WOOK LÊ Ana Bárbara Pedrosa

17 de janeiro de 2020

Ana Bárbara Pedrosa é romancista, linguista, crítica literária, revisora e tradutora. Com 31 anos já tem dois grandes romances publicados (Lisboa, Chão Sagrado e Palavra do Senhor) que mereceram elogios rasgados de Itamar Vieira Junior, por exemplo.
Escreve tão bem, que parece incrível ainda não ter sido anunciada como a nova sensação das letras portuguesas em todos os jornais, noticiários, blogues, revistas, Instagrams, etc.
Tem um sentido de humor desarmante e o cabelo sempre desarmado, o que só lhe acrescenta charme.
Estas são as suas sugestões de leitura.


Ana Bárbara Pedrosa por Paula Nunes ©
BIOGRAFIA
NOME: Ana Bárbara Pedrosa
DATA E LOCAL DE NASCIMENTO: 23 de Abril de 1990, no hospital mais perto de Vizela
WOOK FAZ? Romancista, cronista, linguista e crítica literária
CURIOSIDADE: Come um saco de rúcula por dia
OS SEIS LIVROS DA SUA VIDA
FOLHAS CAÍDAS
Vamos por obsessões. Esta foi a primeira. Li Folhas Caídas de uma ponta à outra uma vez por dia durante cerca de um ano. Andava no sexto ano e queria ser igual ao Garrett. Anos mais tarde, escrevi uma tese de mestrado sobre o assunto, e a paixão renovava-se a cada dia. Como não adorar o exagero, o cinismo, a lábia, a métrica ali a bater certo?
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VIVER PARA CONTÁ-LA
Esta foi a segunda. Descobri-o em 2005, a sair do ensino básico. O García Márquez foi o meu amigo, e ainda por cima portátil. Levava-o debaixo do braço para o ter por perto como quem leva um Tamagotchi. Ainda hoje o sinto como se tivesse sido a sério: encarava a escrita como um ofício, não se escusou a debater a dificuldade de uma frase, não dava um parágrafo por garantido. Em termos de esforço e arquitetura de um romance, ensinou-me muito.
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A PAIXÃO DO JOVEM WERTHER
Esta foi a terceira. Isto vai por anos de escola e o Werther chegou em cheio no 11º ano. Hoje em dia, não o aconselho a uma adolescente apaixonada, mas não deixo de encontrar encanto no exagero ridículo, no fatalismo do romantismo. O próprio romance é uma ironia e a minha paciência já é curta, mas o cliché da coisa louca não deixa de ter graça.
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A ÚNICA HISTÓRIA
Li-o pela primeira vez há poucos anos e o impacto que teve continua a fazer eco. Está lá tudo: a esperança, a luz no escuro, a coisa grande, a vida real, o amor em cheio, a habituação, o desencanto, a força da rotina. Escrever um romance destes sem meter a pata no cinismo é proeza que só um grande atinge, e Barnes foi grande no desenvolvimento da ação e na elegância. Dava o meu dedo mindinho para ter sido eu a escrever este livro. Poderão argumentar que o mindinho não serve para nada, mas eu roo as unhas desde 1993.
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AS BENEVOLENTES
Um grande romance de Littell, em que o autor não se escusou a escancarar o horror. A voz do narrador é forte, o exercício empático que cria provoca estranheza no leitor, e é então possível estarmos na cabeça de um ex-oficial SS sem nos embalarmos na desumanização. Pelo contrário, é vê-la sem pó de arroz que cria impacto.
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O CONDE DE MONTE CRISTO
Quase me valeu uma falta disciplinar numa aula de História, e teria valido a pena. Não consegui aviar as 1400 páginas numa noite, usei os 90 minutos de aula para adiantar mais qualquer coisa. A professora irritou-se, mas o mal estava nela: o que tinha a dizer poderia competir com Dumas? Ainda hoje acho Edmond Dantès uma das personagens mais bem arquitetadas, e é magnífico ver como Dumas o deixou transformar-se e transtornar-se. E ainda transtornar-me com a possibilidade uma falta disciplinar na escola.
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