anos decidiu fazer um desvio e atualmente vive em Bruxelas, de onde tem uma belga vista para o mundo.
Trabalha como tradutora e escreve livros maravilhosos, sempre com personagens fantásticas, como gnus e texugos que se deixam levar pelo vento, miúdos supergigantes ou raparigas que escrevem em cadernos vermelhos a golpes de karaté.
Os seus livros são tão importantes na nossa vida (e na dos nossos filhos) que quisemos saber quais são os livros da vida dela.
Ana Pessoa
BIOGRAFIA
NOME: Ana Pessoa
DATA E LOCAL DE NASCIMENTO: 08/08/82 em Lisboa
WOOK FAZ? Tradutora
CURIOSIDADE: Por vezes escreve postais que não chega a enviar.
«Cá vão seis livros da minha vida, por ordem de chegada (à minha vida)»
MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS
Diz-nos o narrador que escreveu estas suas memórias «com a pena da galhofa e a tinta da melancolia». A ousadia desta história começa logo na dedicatória: «Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico como saudosa lembrança estas memórias póstumas».
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O AMANTE
Inesquecível a descrição inicial de várias páginas em que uma rapariga de 15 anos, com um vestido de seda, quase transparente, e um chapéu masculino, atravessa o rio Mekong dentro de um ferry. Continuo a acreditar que eu estive lá, nesse ferry, com essa rapariga, e que assisti ao fim da sua infância e ao início da sua tragédia.
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RUMO AO FAROL
A minha autora predileta. Não foi o primeiro livro que li da Virginia Woolf, mas foi o que me levou mais longe na sua prosa introspetiva. Quando penso neste livro, volto a sentir, por um lado, a claustrofobia daquela casa de férias numa ilha escocesa e, por outro, o alívio da contemplação em todas as deslumbrantes descrições do mar e do farol.
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ANNA KARENINA
Penso em Anna Karenina como se pensa numa amiga. Na vida de Anna tudo falhou e o meu sentimento de culpa é real, como se eu própria tivesse falhado com ela.
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O MUNDO
Sempre que leio Juan José Millás, tenho vontade de o abraçar. É impossível separar o autor deste narrador inteligente e sensível. Emociono-me até às lágrimas com todos os episódios do seu quotidiano. O Mundo é uma belíssima porta de entrada na sua infância e na rua onde morava, que – como ele diz a certa altura – era o limite da realidade e, portanto, todo o seu mundo.
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A AMIGA GENIAL
Nunca me acontece isto: ler obsessivamente um/a autor/a, do princípio ao fim, sem interrupções. Com esta saga da Ferrante aconteceu-me precisamente isso. Quem ler o primeiro livro, lerá certamente os restantes. Uma obra assombrosa de uma autora que me seduziu desde as primeiras linhas.
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