WOOK LÊ Joana Bértholo
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17 de janeiro de 2020
Joana Bértholo estudou Design, mas, felizmente para nós, leitores, dedica-se à escrita: de romances, livros infantis, peças de teatro, argumentos para BD, textos experimentais que cruzam diversas artes, etc. Desde o seu livro de estreia, tem vindo a “colecionar” prémios literários, como o de melhor livro infantojuvenil, atribuído pela Sociedade Portuguesa de Autores, o Prémio Jovens Criadores 2005 ou o Prémio Maria Amália Vaz de Carvalho.
É uma das vozes mais originais da sua geração. O seu romance Ecologia é ambientado num mundo em que temos de pagar pelas palavras. Antes que a linguagem deixe de ser grátis, convidamo-la a partilhar connosco os seus livros preferidos.
Foto de Luís Barra
BIOGRAFIA
NOME: Joana Bértholo
DATA E LOCAL DE NASCIMENTO: 1982, Lisboa
WOOK FAZ? Escreve: romances, peças de teatro e outros textos.
CURIOSIDADE: Menciona livros diferentes cada vez que fala dos livros da sua vida.
OS SEIS LIVROS DA SUA VIDA
MONOCULTURES OF THE MIND
Vandana Shiva olha para o mundo actual fazendo uso do conceito de monocultura, tentando demonstrar que a falta de diversidade agrícola, tanto quanto intelectual, pode ser nociva e insustentável. Faz uma defesa da democratização das múltiplas formas de saber, locais e (bio)diversas.
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A DE AÇOR
Os pássaros, a natureza, o luto. De forma memorável a autora entrelaça a sua depressão e o processo de lidar com a morte do pai, com uma obsessão por falcões e T. H. White. Não deve ser lido por quem não aprecie um ou outro.
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PERTO DO CORAÇÃO SELVAGEM
A partir desta leitura pareceu-me inevitável ler as obras seguintes da autora, que podem até ser mais importantes ou maduras. Mas a profunda impressão que causou em mim este primeiro contacto com a sua escrita determina que seja sempre este o romance de Lispector em que penso primeiro, e que recomendo.
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RUMO AO FAROL
Como com Lispector, desta autora recomenda-se a obra. Rumo ao Farol [To the Lighthouse, no original] também pode ter sido o primeiro que li — já não estou certa. É, sobretudo, de todos os seus romances, a mais linda ode ao fluxo de consciência. Apercebi-me ao lê-lo que o fenómeno do pensamento pode ser a personagem principal de um livro, e isso foi na altura uma revelação.
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AVENTURAS DE DIÁFANES
A autora nasceu em São Paulo em 1711, com 5 anos veio para Portugal, e dela é dito que é a primeira romancista em língua portuguesa; e este o seu primeiro romance, publicado em 1752. É uma leitura preciosa para quem se interessa pela linhagem de autoras esquecidas pelo tempo. Simplesmente não havia mulheres a publicar romances no seu tempo, e foi-lhe além do mais atribuído pouco valor literário — mas nunca é tarde para o contestarmos.
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A NOITE E O RISO
Descrever um livro que exerce sobre nós puro fascínio é como explicar uma anedota. Digo apenas que é um arrepio, a forma como escreve Nuno Bragança. Este é um daqueles livros ao qual me apetece sempre voltar.
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