Viva o livro português!

Por Álvaro Curia / Ludgero Cardoso
@literacidades
26 de março de 2024
Para assinalar o Dia do Livro Português, celebrado a 26 de março, lembrámo-nos de três livros que lemos na escola secundária… e gostámos. Nem sempre acontece, mas estas leituras obrigatórias correram bem. Regressamos ao Álvaro e ao Ludgero do liceu e vamos lá recordar como foi a experiência de leitura destes três livros.

 
Sermão de Santo António aos Peixes
Podem não acreditar, mas o Ludgero de dezasseis anos vibrou com este Sermão de Santo António aos Peixes. Trata-se de uma obra emblemática do Padre António Vieira, proferida em 1654, em São Luís do Maranhão. Neste sermão, o autor utiliza uma abordagem inusitada, pregando não para a congregação humana, mas para os próprios peixes. Vieira usa essa metáfora para criticar os vícios e a corrupção da sociedade da sua época, especialmente os pecados dos colonos portugueses no Brasil. Além disso, denuncia a injustiça social, a ganância e a hipocrisia, e exorta à conversão ao catolicismo e à justiça. O que terá cativado o pequeno Ludgero? Talvez a sua retórica eloquente e poderosa, que torna esse sermão uma peça fundamental da literatura e da oratória barroca. O texto revela a genialidade e a coragem de Vieira ao desafiar os poderosos da sua época e ao defender os mais vulneráveis.
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Eurico, o Presbítero
O Álvaro adolescente era um romântico. E, como tal, não é de estranhar que a obra máxima de Alexandre Herculano o tenha apanhado na curva dos seus anos da inocência. Ambientada na Península Ibérica durante a ocupação dos visigodos, a história acompanha Eurico, um jovem presbítero que se vê envolvido em tramas políticas e amorosas. O romance retrata os conflitos entre os povos visigodos e os ocupantes romanos, explorando temas como honra, lealdade e religião. O autor tece uma narrativa repleta de intrigas e reviravoltas, enquanto explora os dilemas morais enfrentados pelas personagens. Eurico, o Presbítero é uma obra-prima da literatura portuguesa, mas poucas vezes referidas entre os grandes romances nacionais. O livro, no entanto, fascinou o Álvaro do décimo segundo ano pela sua riqueza histórica e profundidade emocional.
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Sonetos, de Florbela Espanca
Deste gostámos os dois. É impossível não ficarmos rendidos à poesia de Florbela Espanca. Os seus Sonetos representam uma expressão sublime da sensibilidade feminina e da alma humana. Publicados postumamente em 1934, esses poemas revelam a intensidade emocional e a melancolia características da autora, cuja vida se mistura com as letras que escreve. Florbela utiliza a forma clássica do soneto para explorar temas como amor e a solidão, o desejo não correspondido e a morte. Marcada pela introspeção e por uma busca constante pela transcendência, a linguagem destas obras de arte traz-nos imagens que transcendem os versos e conseguem transmitir a complexidade das emoções humanas. Os Sonetos de Florbela Espanca cativaram-nos enquanto adolescentes, mas continuamos a abrir o livro de cada vez que queremos mergulhar no mundo desta poetisa.
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